Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

4/12/08

O Escândalo Proconsult

Davi Castiel Menda

Um dos episódios mais lamentáveis na história de uma eleição no Brasil nos remete a 1982. Na fase de apuração a governador do Rio de Janeiro, ocorreu a famigerada Operação Proconsult (nome da empresa encarregada de proceder à apuração) e que teve como objetivo “virar” os resultados de uma eleição já ganha por Leonel Brizola sobre o candidato do Governo federal na época, Moreira Franco. A sistemática consistia em sonegar os resultados da capital (dois terços do eleitorado), onde Brizola alcançara 70% dos votos, e só divulgar uma média da apuração no interior do estado, onde Moreira era majoritário. Não fosse a pronta intervenção de Brizola, exigindo falar à nação pela Rede Globo – que insistia em divulgar a vitória de Franco - a história teria sido diferente. Para aqueles que desconhecem o fato, publicamos excertos do livro “Brizola Tinha Razão”, do jornalista FC Leite Filho.


No dia 18 de novembro de 1982, inconformado com a demora na divulgação dos resultados da eleição, em que era tido por todos como candidato vitorioso ao governo do Rio de Janeiro, Leonel Brizola procurou a imprensa internacional para denunciar uma tentativa de fraudar a apuração e declarar eleito o candidato do PDS Moreira Franco.

Mais tarde, o candidato do PDT foi à sede da Rede Globo de Televisão, no Jardim Botânico, no Rio, e exigiu espaço para falar. Ele via na emissora o braço direito da conspiração, pelo modo faccioso com que se comportou, ao desconhecer os resultados favoráveis a Brizola, que eram corretamente projetados pelo Jornal do Brasil e a Rádio Jornal do Brasil.

Como se verificou depois, segundo denúncias que também partiram de funcionários da própria Rede Globo, as Organizações Globo, juntamente com o SNI, estavam envolvidas naquilo que mais tarde se tornou conhecida como a Operação Proconsult.

Esta operação, que levava o nome da empresa encarregada de proceder à apuração do Rio de Janeiro, a Proconsult-Racimec - de propriedade de antigos oficiais de informação do Exército - tinha como objetivo virar "na marra" os resultados em favor do candidato do Governo federal na época, Moreira Franco.

A estratégia consistia em sonegar os resultados da capital, a cidade do Rio, que reúne mais de dois terços do eleitorado do Estado, e onde Brizola obteve cerca de 70% dos votos, e só divulgar uma média das apurações do interior, onde Moreira era majoritário, com as da periferia e parte da capital, de modo que situasse sempre Moreira Franco à frente dos votos. Isto era para infundir no público a convicção de que Moreira Franco e não Leonel Brizola ganharia a eleição.

Da contenção dos resultados da capital, a Proconsult passaria para a inversão pura e simples dos mapas eleitorais, em favor de Moreira Franco, na proporção que o público fosse "trabalhado sub-repticiamente" pela Rede Globo a acreditar que o candidato do PDS, que já fazia declarações nas emissoras de rádio e televisão na qualidade de virtual governador, tinha sido mesmo o vitorioso.

As denúncias de Brizola, que logo chegaram à opinião pública nacional, acabaram provocando grande impacto popular, com reações nas ruas do Rio contra os veículos das Organizações Globo, que não incluíam somente a televisão, mas o jornal O Globo e a Rádio Globo.

Pressionada por aquilo que ameaçava se transformar numa rebelião popular de proporção nacional contra a Globo, a emissora não teve outra saída senão conceder espaço a Brizola para fazer a denúncia e abortar a conspiração contra as urnas, em plena cidade do Rio de Janeiro. E isto foi feito no horário das 22 horas daquele dia 18 de novembro de 1982.

Ali mesmo Leonel Brizola assegurou a verdade eleitoral. Logo depois de sua entrevista, à tarde, aos correspondentes estrangeiros, a Globo passou a admitir que Brizola encaminhava-se para chegar à frente dos votos e não mais Moreira Franco, como a emissora vinha insinuando, desde o início da apuração, e que tentou esconder, juntamente com o SNI.

Até à noite de 18 de novembro, os resultados chocavam-se violentamente com os da Rádio Jornal do Brasil, que projetara a vitória de Brizola sobre Moreira Franco, com mais de 100 mil votos de vantagem, logo após o término da votação em 15 de novembro.

A fala de Brizola na Rede Globo teve um efeito tão fulminante que a emissora se viu obrigada a suspender, no dia seguinte, 19 de novembro de 1982, toda a programação eleitoral, que incluía inserções de hora em hora sobre a marcha da apuração, a partir de um grande aparato em que havia até computadores dentro do estúdio para manuseio dos apresentadores, uma novidade incrível para a época. Os resultados eleitorais passaram então a ser divulgados, agora com correção, dentro dos telejornais.

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28/11/08

As urnas eletrônicas e a zerézima

Davi Castiel Menda

"Se você acredita que a tecnologia pode resolver seus problemas de segurança, então você não conhece os problemas e nem a tecnologia." - Bruce Schneier

O Titanic, em sua viagem inaugural, ao zarpar de seu porto de origem, ostentava o título de insubmergível, e era tanta a autoconfiança do engenho humano, que os jornais da época afirmaram que "Nem Deus poderia afundar esse navio". Bill Gates, o papa da informática, em 1981, nos brindou com a pérola "640 kb de memória é mais do que suficiente para qualquer um". Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943: "Penso que há talvez no mundo um mercado para cinco computadores". Mas a campeã das afirmações estapafúrdias deva ser creditada a Charles Duell, Diretor do Departamento de Patentes dos Estados Unidos, em 1899: "Tudo que podia ser inventado, já o foi", propondo inclusive o fechamento dos escritórios que dirigia. Pelos exemplos, concluímos, já no início do artigo, de que afirmações exageradamente desmedidas tendem, com o passar do tempo, a mostrar-se equivocadas, quando não beirando ao ridículo.

Implantada no Brasil em 1996, a votação eletrônica, segundo o TSE, baniu de vez a possibilidade de fraude eleitoral, com a afirmação dogmática de que o sistema é seguro, indevassável. Entretanto, estas condições até hoje são questionadas por estudiosos, programadores, os próprios partidos, e porque não, por boa parcela da população brasileira.

Alguns defensores das urnas eletrônicas, na ânsia de afirmar que o sistema é infalível, declaram com ares de ufanismo simplório que o Brasil, ao comercializá-las para outros países, está exportando democracia(!), embaralhando comércio e tecnologia com patriotada. Paulo Gustavo Sampaio Andrade, editor do site Jus Navigandi, traduz de forma muito simples e direta a opinião de quem põe em dúvida a assertiva governamental: "Se o sistema eletrônico eleitoral é imune a fraudes, considerada uma suposta perfeição técnica e a natureza biológica das pessoas envolvidas" - compara ele - "o sistema financeiro já teria adotado o projeto e contratado as pessoas que criaram e utilizam o sistema eleitoral eletrônico para pôr fim aos inúmeros golpes existentes, por exemplo, nos caixas eletrônicos e nos bancos via internet".

A desconfiança baseia-se em dois pontos cruciais. O primeiro, é saber se realmente o voto digitado a um determinado candidato é efetivamente computado e creditado a ele. O segundo questionamento é a probabilidade de violação da identidade do eleitor, a exemplo do acontecido em recente episódio no Senado, quando determinado grupo teve acesso a quem votou em quem.

O Eng. Amílcar Bruzano Filho, um especialista na área, compara a urna eletrônica à "uma máquina de votar inauditável, uma verdadeira caixa preta da qual nenhum partido político, fiscal ou auditor externo ao TSE, jamais teve acesso para conferir sua integridade". E complementa Bruzano: "o que o TSE chama de auditoria é colocar alguém em frente à urna. Isso não é o processo de exame de um sistema, mas um artifício. Um show".

O povo em geral - onde eu me insiro - pouco acesso tem ao assunto, mas pesquisando, toma-se conhecimento de que existem dois Sistemas Operacionais vigentes: o VirtuOs (que pertence a uma empresa privada) e o Windows CE, com mais de seis mil programas e dois milhões de linhas de código, tornando muito difícil a sua análise, se é que estão disponíveis. Esta falta de transparência é que compromete o primeiro pilar de um legítimo processo eleitoral: a votação. Os outros dois são a apuração e a fiscalização. A fase de apuração nos remete às eleições de 1982 no Rio de Janeiro e a famigerada Operação Proconsult, nome da empresa encarregada de proceder à apuração e que teve como objetivo "virar" os resultados de uma eleição já ganha por Leonel Brizola sobre o candidato do Governo federal na época, Moreira Franco. A sistemática consistia em sonegar os resultados da capital (dois terços do eleitorado), onde Brizola alcançara 70% dos votos, e só divulgar uma média da apuração no interior do estado, onde Moreira era majoritário. Não fosse a pronta intervenção de Brizola, exigindo falar à nação pela Rede Globo - que insistia em divulgar a vitória de Franco - a história seria diferente. Quanto à fiscalização, é totalmente inócua - se é que existe - fautor que provoca a incredulidade no sistema.

Existem n maneiras possíveis de fraude na votação, o TSE tem a obrigação de conhecê-las e toda a comunidade digital espera que as coíba com sucesso, mas nada impede de enumerá-las: clonagem de urnas; engravidamento da urna, com mesários em conluio na ausência de fiscais; fraude na apuração, já que o boletim de urna impresso quando do encerramento da eleição nem sempre é entregue ao fiscal; possibilidade de fraude no programa implantado na urna; adulteração dos programas originais implantados nas urnas; e por último, o maldito vírus - e por trás dele os crackers - que tanto mal tem causado em todas as áreas de atuação onde o computador está presente.

Mas afinal, o que é zerézima, presente no título deste artigo? É o neologismo criado pelos técnicos do TSE para indicar que cada candidato, no início do processo eleitoral, tem na verdade zero votos. É a garantia de que todos partem realmente do zero. Lamentavelmente, não é garantia nenhuma, já que qualquer programador, mesmo principiante, sabe perfeitamente que é possível digitar algo, a impressora reproduzir este algo, mas armazenar "o que se quer" na memória do computador. É uma pena que toda a garantia que o TSE nos ofereça seja apenas a zerézima, ou seja, zerézima garantia. 

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O presente artigo foi publicado originalmente no jornal Zero Hora de Porto Alegre, em 24.09.2006, como Tema para debate, causando grande impacto entre os leitores; a maioria se posicionando a favor da tese do autor. No dia seguinte, a esperada resposta do TRE-RS, criticando o artigo e autor. Nos últimos dois anos, pipocaram novas denúncias sobre a tão apregoada infabilidade das urnas e fato que merece destaque: representantes de vários paises vieram ao Brasil conhecer nossas urnas, e NENHUM a adotou…

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Zerézima ou zerésima?

Davi Castiel Menda

Ao escrever pela primeira vez essa palavra no meu artigo sobre as urnas eletrônicas, confesso que fiquei em dúvida: letra esse ou letra zê? O Aurélio seria o lugar mais indicado mas, por ser uma palavra nova, não constava nem uma, nem outra: permaneci na dúvida.

Evidentemente que meu Dictionnaire des racines des langues européennes não foi de muito proveito, pois imagino que na idade da pedra as eleições eram decididas na base do grunhido e da clava; os trogloditas da época (pois hoje continuam existindo) desconheciam inclusive o zero, o que dirá zeréz(s)ima!

Procurei usar da analogia, e as duas primeiras palavras que me vieram à mente foram enésimo (afinal, a minha área de atuação é matemática) e enzima (que nada tem a ver com o assunto). Estava ganhando a letra esse mas, por mais que eu insistisse, o Word98 do meu computador recusava-se terminantemente a aceitar zerésima com essa letra. A consulta seguinte foi ao Google: ganhou zerésima com 589 citações e zerézima estava lá com 381 (inclusive com texto do TRE paulista e de outros TREs brasileiros). No momento atual, a zerézima do meu artigo encabeça a lista de citações, no Google, da grafia com zê.

Pensando bem, meu tempo de colégio já passou, não estou prestando exame de português, e zerézima com zê me pareceu ser mais forte e muito mais chamativo que zerésima com esse. Até prova em contrário, fico com zerézima!

criado por projetosnumericos    5:49 — Arquivado em: Política

22/9/08

Adoro Horário Político

Davi Castiel Menda

Não gosto de televisão. Não da invenção em si, que é realmente sensacional, mas da programação. Acho péssima. Claro que há as exceções: bons filmes, documentários com assuntos palpitantes, concertos sensacionais, a exemplo do transmitido sábado último pela Rede Vida, com o vibrante diretor de orquestra e violinista holandês André Rieu (lamentável que o evento não tivesse sido divulgado suficientemente – claro que, se as pessoas tivessem tomado conhecimento, deixariam de assistir a novela da Globo A Favorita e mudariam imediatamente de canal). Afora esses, para mim, há um programa imperdível: o Horário Político.

Faça chuva, faça sol, estando ocupado ou não, mesmo tendo um compromisso inadiável com a Adriane Galisteu, é uma programação que faço a mais absoluta questão de assistir, principalmente no turno dos vereadores. É quando eu sinto no ar toda a vibração, todo o patriotismo, toda a vontade daqueles futuros edis de ajudar o Brasil, de colaborar com o povo na solução de seus problemas. Cheira-se civilidade no ar. Como é bonito! É nessas horas que acredito na humanidade e que o Brasil não está perdido.

O ar fica impregnado de democracia com aquela competição aberta e saudável, de candidatos e candidatas irmanados num único propósito: bem servir aos munícipes. Fico emocionado com o desprendimento de todo aquele pessoal, que promete dar tudo de si se eleito, na ânsia de resolver os problemas de saúde, de segurança, de escola, de creche, de aposentadoria, de condução. Chego a chorar de felicidade, pois finalmente, nos próximos quatro anos, todos os nossos problemas estarão resolvidos. (Deixo de citar os financeiros, que serão solucionados com os dividendos do pré-sal, equitativamente distribuído entre o povo).

O Tribunal Eleitoral, mais uma vez nos contempla com o título de patrão. É um exagero. Nós é que devemos agradecer por ter o Brasil tantos candidatos responsáveis, capazes e conscientes do seu dever cívico. Não é fácil se comprometer com tantos propósitos e só ganhar R$ 8.561,00 de salário por mês como vereador em Porto Alegre. É menos que um salário mínimo por dia…

Mas uma dúvida me atormenta e me preocupa: são 504 candidatos à vereança da capital gaúcha e somente 36 deles serão eleitos. Quatrocentos e sessenta e oito ficarão de fora, pessoas que poderiam estar colaborando com a nossa grandeza, com a nossa pujança.

Sugiro a eles que, um dia após conhecido o resultado do pleito, façam um mutirão, formem um bloco compacto e se dirijam ao Tribunal Eleitoral; peçam – peçam não, exijam - uma vaga para qualquer cargo. Claro - sem remuneração, pois não há verba orçamentária prevista para tanta gente. Isso é de somenos importância para quem quer ajudar e colaborar.

Essas 468 vozes não podem ficar de fora do processo. Tenho certeza que eles querem cooperar – graciosamente – e deixá-los de fora da máquina governamental fatalmente criaria um trauma de difícil solução. Eles, com seu ilimitado saber, são insubstituíveis formadores de opinião. Deixem esse pessoal ajudar. Dêem tarefas a eles. Eles fazem questão de trabalhar. Mas de graça, não esqueçam…

Eu e os eleitores, comovidos, agradecem.

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24/8/08

Osama bin Laden para Presidente?

Davi Castiel Menda

Ninguém tem culpa do nome que carrega. Se alguma culpa cabe por um nome estapafúrdio, muitas vezes homenageando alguma doença ou até nome de remédio, credite-se essa aos pais da criança ou ao despreparo do oficial que a registrou. Tenho uma coleção de nomes próprios que são verdadeiras preciosidades e que mostram a (in)capacidade e inventividade de certos pais (e a passividade e tolerância de certos oficiais do registro civil) ao escolher o nome de seu filho, esquecendo que esse terá de carregá-lo para o todo e sempre. Falam mal (em tom de blague) dos nossos irmãos portugueses, mas eles, nesse aspecto, nos dão uma lição: em Portugal ninguém consegue registrar uma criança com um nome que poderá envergonhá-lo mais tarde, ou com erros, ou mal grafados. Dúvida de algum nome para o tabelião? Consulta-se um determinado órgão e alguns dias após vem a resposta. Sendo negativa, passa a fazer parte de um index (banco de dados), e a partir daí aquele nome está condenado. Boa idéia para o nosso Ministro da Desburocratização (ainda existe?).

Mas nosso tema é a eleição nos Estados Unidos e aparentemente estávamos nos desviando do assunto. Quando surgiu nos noticiários o nome do democrata Barack Obama para presidente, poucos no Brasil o conheciam. À medida que a mídia começou a endeusá-lo, quando da luta pela indicação contra Miss Clinton, as críticas dos adversários surgiram a galope. A principal delas: Obama seria muçulmano, como se crime fosse ser muçulmano (crime é, sim, utilizar da religião como pretexto para atos terroristas).

Ultrapassado o obstáculo Hillary Clinton, um setor (comprometido?) da imprensa já dava como certa a vitória de Obama contra John McCain, usando o argumento de que esse conquistara as minorias e, a elegante mulher de Obama, nas fotos, já posava de primeira-dama. E eu, aqui em Gravataí, ligeiramente afastado de Washington, centro de toda essa atividade, ficava me questionando se a maioria branca não seria superior ao somatório das minorias; se o fato de Obama ser negro não pesaria contra sua candidatura; se a acusação de ser muçulmano, e ter sido fotografado como tal, não seria um fator preponderante – negativamente - e de forte influência na hora da escolha pelo eleitorado; e, finalmente, se a descoberta de um meio irmão vivendo em estado de penúria não seria explorado até as últimas conseqüências.

Consultando os diversos sites de apostas, um excelente indicativo pois esse pessoal não se engana tão facilmente, fiquei realmente surpreendido ao constatar que o candidato republicano John McCain estava pagando três por um em caso de vitória. Considerando-se que são apenas dois candidatos (as chances percentuais dos cinqüenta e tantos demais candidatos folclóricos que sempre aparecem são muito próximas de zero), este rateio era despropositado. Após a última pesquisa, a cotação de John McCain baixara para 2,75 por um.

E eis que surge um fato novo. Foi escolhido o nome do candidato a vice-presidente, que fará parte da chapa de Obama: Joseph Biden que, pela sua biografia, trata-se de pessoa de bem, político tradicional, pesando  contra si, pelo menos por enquanto, o fato de ser famoso pelas suas "mancadas" e sofrer de verborragia.

 

Agora, a razão do primeiro parágrafo: ninguém é culpado pela escolha do seu nome próprio mas, gerar uma situação, uma conjunção de nomes que lembra instantaneamente o nome Osama bin Laden – o maior inimigo declarado dos Estados Unidos, odiado por 99 entre cada cem americanos é de uma insensibilidade preocupante. É impossível não associar o somatório dos nomes democratas, presidente + vice, ao mais procurado terrorista internacional da atualidade. Será que a equipe de Obama não pesou essa situação? Que Obama mais Biden lembra Osama bin Laden? Já imaginaram um comício em Los Angeles? Obama + Biden + LA? É de se conjeturar que  o pessoal do Obama está  “desafiando os astros” e empinando o nariz antes da hora.

Barack Obama pode até ganhar – pessoalmente acho complicado e difícil – e, se perder, podem creditar parcela da culpa a quem escolheu Joseph Biden (nada contra a pessoa) para vice.

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26/1/07

O sagrado direito de opinião

Davi Castiel Menda

"O Tribunal Superior Eleitoral confirmou, nesta segunda-feira, a ocorrência de uma falha em um lote de urnas eletrônicas utilizadas nas últimas eleições para governador de Alagoas. Denunciado pelo candidato derrotado, deputado João Lyra, do PTB, o problema, no entanto, não teria influenciado no resultado final. Segundo a assessoria do Tribunal, algumas urnas mais antigas não eram compatíveis com o programa adotado nas ultimas eleições. Isso acarretou erros na impressão do relatório que é entregue aos partidos".

Em 24.09.2006, o jornal Zero Hora publicou em destaque (Tema para debate), matéria posteriormente divulgada neste blog, sob o título As urnas eletrônicas e a zerézima, que vislumbrava a possibilidade das urnas eletrônicas serem fraudadas. O que me influenciou a externar essa opinião foi a insistência do TSE, avocando a todos brasileiros de patrão em suas propagandas televisivas, o que me daria, em princípio, certas regalias e direitos. Aliás, pensando bem, esta condição me deixou em estado de dúvida até os dias de hoje: se o vocábulo patrão estava sendo usado como se todos nós fôssemos (segundo o Aurélio) chefes de escritório, de uma repartição (no caso o próprio Tribunal Superior Eleitoral); se das Câmaras (alta, dos senadores ou baixa, dos deputados); tratamento simplesmente carinhoso e afetuosamente irônico ou retórica pura dos descompromissados marqueteiros.

Dois dias depois, Zero Hora divulgou diversas mensagens de leitores - em resposta ao debate proposto - favoráveis (a maioria) e desfavoráveis às opiniões emitidas no artigo, afinal vivemos numa democracia.

Em 28.09.2006, o mesmo jornal publicou escrito de autoria do Secretário de Tecnologia da Informação do TRE/RS, em resposta ao nosso artigo do dia 24, sob o título Zerésimas de conhecimento, tentando de todas as formas desqualificá-lo.

 Em 01.10.2006, o jornal O Sul editou em suas páginas - caderno colunistas - matéria do insigne desembargador aposentado Ilton Carlos Dellandréa sob o título A urna eletrônica é confiável?, que pode ser lida neste blog, também se posicionando ao lado da tese exposta em As urnas eletrônicas e a zerézima, ou seja, admitindo a possibilidade de ocorrência de fraude neste tipo de votação. Cumpre ressaltar que o desembargador Dellandréa exerceu o cargo de juiz eleitoral em Irai, Espumoso, Novo Hamburgo e Porto Alegre, e foi taxativo ao afirmar (Zero Hora, 26.09.2006) que a "urna eletrônica a ser usada nas próximas eleições é fraudável e torna possível a identificação dos votos dos eleitores". E mais, "que a inexpugnabilidade é um tabu que o TSE tenta impingir à sociedade brasileira".

A Rádio Guaíba, em seu noticiário do dia 22.01.2007, às 22.00 horas, divulgou a seguinte matéria: "O Tribunal Superior Eleitoral confirmou, nesta segunda-feira, a ocorrência de uma falha em um lote de urnas eletrônicas utilizadas nas últimas eleições para governador de Alagoas. Denunciado pelo candidato derrotado, deputado João Lyra, do PTB, o problema, no entanto, não teria influenciado no resultado final. Segundo a assessoria do Tribunal, algumas urnas mais antigas não eram compatíveis com o programa adotado nas ultimas eleições. Isso acarretou erros na impressão do relatório que é entregue aos partidos".

Nada como um dia depois do outro.

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Posfácio: Zerézima ou zerésima?

Ao escrever pela primeira vez essa palavra no meu artigo sobre as urnas eletrônicas, confesso que fiquei em dúvida: letra esse ou letra zê? O Aurélio seria o lugar mais indicado mas, por ser uma palavra nova, não constava nem uma, nem outra: permaneci na dúvida.

 Evidentemente que meu Dictionnaire des racines des langues européennes não foi de muito proveito, pois imagino que na idade da pedra as eleições eram decididas na base do grunhido e da clava; os trogloditas da época (pois hoje continuam existindo) desconheciam inclusive o zero, o que dirá zeréz(s)ima!

 Procurei usar da analogia, e as duas primeiras palavras que me vieram à mente foram enésimo (afinal, a minha área de atuação é matemática) e enzima (que nada tem a ver com o assunto). Estava ganhando a letra esse mas, por mais que eu insistisse, o Word98 do meu computador recusava-se terminantemente a aceitar zerésima com essa letra. A consulta seguinte foi ao Google: ganhou zerésima com 589 citações e zerézima estava lá com 381 (inclusive com texto do TRE paulista e de outros TREs brasileiros). No  momento atual, a  zerézima do meu artigo encabeça a lista de citações, no Google, da grafia com zê.

Pensando bem, meu tempo de colégio já passou, não estou prestando exame de português, e zerézima com zê me pareceu ser mais forte e muito mais chamativo que zerésima com esse. Até prova em contrário, fico com zerézima!

E se permitem me repetir, nada como um dia depois do outro.

criado por projetosnumericos    5:05 — Arquivado em: Opinião, Política

16/10/06

Cem por cento – computadores e paradoxos

Davi Castiel Menda

"Ninguém faz o mal voluntariamente, mas por ignorância, pois a sabedoria e a virtude são inseparáveis". Paradoxo socrático.

Os leitores que me perdoem. Não é a eles que me dirijo, mas é um dado estatístico comprovado: 80% dos brasileiros - 136 milhões de almas - não sabem as quatro operações fundamentais. E pior, são conhecedores do fato. No entanto, eis a insensatez: toda esta multidão – os 80%, e mais os 20% (onde você provavelmente deva estar incluído) que sabem somar, subtrair, multiplicar e dividir - é perita, com pós-graduação, Phd e menção honrosa, em probabilidades, chances aritméticas, estatísticas, previsão do tempo, flutuação cambial, pesquisas eleitorais e afins.

A todo instante somos bombardeados com percentuais probabilísticos, muitos deles afirmando a possibilidade da ocorrência de certo evento ser igual a cem por cento, programas de computador que não erram, máquinas infalíveis, compras seguras pela Internet, direcionando-nos a uma rigidez que impede que qualquer outra possibilidade fique de forma - irretorquível - descartada. E todos nós sabemos, por experiência de vida, que isto é uma falácia.

O transporte mais seguro que existe, a aviação comercial, não está isento de acontecimentos calamitosos – as estatísticas confirmam que 99,9999% das viagens são bem sucedidas. Por mais noves que acrescentemos à direita – aproximando-nos infinitesimalmente dos 100%, jamais ressuscitaremos as milhares de pessoas que já pereceram em acidentes aéreos.

É quase impossível aviões chocarem-se no ar. A revista Veja informou que a chance do acidente envolvendo o avião da Gol com o Legacy seria de uma em duzentos milhões (para que esse valor seja considerado exato, o seu autor deveria ter a informação privilegiada de que até hoje ocorreram 3,2 bilhões de vôos comerciais, sabendo-se que foram registradas 16 ocorrências semelhantes). E mesmo que fosse uma em um trilhão, não justificaria a tragédia perante os amigos e parentes das vítimas: 99,9999995% continuam não sendo 100%!

Você, que acompanha o Campeonato Nacional, poderia tentar impugnar este corolário com a seguinte afirmação: e se um clube está oito pontos à frente do segundo colocado, e faltam somente duas partidas – não se pode declarar, com 100% de certeza – que o líder já é de fato campeão, pois apenas seis pontos estão em jogo? E eu lhe respondo com outra pergunta (característica semítica): você lembra do ocorrido no ano passado, quando uma penada interferiu no final do campeonato?

Empiricamente divagando, até a afirmação de que a única coisa certa que existe é a morte pode ser questionada à luz da matemática e das probabilidades. Segundo William Feller, a proporção de homens que atingem mil anos de vida é da ordem de grandeza de um para um número com 10 na potência 27 bilhões de zeros. Essa afirmação não faz sentido algum no ponto de vista biológico ou sociológico, mas considerada exclusivamente pelo ponto de vista estatístico, ela certamente não contradiz experiência alguma. Obviamente, probabilidades tão diminutas são compatíveis com a nossa noção de impossibilidade. E, se encararmos o assunto sob o ponto de vista religioso, muitas doutrinas pregam a ressurreição corporal, e a morte, da forma que conhecemos, seria efêmera dentro do conceito de tempo divino.

Sempre que leio ou ouço que computadores e os programas que lhes servem são isentos de erros ou falhas – 100% inexpugnáveis – acesso o Explorer da minha memória, busco a pasta Literatura, percorro as centenas (ou serão milhares?) de contos que li na minha vida e lá encontro o que me interessa: A chave-inglesa, escrito em 1951 por Gordon Dickson.

A história passa-se no planeta Vênus, e as únicas duas pessoas que lá se encontram, numa estação meteorológica, dependem de uma máquina para todo o trabalho. Relembro - como se estivesse lendo neste instante - palavra por palavra do operador desta máquina, sobre a sua infalibilidade: “Agora, preste atenção: a certeza que eu tenho não é de apenas noventa e nove vírgula nove, nove, nove, nove por cento. É de cem por cento”.

Seu colega, recém chegado ao planeta, mesmo sabedor que ambos dependem da máquina, inclusive para sobreviver, resolve testá-la, criando um paradoxo - uma dupla implicação entre uma proposição e sua negação - para que esta resolvesse: “você tem que rejeitar todas as afirmações que agora estou fazendo, porque todas as afirmações que eu faço estão erradas”, tornando assim inoperantes todos seus circuitos, na tentativa de atender àquela contradição insolúvel. Uma única pergunta derrubou os teóricos 100% para um zero absoluto, com resultados previsivelmente desastrosos.

O autor, no seu texto, cita o Paradoxo de Epimênides, quando provavelmente – quem sou eu para contradizer Gordon Dickson? – gostaria de ter dito o Paradoxo de Eubúlides de Mileto, o favorito dos matemáticos, que vem a ser algo parecido com a seguinte afirmação: “Todo homem é mentiroso”.

Como é que você vai saber se a afirmação é verdadeira ou falsa, uma vez que eu também sou homem e, no caso de ser verdadeira, só posso estar mentindo. Então, se nem todo homem é mentiroso, a afirmação é falsa, ou seja, é uma afirmação mentirosa. Se for falsa, é verdadeira e, se for verdadeira, é falsa, e assim por diante.

Considerando os exemplos dados, reais ou ficcionais, como pode alguém afirmar que uma máquina, qualquer que seja, é infalível? Máquinas e computadores foram criados e programados por seres humanos, reconhecidamente finitos na sua capacidade. Como a criatura poderá ser rotulada de melhor que o criador? Não se trata de uma questão de competência ou até de honestidade, e sim - parafraseando o paradoxo socrático - por ignorância mesmo.

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13/10/06

Numerologia Política

Davi Castiel Menda

O 2o. turno será realizado em 29.10.06 - correto? E existem dois candidatos.

O primeiro é do partido 45: e quanto é 29 + 10 + 6 ? 45

O segundo é do partido 13: e quanto é 29 - 10 - 6 ? 13

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De que irei me ocupar no céu, durante toda a Eternidade, se não me derem uma infinidade de problemas de Matemática para resolver?
(Augustin Louis Cauchy) 

criado por projetosnumericos    13:35 — Arquivado em: Humor, Política

País medroso

Autor desconhecido
 
E deu segundo turno. Alegria por isso? Não. Sinceramente, não. 
Hoje ficou provado que 50% do meu país aprova a corrupção, aprova tudo que  foi escandalosamente feito no Palácio do Planalto, aprova um candidato que,  no mínimo, foi omisso. 

Hoje, 50% do meu país deu o aval para que quem conseguir ser eleito roube dos cofres públicos, compre parlamentares e ambulâncias super-faturadas,  compre aviões com dinheiro que daria para construir um montão de escolas, que passe 90% do seu mandato em hotéis de luxo e conhecendo os países mais  ricos do globo, enquanto, os que nele votaram passam fome e às vezes não tem  nem água para beber. 

Hoje, 50% do meu país comprado, medroso e sem rumo deu aval para o enriquecimento ilícito do filho do Presidente, deu aval para que este  continue fazendo festas a beira da piscina com o seu dinheiro. 50% desse país medroso e covarde, deu aval para que as coisas continuem como estão. 

O "eu não sabia" agora é válido como defesa, claro que sim, 50% do meu país diz que isso é válido e não poderemos mais reclamar quando alguém nos apontar uma arma e depois do disparo disser que "não sabia que estava carregada". 
Ficou provado que 50% do meu país é medroso e se vende por ninharias quando devia lutar por uma vida melhor. Ficou sim provado que 50% do meu país acha melhor que se tenha 20 latas de leite doadas do que emprego e dignidade para poder comprá-las com o próprio suor, que é mais fácil esperar do que fazer. 

Hoje, 50% do meu país achou que é melhor continuar o que não deu certo e não me venham alguns dos que o apóiam dizer que deu, pois não deu. Durante 20 anos esse Senhor pediu uma chance e quando conseguiu simplesmente não atacou o que mais prometeu atacar que era a corrupção, ao contrário, o que se viu  foi dinheiro saindo pelo ladrão (sem trocadilhos), o dinheiro dos impostos sim, esses que fazem de você refém do "Bolsa Família", que não permitem a criação de emprego, que afugentam empresas e que não deixam o Brasil crescer.

Hoje, 50% do meu país deu aval para que o dinheiro que serviria para  construir creches, escolas, estradas, ferrovias, pontes, gerar emprego e essas "pequenas coisas" que nos fariam ter um presente e futuro melhor seja usado para encher cuecas, compra de votos de Deputados, compra de dossiês,  propina nos correios, compra de aviões de luxo, festas a beira da piscina,  "arraiá" de festa junina, publicidade acima do permitido por lei, sete
toneladas de açúcar, duas toneladas e meia de arroz, duas toneladas de café, 400 latas de azeitonas, 500 quilos de bombons, 800 latas de castanha de caju, seis mil barras de chocolate, duas mil latas de cerveja, 610 garrafas de vinho, 50 garrafas de licor, uma tonelada e meia de banana, uma tonelada de caqui, 2400 abacaxis, 495 litros de suco de uva, duas mil dúzias de ovos,  etc, etc, etc… 

Hoje, 50% do meu país medroso, vendido e sem rumo tentou me dizer que tudo  que aprendi está errado e que o Lula está certo.

criado por projetosnumericos    9:35 — Arquivado em: Opinião, Política

11/10/06

Yeda Crusius x Olívio Dutra – 2o. Round

Davi Castiel Menda

Não poderia deixar de manifestar minha projeção sobre a escolha do governador aqui no estado, que será decidida em 2o. Turno. Levei em consideração que as eleições no Rio Grande tem uma peculiaridade: a ambivalência regional - o gaúcho ou é a favor, ou contra o PT, e esta situação já definitivamente arraigada e histórica tem peso preponderante numa análise que envolva somente dois candidatos, sendo um deles petista.

Num primeiro momento, a candidata Yeda arranca com praticamente 40% dos votos válidos (seus eleitores no 1o. Turno, acrescidos aos de Francisco Turra); Olívio com 28% (seus eleitores e mais os de Beto Grill). No somatório de ambos - 68% dos votos – Olívio concede um handicap de 12 pontos percentuais a Yeda – imutáveis; serão incomuns os votos cambiados deste eleitorado aparentemente fiel, e esta boa margem pró-Yeda deixa o candidato do PT em situação desconfortável.

Atente que estão em jogo os votos de apenas 32% do eleitorado. Para que Olívio reverta esta vantagem, teria que conquistar pelo menos 69% dos que votaram em Rigotto, Collares, Robaina e os demais candidatos, o que convenhamos, é uma tarefa hercúlea (69% de 32% correspondem a 22,1%, que somados aos 28% garantidos de Olívio, totalizariam os 50% mais um, necessários para vencer a eleição). Outro fautor (toda vez que alguém resolve reeditar meus textos e aparece este termo, trocam por fator – é fautor mesmo!) complicador ao candidato petista: o PMDB, que representa praticamente 85% deste eleitorado a ser conquistado, estará apoiando Yeda.

Se não ocorrerem percalços no percurso, o que é pouco provável, pois se trata de uma disputa entre dois políticos politizados – desculpem a redundância, mas na conjuntura política nacional atual… - Yeda Crusius deve atingir 61,4% dos votos e Olívio Dutra 38,6%.

Não se trata de pesquisa, e muito menos indução ao voto de quem quer que seja!
É simplesmente a opinião pessoal de alguém que gosta de eleições e matemática, exercendo sua cidadania.

Memória de cálculo:

YEDA CRUSIUS
Candidato                   % - 1o. Turno         Pró Yeda          Total 2o. Turno
Yeda Crusius                    32,90 %               100,00 %              32,90 %
Germano Rigotto              27,12 %                 73,00 %              19,80 %
Francisco Turra                 6,66 %               100,00 %              6,66 %
Alceu Collares                    3,71 %                40,00 %               1,48 %
Roberto Robaina                1,11 %                20,00 %                0,22 %
Beto Grill                           0,59 %                 0,00 %                0,00 %
Demais candidatos              0,51 %               60,00 %                0,31 % 
                        TOTAL                                                       61,37 %

OLÍVIO DUTRA
Candidato                   % - 1o. Turno         Pró Olívio         Total 2o. Turno
Olívio Dutra                      27,39 %             100,00 %               27,39 %
Germano Rigotto              27,12 %               27,00 %                 7,32 %
Francisco Turra                 6,66 %                 0,00 %                 0,00 %
Alceu Collares                   3,71 %                 60,00 %               2,23 %
Roberto Robaina                1,11 %                80,00 %                0,89 %
Beto Grill                          0,59 %              100,00 %                 0,59 %
Demais candidatos             0,51 %                40,00 %                 0,21 %
                       TOTAL                                                       38,63 %

criado por projetosnumericos    15:03 — Arquivado em: Opinião, Política
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