Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

8/1/07

Mega Sena . 50 milhões

Davi Castiel Menda

Sempre que você aposta seu rico dinheirinho, ganho com o suor do seu rosto, você tem dois objetivos em mente: o primeiro, é vencer o sistema - ganhar; o segundo, ficar milionário (caso você ainda não seja). Mesmo que a sua aposta seja de valor ínfimo, que não influirá no seu orçamento doméstico, você está inserido nestas duas hipóteses. A diferença está no tipo de aposta que você faz.

Como exemplo, vamos usar aquele que gosta de raspadinhas (estamos nos referindo ao jogo, evidentemente). Aposta "inofensiva", muitas vezes custando uma moedinha de R$ 0,50 - que não faz falta a ninguém. Você compra, sonha que vai ganhar, raspa, e o sonho acabou… Sua esperança, seu sonho de abocanhar algum prêmio, durou pouco mais de cinco segundos. Na verdade, um sonho caríssimo, pois para mantê-lo aceso permanentemente, você precisará ficar adquirindo mais e mais raspadinhas, e aquela inocência apregoada inicialmente torna-se irrelevante. Outros jogos também se enquadram nesta situação.

Em contrapartida, ao apostar na mega sena, paradoxalmente - por ser o jogo mais difícil de acertar no país - o seu sonho de enriquecer tem um custo módico: na hipótese de você ter apostado na segunda-feira, dura até a quarta-feira, dia do sorteio. Apenas 1 real e cinqüenta centavos lhe garantem o prazer, a satisfação, a esperança de igualar-se em fortuna aos maiores milionários do país, por três dias.

É a relação custo/benefício mais em conta que existe, mesmo considerando a dificuldade de acerto. Vale neste momento lembrar a visão otimista dos cúmplices e solidários apostadores: mesmo apostando um único cartãozinho, você só tem duas possibilidades na Mega Sena - 50% de chances de acertar e 50% de chances de errar, já que as coisas acontecem ou não acontecem. Já a pessimista nos transporta a uma realidade sombria e lúgubre, a que a chance de acerto das seis dezenas é de 0,000002%, ou seja, uma em 50 milhões.

Só posso desejar muito boa sorte a quem tentar mais uma vez, como eu, ganhar a bolada que está acumulada para o sorteio de quarta-feira próxima, cujo prêmio deverá ser, coincidentemente, muito parecido  com as nossas chances: 50 milhões.

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19/12/06

Trinca de Reis

Davi Castiel Menda

Pois o Dr. Netinho é uma das figuras mais respeitadas na cidade onde mora. Não tem hora para trabalhar, mas quando o relógio marca 20 horas, ele se dirige religiosamente para o clube, a fim de jogar o seu poquerzinho com os outros luminares do lugar. O jogo, a tostões, vai sistemática até as 22 horas, quando então é processada a contabilidade e apurado o prejuízo ou lucro de cada um. Ouvi falar que, o recorde, numa noite, foi obtido pelo escrivão local, que ganhou R$ 8 reais - isso que conseguiu a façanha de fechar um Royal Straight Flush!

Mas em 1943, o Netinho (naquela época era estudante, ainda não era doutor) viera cursar a faculdade na capital, e morava numa pensão, como todo o estudante do interior, recebendo do pai o equivalente a dois salários mínimos para sobreviver.

Numa de suas andanças noturnas, descobriu, por acaso, que num dos mais tradicionais clubes da capital, se jogava pôquer, "esporte" que ele adorava. Aliás, pôquer pra gente grande, pois as apostas eram de meter medo. O Netinho ficou boquiaberto com a quantidade de fichas na mesa, e mais apavorado ainda ao ser informado que o cacife para entrar no jogo era o equivalente a dez salários mínimos.

Apesar de ainda jovem, era uma pessoa determinada, de personalidade forte, e quando cismava com alguma coisa… Prometeu a si mesmo que, algum dia, ainda entraria naquele jogo, custasse o que custasse. Da mesada que recebia, passou a economizar a metade. Privou-se de muita coisa, chegando inclusive a passar fome, mas depois de dez longos meses, completou o tão almejado valor para entrar no joguinho do tal clube.

Tomou um banho caprichadíssimo, colocou sua melhor roupa, contou e recontou o dinheiro e lá se foi em direção ao clube, com pinta de milionário, com o intuito de multiplicar o capital, juntado com tanto sacrifício.

Deu sorte, o jogo recém iniciara e havia somente uma vaga, justamente ao lado de um proeminente político. Distribuídas as cartas para a rodada inicial, o Netinho, não tendo nem um só parzinho, não foi na parada, jogando fora suas cartas. Permaneceram no jogo somente um senhor que fumava um charuto imenso e seu vizinho da direita - o político, lembram-se?

As apostas começaram a crescer rapidamente e, o Netinho, se deliciava só em admirar os dois contendores se digladiando além do prazer ser aceito por tão honoráveis e respeitáveis parceiros. Era o seu debut na sociedade. Repentinamente, o político se viu acuado pelo oponente, e era obrigado a pagar a parada ou perder tudo que já tinha apostado. Furtivamente, mostrou ao Netinho suas cartas - uma trinca de reis - e, sem o menor constrangimento, "pediu emprestado" todas as suas fichas para continuar no jogo.

O Netinho pego de surpresa, ficou encantado com tanta deferência, poder emprestar por alguns instantes - como alegara o político - suas fichas a tão eminente personalidade. Não é todos os dias que se tem este privilégio!

Apostas encerradas, o homem do charuto apresentou na mesa cinco cartas do mesmo naipe - flush - evidentemente ganhando da trinca de reis, do político. O Netinho viu se evaporarem suas fichas antes de jogar uma só parada, o que não deixa de ser um feito memorável?!

E, a bem da verdade, em 1977, trinta e quatro anos depois, quando o Dr. Netinho esteve em Brasília tratando de uma pendência jurídica, e em visita ao Congresso, conseguiu receber o "empréstimo", sem juros naturalmente!

___________________

Posfácio:
É claro que o enredo da historinha acima e todos os seus personagens são fictícios, do título ao ponto exclamativo final. Ela foi publicada pela primeira vez em setembro de 1997 no semanário 13 Pontos, e qual a minha surpresa ao receber um telefonema de um dos mais assíduos leitores, o Dr. Luiz (este não é fictício), que me confessou ter sido amigo do Dr. Netinho na sua juventude; sabia por alto da historinha esta do pôquer e ficara satisfeito em tomar conhecimento de detalhes que desconhecia. Não é fantástico? É indiscutivelmente o melhor elogio - para quem escreve - que se pode receber.

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11/12/06

Quebrar a Banca . Parte I

Davi Castiel Menda

"Os primeiros noventa por cento do tempo que você permanece no cassino, tomam noventa por cento do que você possui na carteira. Os últimos dez por cento do tempo tomam os cem por cento do limite do seu cartão de crédito."

O jogo de cassino mais conhecido, mais charmoso, e que oferece as melhores oportunidades de ganho aos apostadores é, indiscutivelmente, a roleta. A sua invenção é atribuída a um sacerdote francês, padre Roulet que, ao concebê-la, por volta de 1760, imaginou estar criando um jogo em que pudesse, posteriormente, obter lucro fácil. Enganou-se visceralmente; ele, juntamente com Madame Pompadour, transformaram-se nos maiores perdedores (e viciados) dos chiques salões franceses, os cassinos da época.

Curiosamente, por ter sido o seu criador um homem ligado à Igreja, a soma dos trinta e sete números da roleta - do zero ao trinta e seis - corresponde, na Numerologia, exatamente ao número que simboliza a besta, o diabo - 666.

O percentual de lucro da banca é de 2,7% a cada jogada - moderado se comparado ao das corridas de cavalos (5 a 12% nos Estados Unidos e de 25 a 55% no Brasil), às loterias exploradas pela Caixa (71%), e o clandestino, tradicional e imortal jogo do bicho (40 a 80% dependendo da região e do tipo de aposta).

A banca, na roleta, leva basicamente duas vantagens sobre o apostador: a primeira - é a sucessão rápida de jogadas, que transforma o inocente e teórico 2,7% num somatório que proporciona normalmente um lucro final em torno de 25% sobre o volume total de dinheiro apostado, o que dependendo da localização, projeção, nome do cassino ou estação do ano, pode representar alguns milhões de dólares a cada mês. A segunda - quando a bolinha se aloja no setor representado pelo zero. Neste caso, perdem todos que apostaram nos outros números e possibilidades, só faturando mesmo aqueles que depositaram suas fichas exclusivamente no zero.

"Se você entrar num cassino com esperanças de ganhar - você perderá; se pretender passar o tempo e só empatar - você perderá; se pretender perder mesmo, nem se fala…"

A expressão "quebrar a banca" foi concebida em Mônaco, no início do século XX, com o objetivo de atrair milionários ávidos por emoções fortes. Levando em conta que a freqüência ao Cassino de Monte Carlo não vinha correspondendo ao esperado em determinada temporada, a direção inovou: cada mesa de roleta disporia de um cacife altíssimo de fichas, não havendo reposição em caso de perda. Se porventura algum jogador mais arrojado e sortudo(!) conseguisse apoderar-se de todas essas fichas, "quebraria a banca" e, um pano preto - numa inequívoca simbologia funérea, de ruína, de pseudoderrota do Cassino - seria disposto sobre a mesa fatídica, para glória e júbilo do ganhador, além de transformar-se em assunto obrigatório nos elegantes salões em que se reunia a elite européia, em plena belle époque.

A idéia alcançou um sucesso estrondoso: os milionários afluíram em massa a Mônaco, na tentativa de "quebrar a banca", probabilidade, diga-se de passagem, remotíssima. Alguns conseguiram a proeza, na verdade mais retórica do que financeira; a pujança da família Grimaldi, cada vez mais firme e mais rica no comando do minúsculo principado é a prova cabal disto. Em contrapartida, àquela mesma época, o número de suicídios de milionários (leia-se ex-milionários) aumentou consideravelmente e, pressionados pelas autoridades francesas, os banqueiros tiveram que renunciar a genial (e enganosa) idéia, mas a expressão perdura até os nossos dias. Os intelectuais, daquele início de século, sem televisão para assistir à noite, discutiam aberta e acaloradamente nos cafés - quem teria cometido hybris: os suicidas ou os banqueiros?
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- continua -

criado por projetosnumericos    10:29 — Arquivado em: Destaques em 2006, Jogos & Loterias

Quebrar a Banca . Parte II

Davi Castiel Menda

 - continuação -

"Existe uma fórmula facílima de sair com uma pequena fortuna de um Cassino; basta entrar com uma grande fortuna."

 Uma das tentativas mais emocionantes de "quebrar a banca", a qual tive a felicidade de vivenciar, foi coletiva e inconsciente, e pelo inusitado, até os detalhes posso fornecer: 18 de fevereiro de 1963, no cassino de Rivera, cidade uruguaia fronteiriça com Santana do Livramento. O público era exatamente o oposto dos habitués famosos e endinheirados de Monte Carlo: uma mescla de turistas de classe média e moradores locais.

A noite chegara naquele limite invisível em que os ganhadores se preparavam para uma saída sorrateira, vitoriosa, com os lucros enrustidos e, os perdedores, procuravam por uma tábua de salvação, um último expediente para aquela situação aflitiva, que tanto poderia ser um número ganhador, ou até, quem sabe, um empréstimo com algum amigo magnânimo.

"Para conseguir um empréstimo com o gerente do Cassino, basta você provar que não precisa."

Muitos apostadores, cientes de que o zero era favorável à banca, invertiam a situação, nele apostando suas fichas, figuradamente aliando-se ao inimigo, aliás, um comportamento perfeitamente válido, ético e inteligente.

- "Zero" - anunciou um dos crupiês da mesa um - e apressou-se a pagar aqueles que haviam apostado suas fichas e esperanças no número fatídico, o número que não é par nem ímpar, não tem cor, não pertence a nenhuma coluna ou dúzia, e como asseveram alguns jogadores em devaneios lúgubres-poéticos, o número que não tem alma… Até aí nada demais; porém, instantes depois, lançada a bolinha e, apesar de existirem outros trinta e seis números no cilindro, esta insistiu em cair pela segunda vez consecutiva no mesmo local: zero!

O terror dos banqueiros é a repetição. Nenhum apostador conscientemente retira as fichas posicionadas num número que tenha originado lucro - pelo contrário, o costume é adicionar mais algumas - e a estas fichas acresçam-se as apostas de outros jogadores. Dois zeros seguidos, todavia, não eram necessariamente motivos de preocupação para um cassino que se preze e tal fato, na verdade, sempre é uma atração na monótona sucessão de números da roleta. Entretanto, sem que ninguém imaginasse, o drama, do ponto de vista da banca, começava a ser escrito.

Novo giro da bolinha de marfim; o suspense tomando conta de todos e o resultado, num misto contraditório de esperado e surpreendente: "Zero" - explodiu mais uma vez a voz do crupiê. "Zero" - gritaram os mais próximos da mesa provocando eco, e a algazarra, apesar do ambiente tradicionalmente sóbrio, foi generalizada. Fatídico momento para a banca - era, indiscutivelmente, o dia da caça! O terceiro zero!

"O momento em que dá o seu número de sorte na roleta, três vezes consecutivas, coincide com o momento exato em que você não tinha mais fichas para apostar. "

Os jogadores acotovelavam-se compactamente sobre o zero, causando, naquele momento e naquele lugar, a maior concentração demográfica por metro quadrado do planeta. A área destinada às apostas - no zero propriamente dito - estava totalmente encoberta por cascatas, montanhas de fichas que se acumulavam sobre o número - empregando um jargão turfístico - tríplice coroado. O crupiê responsável pelo arremesso da bolinha que deveria, pelo menos, tentar aparentar calma e neutralidade, parecia que a encarava e ao cilindro, mirando, calculando vetores, velocidade, tempo, peso e até mesmo a direção do vento, como se este fenômeno atmosférico fosse possível num cassino. A situação era insólita e as evidências daquela atitude fantasiosa apontavam para um objetivo básico: não acertar o zero! Mesmo a banca tendo trinta e seis números a seu favor e apenas o zero contra (numa inversão de valores por tudo o que foi dito até agora), "eles" estavam com medo! Aquele ar de nonchalance que cinge os crupiês - e que invejamos, pobres mortais que somos - tinha sumido como por encanto.

Roleta girando numa direção e a bolinha em sentido contrário, na sua trajetória inicialmente circular e transmudando-se numa espiral ao perder velocidade, mansamente, hipnotizando pela sua lentidão; et por cause, alojando-se novamente no zero, pela quarta vez consecutiva, num gesto de fidelidade absurda para os banqueiros, mas enlouquecidamente festejado pelos apostadores.

"Se você estiver ganhando num Cassino, não se preocupe. Isso passa."

Estávamos vivenciando uma situação invulgar, logrando um sucesso financeiro de dar inveja aos magnatas de Punta Del Este, Monte Carlo, Las Vegas, numa revanche sem precedentes por todos os reveses sofridos ao longo de anos e anos de derrotas. Os freqüentadores, os apostadores e inclusive os próprios crupiês (graças às gorjetas mais do que generosas), naquele instante, se sentiam irmanados, pouco se importando com lucros ou perdas - o que contava agora era o momento, um momento histórico, mágico e inédito, de transe, de orgasmo, de euforia incontida.

E por mais incrível que possa parecer, pela quinta vez consecutiva, a bolinha se aninhou mais uma vez no zero. O pagamento, pela quantidade de ganhadores, se prolongou por um bom quarto de hora, tarefa que normalmente é executada pelos crupiês em apenas um ou dois minutos.

Faço uma pausa para informar que, segundo o Guiness Book, o recorde de repetição na roleta pertence ao número sete, por seis vezes consecutivas. As probabilidades de uma sêxtupla repetição de um número qualquer? Trinta e sete na 5a. potência ou seja, uma chance em 69.343.957.

Felizmente para a banca, o fenômeno cessou por aí. Seria demais pedir pelo milagre de um sexto zero. Pelo menos naquela noite, aproximadamente trinta pessoas, ganhando (simbolicamente) verdadeiras fortunas, vingaram todos aqueles cúmplices e solidários apostadores do mundo inteiro, que quando se reúnem, visam um objetivo único: vencer o sistema, ganhar da banca! Desta vez deu certo, com requintes de perversidade: com o número "deles"…

criado por projetosnumericos    10:27 — Arquivado em: Destaques em 2006, Jogos & Loterias

25/11/06

Por uma graça alcançada

Davi Castiel Menda

Acho que um escritor pode ter suas simpatias e – por mais incrível que pareça – antipatias, como qualquer outro, por aquilo que escreve. Por extensão, e mais justificadamente ainda, os leitores têm as mesmas prerrogativas. Meu bom e dileto amigo Julio César Dreyer Pacheco tem uma preferência instigante pela historinha abaixo e, mesmo escrita há mais de 15 anos, até hoje, a cada vez que nos encontramos, faz questão de lembrá-la, positivamente. Deve ser boa…

Lá pela década de 60, era fato corriqueiro os jornais de Porto Alegre publicarem a fotografia de determinado sacerdote, sempre acompanhada de agradecimentos por uma graça alcançada. Aparentemente o Padre Reus – este o nome do milagreiro – era bom mesmo, visto que milhares e milhares de fotos suas foram estampadas ao longo dos anos, para alegria e gáudio dos proprietários de jornais.

Verdadeiras romarias, muitas vezes a pé, se deslocavam desde Porto Alegre e circunvizinhanças ao seu túmulo, localizado na cidade de São Leopoldo, o que não deixava de ser uma aventura, visto que a distância que separa as duas cidades é de aproximadamente 35 quilômetros.

Por um destes acasos do destino, morei durante um curto espaço de tempo - dois meses para ser mais preciso - exatamente em frente à Igreja que abriga o túmulo do Padre Reus. Abstraindo o fato de professar religião diversa, não poderia deixar de visitá-lo, sabedor de que tantos peregrinos se deslocavam quilômetros e quilômetros para formular ao santo homem um pedido, e eu ali a dois passos…

E no primeiro domingo disponível, lá estava eu, travestido de romeiro, percorrendo a suntuosa construção. Credos à parte, a exemplo das dezenas de pessoas que lá estavam, formulei o meu pedido, em voz baixa naturalmente: “Considerando que até hoje não consegui ganhar na Loteria Esportiva, mesmo tentando há muitos anos, caso eu acerte, construirei outra Igreja igualzinha a esta”.

Pedido feito, pedido atendido! Naquela tarde mesmo, pela primeira vez na minha vida, coincidência ou não, atingi os tão sonhados 13 pontos. Infelizmente, o prêmio foi rateado entre milhares de acertadores, possivelmente devotos de outros santos e santas espalhados por este nosso imenso país. Lamentavelmente, o lucro obtido não comportava comprar sequer um tosco banco, que dirá construir uma nova Igreja!

Mas não me dei por vencido; durante a semana, lá estávamos nós novamente dialogando, desta vez já com mais intimidade: “Padre Reus, o problema é o seguinte: fiz uma promessa, mas não poderei cumpri-la já que o prêmio foi baixíssimo. E colocando na ponta do lápis, cheguei a conclusão de que, mesmo acertando sozinho, seria inviável construir uma nova Igreja semelhante a esta. Portanto, desta vez vamos combinar os detalhes comedidamente: preciso ser o único acertador, e então mando erigir uma capelinha caprichada – lugar a escolher”.

E mais uma vez, pela segunda semana consecutiva, acertei os 13 pontos. Não foi também desta vez quer consegui atingir o status de milionário. O prêmio aumentara sensivelmente, mas não o suficiente para melhorar de vida, e muito menos construir a igrejinha prometida. Pelo menos, uma família pobre das redondezas foi agraciada com o que hoje chamamos de cesta básica.

Poucos dias depois, por motivos profissionais, mudei de cidade e não tive outra oportunidade de voltar ao túmulo e à Igreja. Porém, do jeito que as coisas andam, muito em breve precisarei ir a São Leopoldo e, desta vez, com uma proposta melhorada: “Padre Reus, meio a meio!”

criado por projetosnumericos    9:56 — Arquivado em: Destaques em 2006, Humor, Jogos & Loterias

18/10/06

Estatísticas Lotéricas e Prognósticos Matemáticos

 

Agora, dados estatísticos sobre a

* Mega Sena

* Quina

* Loto Fácil

* Lotomania

* Loteria Esportiva

* Loteria Federal

* Dupla Sena

* Campeonato Brasileiro, Campeonatos Regionais e Campeonato Espanhol de Futebol

 VISITE O BLOG

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criado por projetosnumericos    9:51 — Arquivado em: Jogos & Loterias

7/9/06

O Jogo e as Leis de Murphy

Criação, adaptação e compilação: Davi Castiel Menda

Bingo
Existe uma fórmula facílima de sair com uma pequena fortuna de um bingo; basta entrar com uma grande fortuna.

Ao perder os seus últimos centavos não considere como um fracasso completo - sempre poderá servir como exemplo negativo para o futuro.

O homem que consegue sorrir ao verificar que acabou de perder suas últimas economias no bingo, é porque viu alguém conhecido para fazer um vale.

Cassino
Os primeiros noventa por cento do tempo que você permanece no cassino, tomam noventa por cento do que você possui na carteira. Os últimos dez por cento do tempo, tomam os cem por cento do limite do seu cartão de crédito.

Se você entrar num cassino com esperanças de ganhar - você perderá; se pretender passar o tempo e só empatar - você perderá; se pretender perder mesmo - nem se fala…

O momento em que dá o seu número de sorte na roleta, três vezes seguido, coincide com o momento exato em que você não tinha mais fichas para apostar.

Para conseguir um empréstimo com o gerente do Cassino, basta você provar que não precisa.

Um objeto sempre cai do jeito que causa mais dano, incômodo ou prejuízo. Se você, no cassino, deixar escapar da mão a última fichinha, ela cairá exatamente na frente de um crupiê, que agradecerá em altos brados: "Profissionais - obrigado"!

Quando um grande matemático e jogador, autor de diversos ensaios e livros sobre como ganhar no cassino, admirado e respeitado mundialmente, parece mergulhado em profundos pensamentos em qual número apostar na roleta - é decepcionante - em geral ele estará pensando como irá pagar o hotel e o almoço do dia seguinte, já que perdeu todo o dinheiro que tinha.

Se você estiver ganhando, não se preocupe. Isso passa.

Loterias
A probabilidade de você ganhar um grande prêmio em dinheiro, está na razão inversa do quanto é desejada (ou pior ainda: necessitada).

Expectativas negativas produzem resultados negativos. Expectativas positivas produzem resultados negativos.

A possibilidade de você ganhar na Loteria aumenta ligeiramente se você comprar um bilhete.

Mega Sena - (visão pessimista)
A probabilidade aritmética de você acertar na mega sena é de uma em 50.063.860.

Mega Sena - (visão otimista)
Mesmo apostando um único cartãozinho, você só tem duas possibilidades na Mega Sena: 50% de chances de acertar e 50% de chances de errar, já que as coisas acontecem ou não acontecem.

Lei da Mega Sena acumulada
A probabilidade de ganhar é inversamente proporcional ao montante acumulado.

Pôquer no morro
Um 38 cano longo ganha de 4 ases.

Turfe - Lei chinesa
Cavalo ganha uma vez - sorte; cavalo ganha duas vezes - coincidência; cavalo ganha três vezes - aposte sempre neste cavalo.

Xadrez
O número de pessoas olhando o seu jogo é diretamente proporcional à estupidez de sua jogada.

Lei da Afirmação Monetária
Você não precisa apostar pensando em ficar rico, desde que possa viver com conforto e ter tudo que quiser.

Comprovação estatística para todo tipo de apostas

Tudo que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer…
Mas tudo que aconteceu duas vezes, certamente acontecerá uma terceira!

criado por projetosnumericos    10:14 — Arquivado em: Jogos & Loterias

Sena - Uma aposta na certa!

Davi Castiel Menda

Baseado em fatos reais.

A sorte existe! Muitos a encontram na magia do jogo. De qualquer forma, a esperança, o prazer, a sociabilidade durante a espera na fila de uma agência lotérica, insere o apostador na verdadeira confraria que durante aquele instante se estabelece, mesmo entre estranhos reunidos, que nem sequer se falam, mas todos cúmplices e solidários, com o mesmo objetivo: vencer o sistema - ganhar!
Por outro lado, a agência lotérica, a banca (no sentido legal da palavra), do projeto ao funcionamento, precisa ser, ao mesmo nível das mais sólidas instituições: de impecável honestidade. O menor deslize é fatal. Por mais contraditório que possa parecer, é no jogo que vale a palavra, o caráter, a credibilidade.
Apostadores com poderoso cacife financeiro de um lado, a Caixa do outro, e de entremeio uma Sena (aposta que posteriormente foi substituída pela Mega Sena) acumulada no valor de R$ 18 milhões: misture estes três fatores e estava criada uma das idéias mais admiráveis - e corajosas! - em matéria de apostas até hoje imaginadas, que poucos tomaram conhecimento, e que quase deu certo…
Eu, na condição de matemático, dava assessoria na lotérica a pessoas interessadas em desdobramentos por computador - isto em meados dos anos 90 - quando recebi um telefonema, um tanto misterioso. Meu interlocutor apresentou-se como empresário do interior do estado, mostrando-se interessado em apostar naquela Sena que vinha desafiando há semanas os apostadores. Pelo teor da conversa, aparentava ser um homem culto e inteligente, mas perdeu um pouco da credibilidade quando me questionou de quanto seria necessário para apostar todas as combinações. Por ser uma pergunta que seguidamente me faziam, já tinha uma resposta pré-pronta:
- Precisaríamos vender o Edifício Santa Cruz (o mais alto de Porto Alegre, situado na Rua da Praia, a mais central da capital gaúcha)! Caso o senhor não saiba, o valor desta aposta custaria pouco mais de R$ 12 milhões e duzentos mil!
Pode parecer um exagero, mas cheguei a sentir pelo telefone a indignação do outro lado da linha, e como que por telepatia, vi que meu interlocutor não estava brincando, e o que é pior (ou melhor?), ele já sabia do valor, e realmente estava disposto a apostar aquela quantia. Respondeu-me ele:
- Acompanhe meu raciocínio: a Sena vem acumulando praticamente R$ 2 milhões por semana. Neste ritmo, dentro de três semanas, atingirá R$ 24 milhões. Caso eu e meus sócios apostemos neste concurso, o valor pulará para R$ 27 milhões. Como estamos apostando todas as combinações, é certo que nossa aposta será vencedora. Na hipótese de ser somente a nossa aposta, a relação custo/benefício será fantástica: superior a 100% em uma semana. Mesmo que haja outro ganhador, ainda assim teremos um lucro de 10%, que considerado o valor em jogo e o tempo empregado, também é ótimo. E para arrematar: que eu saiba nunca aconteceu da Sena ter três ganhadores, e nós estamos dispostos a arriscar esta importância.
Atônito pela proposta, a primeira coisa que me veio à cabeça foi:
- Mas não pode ser em cheque! Tem que ser em dinheiro!
Posteriormente, trocamos alguns telefonemas, preparei o programa que desdobraria os quase 60.000 volantes - todos de 10 dezenas - que seriam necessários a cobrir a integralidade das combinações, contatei vários lotéricos que se encarregariam de passar a aposta na máquina, enfim, tudo pronto para a grande jogada.
A torcida foi imensa, mas na semana que se concretizaria a maior aposta - possivelmente do mundo - a Sena encontrou um acertador, que levou para casa R$ 22 milhões, sepultando a idéia.
Não cheguei a conhecer pessoalmente o apostador; mas por ter ele fornecido seu telefone e pela segurança com que conduziu a negociação, sei que não foi trote.
E antes que alguém se habilite novamente, no presente momento, pela premiação existente em quaisquer dos jogos da Caixa, esta idéia se tornou inexeqüível. Pena…

criado por projetosnumericos    10:08 — Arquivado em: Jogos & Loterias

16/3/06

Por favor, nos ajudem!

Davi Castiel Menda

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Prezado editor do Al-Karismi:


Lendo alguns artigos do seu blog, notei que a área de vocês é matemática, além de loterias, e por este motivo estou pedindo auxílio a vocês. Somos três irmãos. Todas as semanas nos cotizamos e fazemos um bolãozinho na mega sena. Na verdade, somos quatro irmãos, mas o mais novo não aposta, só quer saber de estudar (matemática ainda por cima - é o geniozinho da família),
No mês passado, após anos de tentativas mal-sucedidas, finalmente acertamos uma quina da mega sena, faturando exatamente R$ 7.100,00. Desculpe-me senhor editor, mas eu estou tão nervoso com a dúvida que nos atormenta - a mim e meus irmãos - que vou lembrando o problema aos poucos: esqueci de dizer-lhe que no nosso bolão, apostamos quantias diferentes - eu, por ser o mais abonado, sempre entro com a metade; outro dos irmãos joga um terço da aposta e o último entra somente com um nono - e o combinado, no caso de premiação, é dividir proporcionalmente ao que cada um jogou. No meu entendimento, o procedimento mais razoável e justo.
Continuando: dirigi-me a uma agência da Caixa para receber o prêmio, e quis o destino que o valor fosse pago unicamente em notas de R$ 100,00. Na hora da divisão, foi aquela briga:
- eu, por ter direito a metade, teria que receber R$ 3.550,00 - e só havia notas de R$ 100,00;
- o segundo irmão, cotista com 1/3, tinha direito a exatos R$ 2.366,66 - e só havia notas de R$ 100,00;
- e por fim, ao último, que entrara com 1/9, lhe caberia R$ 788,88 - e só havia notas de R$ 100,00.
É evidente que, se esperássemos até o dia seguinte, trocaríamos o dinheiro e eu não estaria lhe dando todo esse trabalho, mas nós queríamos concluir a divisão naquele dia, naquele momento, e qualquer proposta apresentada por um de nós era rechaçada incotinenti pelos outros dois.
Pois bem, foi nesse exato momento que o Malbinha (o nosso irmão mais novo, o matemático - aquele que não aposta) entrou em cena, propondo acrescentar ao nosso prêmio mais uma nota de R$ 100,00 - que ele pediu emprestado à mãe! Se nós concordássemos, o valor do prêmio passaria a ser de R$ 7.200,00, quantia que é divisível por dois, três e nove. Tudo bem, mesmo o Malbinha (e por tabela, a mãe) ficando no prejuízo, resolvemos aceitar a sua sugestão e o nomeamos na hora o responsável pela divisão. Voltando-se para mim, disse o Malbinha:
- Tinhas direito à metade - R$ 3.550,00; pelo valor atual estás agora recebendo R$ 3.600,00 e acredito que não tenhas nada a reclamar, já que saíste lucrando na divisão.
Ao segundo irmão:
- Tua participação no bolão foi de 1/3 e terias direito a pouco mais de dois mil e trezentos reais. Agora, com a nota que acrescentei, vais receber R$ 2.400,00, também tiveste lucro na transação, e espero que não reclames futuramente.
O terceiro irmão, sentindo que ia sobrar pra ele, já se preparava para reclamar, mas o Malbinha foi mais rápido:
- E a ti, que cabe a nona parte: terias direito a R$ 788.88 - mas vais embolsar pelo novo valor 1/9 de R$ 7.200,00, o que totaliza R$ 800,00 - só tens a agradecer pela minha idéia.
Todos nós ficamos satisfeitíssimos com a engenhosidade do nosso irmão caçula, contentando a todos, mas a grande surpresa estava por vir, pois o nosso irmão matemático encerrou desta forma:
- Bem, meus manos, concluído o rateio proporcional, e tendo todos lucrado, notem que a soma das parcelas por vocês recebida (R$ 3.600,00 + R$ 2.400,00 +  R$ 800,00) corresponde a exatos R$ 6.800,00. Restam ainda R$ 400,00 em caixa. Estou devolvendo os R$ 100,00 que a mãe me emprestou para "aumentar" o prêmio e, por ter contentado a todos vocês, estou embolsando a título de honorários os R$ 300,00 que sobraram!

Por favor senhor editor, peço-lhe mais uma vez encarecidamente que publique essa nossa carta, e torcemos desesperadamente para que alguém responda, informando como foi possível o Malbinha (o nosso irmão caçula, eu já devo ter dito antes), nos ter passado a perna, pois não suportamos mais aquele ar zombeteiro que ficou permanentemente estampado no seu rosto desde o dia da divisão.

Um leitor angustiado.
PS: e seus dois irmãos,

criado por projetosnumericos    17:45 — Arquivado em: Humor, Jogos & Loterias

8/3/06

Poupança sextilionária

Davi Castiel Menda

Uma boa parcela de conhecidos meus, apostadores bissextos em loterias, fica apavorada só de imaginar a possibilidade de ganhar um prêmio multibilionário. Alegam estes novos-pseudo-milionários que não saberiam como administrar uma imensa fortuna obtida inopinadamente, e que esta situação só atrapalharia seus planos, que normalmente obedecem a um padrão fixo e determinado no sonho de consumo de quase todos os apostadores: comprar uma nova casa, um carro novo, viajar, e pronto! Chega! Acho que, em parte, eles até tem razão…
A respeito deste tema: um amigo meu, nos anos 90, faturou uma quantia compensadora na Loteria Esportiva, e foi aconselhado pelo gerente de seu banco a aplicar o prêmio integralmente numa poupança, projetando a transformação daqueles milhares de reais em muitos milhões, em poucos anos.
Consultando-me sobre o conselho recebido, contei-lhe a historinha abaixo.

Certa pessoa, não tendo o que fazer num domingo à tarde, resolveu remexer num baú repleto de trastes, e encontrou uma caderneta de poupança, de propriedade de remotíssimo antepassado seu, contemporâneo de Jesus. Não era necessário ser um emérito historiador ou um Malba Tahan da vida para constatar que se tratava de uma poupança com idade beirando os dois mil anos. O valor aplicado correspondia a uma moedinha pesando um grama de ouro, a juros de 6% ao ano, no Banco Romano, situado em plena Via Ápia.
Procura daqui, procura de lá, descobriu que o tal Banco Romano resistira ao tempo e ainda estava em plena atividade. Contratou um advogado tributarista e pediu-lhe para dar andamento ao caso, ou seja, calcular o montante que teria direito - na condição de legítimo herdeiro - e posteriormente contatar o Banco para receber o que de direito.
Passados alguns dias, o advogado lhe telefonou para dar seu parecer:
- Senhor, a respeito daquela poupança, tenho duas notícias para lhe dar. A primeira: o senhor, em princípio, transformou-se na pessoa mais rica, não só da Terra, mas de toda a Via Láctea. Eu explico: tivemos que alimentar um super computador com os dados disponíveis, e este chegou à conclusão de que a aplicação daquela simples moedinha de um grama, iniciada nos primórdios da era cristã, a juros de 6% ao ano, dobrava seu valor a cada 12 anos aproximadamente - para ser mais preciso, este valor foi dobrando sucessivamente por 167 vezes. No presente momento, o seu crédito equivaleria ao seguinte: o número 1.871 seguido de 41 zeros (!) toneladas (!) de ouro! Contratamos um técnico especializado em  mineração, e este nos apresentou um relatório impressionante, mostrando e provando a inviabilidade do cumprimento deste pagamento, pois seria impossível extrair esta fantástica quantidade de ouro, mesmo que utilizadas todas as minas auríferas do planeta. Continuando, ele explicou o motivo: considerando-se que a Terra pesa 6.586.242.500.000.000.000.000 de toneladas, dividindo-se aquele primeiro número acima - o seu crédito atual (1.871 seguido de 41 zeros toneladas) - pelo peso da terra, vamos encontrar como quociente/resultado o valor de
28.407.600.000.000.000.000.000 (28,4 sextilhões) de globos maciços em ouro, cada um deles do tamanho da Terra. Esta seria a quantidade de ouro que o Banco teria que lhe pagar para que pudesse honrar o depósito do seu antepassado! Neste valor não estão incluidos meus honorários…
O novo sextilionário, ao receber aquela sucessão de notícias - que vocês hão de convir, deve provocar uma bela duma confusão mental, mesmo que momentânea -  ficou estático, lívido, a pressão subiu, baixou, mas ainda teve forças para, quase num sussurro, perguntar:
- E a outra notícia?
Resposta do advogado:
- Ocorre que a inflação, neste período de 2.000 anos, foi quatro vezes superior aos rendimentos. Portanto, o débito para com o Banco Romano, é aquele imenso número que lhe passei, multiplicado por três. E vou lhe avisando: um batalhão de oficiais de justiça já está no seu encalço, tentando cobrar a dívida!

Publicado no jornal O Fenal em outubro/2002 e no Semanário 13 Pontos em 04/agosto/1997

criado por projetosnumericos    0:24 — Arquivado em: Humor, Jogos & Loterias
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