Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

1/12/08

Acertei na Mega Sena

Davi Castiel Menda

Você já sentiu as emoções de acertar na Mega Sena? Nem que fosse pelo menos cinco das seis dezenas sorteadas? Saber que o sonho deixou de ser uma quimera e se transformou em realidade, e aqueles milhões de reais prometidos (ou milhares, no caso da quina) finalmente virão para o seu bolso?

Vamos iniciar bem a semana narrando um caso insólito e divertido, ocorrido em dois concursos simultâneos da Mega Sena, mais precisamente, os de números 308 e 309.

Pela estatística dessas extrações, pode-se afirmar com a mais absoluta certeza de que, em todos os concursos, milhares de brasileiros apostadores da Mega Sena jogam sem convicção, sem o pressentimento de uma mínima pontinha de palpite que seja. E eu explico: toda essa multidão entra numa agência lotérica e, pela mais absoluta falta de intuição, copia no volante em que pretende apostar exatamente as mesmas seis dezenas que foram sorteadas no concurso anterior.

Analisando o caso com mais profundidade, há três possibilidades de preenchimento dos volantes: a primeira, o apostador é soberano para marcar as dezenas que bem lhe aprove, principalmente as indefectíveis datas de aniversário dos pais, filhos, cônjuge, et cetera (a interpretação do et cetera fica a cargo e consciência de cada um). A segunda opção e escolha de boa parte dos jogadores, é entregar a responsabilidade do preenchimento à própria máquina, que a executa através de uma rotina de aleatoriedade, o que inconscientemente por parte do apostador é uma tentativa de auto-isenção do desacerto. A falta de sorte no caso da não ocorrência de prêmio, o que é o mais provável e que em estatística chamamos de erro constante ou sistemático, pela sua habitualidade, lá no âmago desses apostadores é de exclusiva responsabilidade do computador, afinal, não foi “ele” que escolheu as dezenas?! E, finalmente, a terceira e última, a opção objeto da nossa análise e tema do blog: a cópia fiel das dezenas sorteadas na extração anterior, o que é um ato de fé e de coragem pela esperança da ocorrência de um milagre, ou, apelando para a meteorologia, que um raio caia duas vezes no mesmo lugar - e na mesma semana!

Pois vamos relembrar as dezenas sorteadas no concurso 308 da Mega Sena: 04 – 11 – 25 – 29 – 39 e 55. Nos dias que antecederam a extração do concurso 309, exatos 3.001 apostadores em todo o país dirigiram-se às agências lotéricas e copiaram nos seus volantes essas seis dezenas, as mesmas do resultado anterior (308), e apostaram.

Vejam o que o destino reservou a eles.

No concurso 309 foram sorteadas as dezenas 04 – 11 – 25 – 39 – 50 e 55, ou seja, repetiram cinco das seis dezenas do concurso anterior. É previsível que nenhum dos apostadores tivesse conhecimento da aposta um do outro e, sabendo-se que o rateio da Quina da Mega Sena normalmente paga um prêmio compensador, em média 20 mil reais, todos, ao saber do resultado, devem ter festejado bastante, e até gasto por conta.

Qual não deve ter sido a surpresa desses felizardos, quando foi divulgado o rateio oficial, indicando 3.001 ganhadores na quina. E o mais fantástico no caso é que, sabendo-se que a dificuldade de acertar a quina é de 66 vezes a mais do que a quadra, nesse concurso 309 a quina encontrou quatro acertadores a mais do que a quadra, que premiou 2.997 apostadores. Portanto, pela primeira, e provavelmente última vez na história, a quina da Mega Sena pagou menos (R$ 122,53) do que a quadra (R$ 122,69).

Abro um parêntese só para sonhar (num gesto da mais absoluta travessura infantil) com a seguinte situação: já imaginaram se repetem todas as seis dezenas ao invés de cinco - as conseqüências? O jogo mais difícil do mundo, em que as chances de acerto são de uma em 50 milhões, e 3.001 apostadores acertaram em cheio? Vinha repórter do Cazaquistão para cobrir a matéria. Fecha parêntese.

Mas falando em repetição, dou uma informação com a mais absoluta exclusividade aos leitores do blog Al Karismi, notícia jamais divulgada pela imprensa ou pela própria Caixa: na Loteria Federal, nada mais, nada menos do que 123 bilhetes já foram sorteados em duas oportunidades no primeiro prêmio. E mais, três bilhetes felizardos, ou melhor, de felizardos proprietários, já foram sorteados em três oportunidades com a sorte grande.

E para complementar, já que o assunto é repetição, apesar de 99,999% dos apostadores ignorarem e a maioria deles julgar impossível, já aconteceu um caso de repetição de todas as dezenas, numa das loterias da Caixa. Este evento muito singular aconteceu na Quina, na Quina mesmo: nos concursos 732 e 1157, foram sorteadas as mesmíssimas cinco dezenas: 07 – 10 – 28 – 62 e 78.

Quem sabe essas dezenas repetem uma terceira vez na extração de amanhã da Quina e você aproveita os palpites? E, levando em conta que o blog de hoje está sendo lido pelo menos por uns 250 leitores, terei assunto para um outro dia. Opa, esqueça, lembrei-me: já aconteceu! Uma “vidente” que atuava no júri do programa do Bolinha (só quem tem acima de cem anos deve lembrar-se), em certo sábado divulgou seus palpites para a Loto (denominação da Quina antes de 1994) e cento e tantos espectadores acreditaram, e jogaram. A citada senhora – milagrosamente – acertou em cheio, consequentemente…

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Posfácio:
Sei que você foi atraído pelo título, mas não se considere enganado. Eu fui “o um" dos 3.001 felizardos que acertou a quina da Mega no concurso 309 e recebeu a “fortuna” de R$ 122,53!

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20/11/08

Prêmios malditos

Entre tantos crimes que acontecem diariamente no país, o que mais vem chamando a atenção é a morte do ganhador da Mega Sena de São Paulo. Imbróglios envolvendo ganhadores vão se tornando uma constante e o blog Al Karismi, um dos raros especializados em loterias, passa a divulgar a partir de 6ª. feira uma série sobre esses fatos que nos leva a pensar: será que vale a pena mesmo ganhar?
Saiba de antemão o que você vai ler:

Prêmios malditos – Parte I – 6ª. feira – dia 21
“No sorteio de sete de setembro de 1996, o bilhete 00.939 - assinatura permanente de Danilo A. - foi sorteado no primeiro prêmio, valor de R$ 300 mil. Logo que soube do resultado, Danilo A. entrou imediatamente em contato com a lotérica e lhe foi dito que o bilhete fora vendido em pedacinhos para várias pessoas. Inconformado com a situação, investigou e descobriu que a própria dona da agência recebera o prêmio. O sonho se transformara em pesadelo.” Acompanhe essa dramática história que foi aos tribunais, nos seus mínimos detalhes.

Prêmios malditos – Parte II – Sábado – dia 22
Três casos sobre confusões envolvendo ganhadores de loterias.

Prêmios malditos – Parte III – 2ª. feira – dia 24
- Comerciante que integrava grupo de apostadores que se desentendeu na divisão do prêmio de 16 milhões é assassinado em SP.
- O ex-lavrador Renné Sena, ganhador do concurso 679 da mega sena é assassinado quando bebia em um bar na região metropolitana do Rio.
- Já dura 15 meses a confusão sobre o prêmio do concurso 896 da mega sena entre Altemir José da Igreja e seu ex-funcionário Flávio Júnior Biass.

Prêmios malditos – Parte IV – 3ª. feira – dia 25
O ganhador de bilhete da Loteria Federal, na década de 60, que parou num bar para festejar e chegou em casa sem o bilhete. Caso que transitou na 3ª. Vara Criminal de Porto Alegre.

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E enquanto você aguarda por essa série que promete, viaje pelo mundo dos desejos e emoções no blog logo aí abaixo – Second Life.

criado por projetosnumericos    2:56 — Arquivado em: Jogos & Loterias

28/10/08

De Médico e de Louco…

Davi Castiel Menda

O fato narrado a seguir, aconteceu num Clube Comercial do interior do Rio Grande, lá por volta de 1962, envolvendo pessoas conhecidas e de famílias tradicionais; em face do exposto, mantemos o anonimato dos personagens.

Certo fazendeiro, apreciador do jogo carteado, sofrendo de pressão alta, problemas no coração, artrite, e outras doenças características da terceira idade, durante um joguinho de pif-paf - nada amistoso por sinal, considerando-se que o dinheiro circulante numa única parada seria o suficiente para adquirir um automóvel O km - ao receber suas nove cartas, ficou petrificado: levantara “pifado” (para os não iniciados, dependia de somente uma carta para ganhar). Bem, o “pife” não era lá estas coisas - a única carta que lhe servia para “bater a parada” era o quatro de ouros - mas convenhamos, levantar “pifado” é uma vantagem nada desprezível, principalmente levando-se em conta que vários jogadores habilitaram-se àquela partida. Ah, íamos esquecendo uma outra vantagem adicional: por serem dois baralhos no pif-paf, conseqüentemente a chance era dupla, pois existiam dois quatro de ouros em jogo.

Pela situação incomum e levando em conta seu histórico de problemas cardiovasculares, mesmo antes da parada iniciar, nosso amigo fazendeiro começou a suar frio e tremer, indicando claramente aos seus parceiros que suas cartas, sem dúvida, eram boas. Ao chegar sua vez de comprar a carta a que tinha direito, foi ao baralho, chuleou lentamente e, pela banda da carta, viu que era um … quatro … quatro vermelho … puxou a carta de sopetão e…, que pena, era o quatro de copas! Mais tremores, mais suores, mais frio. Jogou fora o quatro que não lhe servia e continuou na expectativa. Cada jogada dos outros parceiros parecia-lhe que durava um século. Felizmente, para sua satisfação, ninguém “bateu”, e sua vez de jogar chegou novamente: ele comprou a carta e … replay da jogada anterior: o outro quatro de copas! Nosso jogador se sentiu na pele de um imaginário personagem bonzinho das novelas da Globo, daqueles que são perseguidos do início até o último capítulo.

Num espaço de tempo que lhe pareceu uma eternidade, mas que na verdade não durou mais do que um segundo, ele sentiu o mundo girar, não resistiu e desmaiou, sob o olhar atônito e preocupado dos demais participantes. Um médico que estava presente e, coincidentemente, “peruando” o jogo do desfalecido, imediatamente foi convidado a reanimá-lo. O médico, um tremendo gozador, e sabendo que o desmaio não teria maiores conseqüências, abriu sua maleta, tirou o receituário e, sem mesmo conferir as condições do jogador, lascou aquela que seria a sua receita mais invulgar (e genial - do ponto de vista lúdico) de toda sua carreira, e que, na sua concepção, curaria o desmaiado: “Quatro de ouros, de meia em meia hora”!

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Minha homenagem a todos os médicos que vem me tratando dos mesmos problemas do fazendeiro "azarado": pressão alta, problemas no coração, artrite, psoríase-reumatóide e outras doenças características da terceira idade; em especial à Dra. Janete.

criado por projetosnumericos    7:42 — Arquivado em: Humor, Jogos & Loterias

22/9/08

Loteca

                   

A partir desta terça-feira (23.09.2008), os leitores do blog Prognósticos Matemáticos, e mais especificamente os apostadores da Loteria Esportiva (LOTECA), passam a contar com um dos melhores bancos de dados sobre o assunto.

Serão as 14 partidas que fazem parte da programação da Loteca, analisadas estatisticamente uma a uma. Vale a pena dar uma conferida.

 

Baseados em nosso banco de dados , com os quase 600 clubes que já participaram de algum concurso da Loteca, estaremos divulgando uma panorâmica completa sobre o retrospecto de cada clube individualmente, além de analisar o comportamento de cada um em confrontos diretos.

Nada de apostar em clubes com nomes totalmente desconhecidos. Nossa memória vai fazer parte da sua memória.

Portanto, anote aí - às segundas, os Resultados do fim de semana; às terças-feiras, a Programação completa da Loteca.

criado por projetosnumericos    9:43 — Arquivado em: Jogos & Loterias

29/8/08

30.000

No dia em que os meus dois blogs (Al Karismi e Prognósticos Matemáticos) somados, atingem 30.000 acessos, meus agradecimentos a todos que me deram o prazer de sua visita.

Leitores que se divertiram, choraram, gostaram, discordaram, analisaram, elogiaram, xingaram ou comentaram os textos. Cada acesso, contabilizado diariamente, é o melhor prêmio ao esforço (duplo) despendido diariamente.

Minha homenagem a todos eles, representados por aqueles que de alguma forma comentaram, colaboraram ou citaram Al Karismi e Prognósticos Matemáticos:

* Adroaldo Guerra Filho * Alex Bolsoni * Amílcar Bruzano Filho * Camilo Aparecido Almeida * David Menda Magrisso * Eli Magrisso * Eliezer Castiel Menda * Emílio * Ester Miriam Menda * Florence C. Rosa * Gilson * Ilton C. Dellandréa * Isaac Magrisso * Joice de Brito e Cunha * José Francisco * José Stelle * Keila * Leamartine Pinheiro de Sousa * Luiz Cordioli * Luiz Figueiredo * Lydio Costa Reis Filho * Maycon Francisco Pereira * Nelson Menda * Paulo Castelani * Pedro Lynn * Pedro W. * Roberto Santos * Robson Leonel * Roger Chadel * Rogério Kirschbaum * Rubem Ygua * Sérgio Pinto de Vasconcellos * Shmuel (Rabino) * Solon Magrisso * Susana Menda * Walter Del Pichia * Zemane

criado por projetosnumericos    13:40 — Arquivado em: Jogos & Loterias

15/8/08

Razão Versus Palpitação

Davi Castiel Menda

Se alguém me perguntasse, ontem, antes do resultado da extração, quantos acertadores teria a Loto Fácil, vendidos em torno de 13.960.000 cartões – que é a quantidade provável de bilhetes que concorriam no Concurso 349 - eu responderia sem exitar: em torno de 4 acertadores para 15 dezenas e aproximadamente 640 para 14 dezenas, aliás, cálculo que serve para qualquer extração com aquela quantidade de bilhetes vendidos. Acertei?

Errado! Abro a minha Internet e às 5,30 hs da manhã tenho o primeiro susto do dia (dos tantos que me aguardam): 32 cravaram as 15 dezenas e 27.396 tiveram a felicidade de ganhar pouco mais de míseros 18 reais ao acertarem 14 dezenas, cuja dificuldade de acerto é de uma possibilidade em 21.791!!

Viajando no tempo e no espaço, regresso aos anos 80 (século passado…) e lembro de conversa com psiquiatra que afirmava que o sucesso dos jogos da Caixa ocorria pelo fato de ser uma das raras oportunidades em que o pobre, o trabalhador, o assalariado, tinha a chance de dar palpite – mandar - em alguma coisa. E mais, que a monotonia (sempre o mesmo ônibus, sempre um chefe a ditar as mesmas ordens, a rotina do arroz e feijão, do futebol aos domingos, o eterno torcer para o mesmo time, os terríveis programas televisivos  dominicais) conseguia ser quebrada num simples marcar de algumas dezenas num cartãozinho da Loto: ele, naquele instante de glória, era o chefe, podia escolher a vontade as cinco, seis ou oito dezenas ao seu bel-prazer - ele, naquele momento, podia impor a sua vontade, ele era o todo-poderoso. Certo?

Errado! O homem moderno, seja pobre ou seja rico, na sua grande maioria, prefere não pensar - quer as coisas prontas. Exemplo maior, para quem não lembra: o concurso 308 da Mega Sena, em 27.10.2001 teve sorteadas as seguintes dezenas: 04-11-25-29-39-55. Até aí nada demais. Entretanto, no concurso 309, quatro dias depois, foram sorteadas as dezenas 04-11-25-39-50-55, ou seja, das seis dezenas, cinco foram coincidentes. Sabem o que aconteceu? A quina – pasmem! – teve 3.001 acertadores contra 2.997 acertadores da quadra. Quem acertou quatro dezenas recebeu mais de quem acertou cinco dezenas!!! A explicação: provavelmente aquelas 3.001 almas chegaram na lotérica para apostar no concurso 309 e para não ter que pensar, palpitar, lembrar de datas de nascimento (ugh!!!) simplesmente copiaram para o seu volante as dezenas premiadas no concurso anterior. Já imaginaram se repetem as seis dezenas – três mil acertadores na mega?

Volta para 2008.

E o resultado do concurso 349 da Loto Fácil, novamente veio de encontro à tese acima: considerando que repetiram 14 dezenas do concurso 348, das 15 sorteadas, a maioria daqueles 27 mil que faturaram o prêmio de 14 acertos, simplesmente transpôs para o seu volante o resultado exposto nos painéis das lotéricas do concurso anterior.

É evidente que a quase totalidade deles não acredita em matemática, em estatística, em lógica, e muitos nunca ouviram falar em probabilidades; acho até que a linha de raciocínico destes felizardos(!) talvez esteja correta, caso contrário mudariam de calçada ao passar por uma lotérica, se imaginassem que a chance de repetir as 15 dezenas de um concurso para outro da Loto Fácil é superior a três milhões e pico, ou que a chance de acertar na mega sena é de uma em 50 milhões!

 

Sorte deles. Certo?

criado por projetosnumericos    10:10 — Arquivado em: Jogos & Loterias, Opinião

2/2/07

Justiça a jato

Extraído do site Jus Sperniandi (com a devida vênia do autor)
Título original: Às vezes, quando a Justiça é rápida, querem engavetar o juiz

Ilton C. Dellandréa 

Em 1982/1983 fui juiz em Iraí, a mais setentrional cidade do Estado, então uma joiazinha de casas brancas incrustada às margens do Rio Uruguai.

Lá um grupo de quatro pessoas fazia um “bolão”, isto é, apostava toda a semana na Loteria Esportiva (naquele tempo não havia a mega-sena).

Não existia agência lotérica na cidade e um cidadão, que para facilitar vamos chamar de “senhor X” – e que integrava o bolão – percorria a cidade arrecadando volantes de apostadores, cobrando um pouco mais por aposta, para levá-los a processamento na vizinha Frederico Westphalen.

Na volta redistribuía as apostas mas, naturalmente, a do bolão ficava para ele conferir.

Um dia aconteceu o (in)esperado: o grupo cravou treze pontos e receberia uma quantia considerável, embora não tão substancial que os tornasse milionários, até porque o valor seria partilhado entre os quatro e houve mais ganhadores pelo Brasil.

Entretanto, cresceram as unhas do “senhor X” que passou o dinheiro para sua conta na CEF e se negou a dividi-lo com os demais. Estes prontamente ajuizaram uma ação defendendo seus direitos, com pedido liminar de bloqueio do valor. Foi realizada uma justificação prévia e como o fato, por ser a cidade pequena, era público e notório, deferi a liminar.

No dia seguinte compareceram os quatro em meu gabinete, com advogado, informando que haviam entabulado um acordo: os outros três receberiam um pouco menos do que lhes cabia e o a mais era destinado ao “senhor X” como remuneração pelo serviço de levar semanalmente o volante a Frederico Westphalen.

Analisei a petição e, estando tudo em ordem, homologuei o acordo, determinei a expedição de alvarás para cada um dos envolvidos levantar sua parte e ordenei o arquivamento do processo, extinguindo-o.

No dia seguinte recebi uma petição do “senhor X”, representado por advogado de Frederico Westphalen, dizendo que se arrependera e queria, por isto, revogar o acordo, restabelecendo a situação anterior.

Indeferi o pedido, principalmente porque proferira uma sentença, isto é, julgara definitivamente o mérito da ação e, diante do princípio da imutabilidade da sentença pelo próprio juiz que a profere, ela só poderia ser alterada pelo Tribunal de Justiça. Sugeri, no despacho, que o “senhor X” apelasse ou ajuizasse uma ação de anulação da sentença, se encontrasse respaldo jurídico para tanto.

Ele não só apelou como impetrou no Tribunal de Justiça um recurso chamado correição parcial, que não existe no Código de Processo Civil mas é previsto no Código de Organização Judiciária do Rio Grande do Sul, no artigo 195, e que visa à emenda de erros ou abusos que importem na inversão tumultuária de atos e fórmulas legais, na paralisação injustificada dos feitos ou na dilatação abusiva de prazos, quando, para o caso, não haja recurso previsto em lei.

Em suma, é um recurso contra o juiz que profere despachos tumultuários ou com erros grosseiros, estorvando o andamento do processo.

No meu caso, o presidente do Tribunal de Justiça, o saudoso desembargador Bonorino Butelli, rejeitou de plano o recurso, por incabível, determinando seu arquivamento.

Com isto suponho que eu seja um dos poucos juízes – se não o único, pois não conheço outro caso – que sofreu um recurso por ter julgado um processo rápido demais…  

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30/1/07

Como ganhar na Mega Sena

Davi Castiel Menda

"…com esta metodologia em prática, você sabe com antecipação, que independentemente dos números que forem sorteados, por mais estrambóticos que sejam, acertará as seis dezenas da mega sena."

O primeiro homem a chegar a conclusão que a seqüência correta seria "um, dois três…" e não "um, dois, muitos…", foi o primeiro matemático da história; o primeiro bruxo, o primeiro a dar o passo inicial à ciência que investiga relações entre entidades definidas, abstrata e logicamente.

Todos os que estão envolvidos, quer seja estudando, ensinando ou admirando esta prodigiosa ciência das grandezas, tem um preito de gratidão a Descartes, Pascal, Newton, Leibnitz, Euler, Lagrange, Comte, Laplace, Albert Einstein. Particularmente, adotei o Professor Júlio César de Mello e Souza como meu ícone, pela forma divertida com que procurava atrair seus alunos e leitores; foi editor da revista Al Karismi na década de 40. Meu ícone número dois foi Malba Tahan, autor de numerosos livros, sendo o mais conhecido O Homem que Calculava. Não por acaso, o Professor Mello e Souza e Malba Tahan eram a mesma pessoa.

A esta lista, a partir de agora, sou obrigados a acrescentar um contemporâneo nosso, Barry Waterhouse, inglês, matemático, que obteve seus 15 minutos de fama não por fórmulas que ficarão registradas nos anais da matemática, mas simplesmente por ter faturado R$ 21 milhões de reais numa das tantas loterias inglesas de números, juntamente com sete colegas de faculdade.

A revista Isto É publicou em novembro de 2006 uma reportagem com o título A matemática da sorte, demonstrando tintim por tintim todo o raciocínio da milagrosa fórmula milionária engendrada pelo britânico. Aliás, fórmula que nos anos 80 já era utilizada por vários apostadores que se reuniam diariamente na extinta lotérica Casa de Apostas, localizada em Porto Alegre, com resultados pouco satisfatórios. Digno de nota, que tanto o novo milionário, Waterhouse, e a ex-lotérica de Porto Alegre tenham em comum o mesmo vocábulo: Casa = House. Algum indício especial?

Pelo menos o matemático inglês foi sincero ao afirmar que: "Foi sorte. " E eu concordo com ele em gênero e número. Foi pura sorte! Acompanhem a sistemática utilizada (a mesma, mesmíssima que era usada em Porto Alegre), segundo a reportagem da Isto É: "Primeiro Barry escolheu uma loteria (semelhante à Mega-sena brasileira) que apresenta 49 números em sua cartela. A partir daí, os 49 números da loteria foram escritos em pedaços de papel e colocados numa caixa. Os oito participantes do bolão apanharam então seis números cada um, o que deixou um número sobrando na caixa. Esse que restou é usado para começar uma nova linha de seis números pelo próximo apostador, juntamente com os demais números que voltam para a caixa, e assim sucessivamente."

É claro que Barry Waterhouse nunca lerá este artigo e, se hipoteticamente o fizesse, se finaria de tanto rir (também pudera - com R$ 21 milhões no bolso), mas para aqueles que pretendem seguir o método, posso afirmar que se contratássemos um macaquinho ensinado, treinado para preencher volantes ao invés de catedráticos sortear papeizinhos, teríamos exata, exatamente a mesma chance dos oito felizardos ganhadores. Foi sorte! Foi sorte mesmo, Professor Barry!

Sob determinado ângulo, até que é um jogo interessante e eu, pessoalmente, durante algum tempo, me entusiasmei com a idéia; e é explicável. Se você utilizar o método adaptado à nossa mega-sena, estará apostando 10 volantes com seis dezenas, cobrindo todo o universo de 60 dezenas possíveis, e a um custo nada assustador.

O que é mais difícil numa aposta? É claro que acertar as seis bolinhas que saltarão randomicamente dos globos! E com esta metodologia em prática, você sabe com antecipação, que independentemente dos números que forem sorteados, por mais estrambóticos que sejam, que acertará as seis dezenas da mega sena. O problema todo é "torcer" desesperadamente para que as seis se concentrem no mesmo cartãozinho. É deveras problemático!

A tendência é que, em 49% das vezes, você acertará duas dezenas num volante, e as quatro dezenas restantes em outros quatro cartões. Resultado um pouco melhor, três dezenas num volante, mas que ainda não paga prêmio, em 2,5% das vezes. A partir daí, as coisas se tornam mais e mais difíceis e a cada 230 tentativas - 2.300 volantes apostados no total - a tendência é faturar uma quadra.

A revista Isto É finalmente nos informa que "Barry cansou, após oito anos de tentativas frustradas, de simplesmente tentar a sorte arriscando números correspondentes a datas de aniversário de amigos e decidiu, aí sim, deixar de ser modesto e pôr em prática o seu raciocínio de professor catedrático de matemática da Bradford University and College." Ah, agora sim está explicado… 

criado por projetosnumericos    10:48 — Arquivado em: Jogos & Loterias

25/1/07

Historinhas curtas

Davi Castiel Menda

Nos primórdios da Loteria Esportiva, os volantes eram nominais, obrigando o apostador a preencher o nome em cada volante apostado. Ao longo do tempo, essa regulamentação caiu por terra; entretanto, pela inexperiência de uns, ou criatividade exagerada de outros, ficaram agregadas ao folclore da Loteca situações tragicômicas e surrealistas. Os relatos abaixo são genuinamente verídicos.

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Certo apostador sonhou com sua mãe, falecida recentemente, indicando-lhe no sonho, com a mais absoluta precisão, quais seriam os treze ganhadores. Excitadíssimo com a possibilidade de equilibrar-se financeiramente, marcou um volantezinho e, em homenagem à falecida, subscreveu seu nome no volante. Aguardou com impaciência a chegada do final de semana e, sábado e domingo acompanhou com o maior interesse os jogos pelas emissoras de rádio. Coincidência ou não, acertou todos os jogos!
Lamentavelmente, teve que dividir o prêmio com seus quatro irmãos, já que o cartão premiado, no nome da mãe (falecida), entrou em inventário, com inteira justiça.

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O padre de certa paróquia do interior, fanático por futebol e assíduo da Loteca, arriscava semanalmente um cartãozinho, sempre pensando em aumentar os recursos financeiros da sua igreja. Para não ficar mal com os fiéis ou com sua Diocese, caso acertasse, sempre preenchia o volante em nome do sacristão.
Certo dia: treze pontos! Feliz da vida, comunicou o fato ao sacristão, que se mostrou surpreso pelo uso indevido do seu nome, exigindo como compensação, para receber o prêmio, uma comissão de dez por cento.
O padre, indignado, alegando que o prêmio seria integralmente revertido para os pobres, ofendeu o sacristão, chamando-o de ladrão e outros epítetos censuráveis. Estava criado o impasse: um tinha o cartão - o padre - mas em nome de outrem - o sacristão. A essas alturas, toda a paróquia era sabedora dos mínimos detalhes do ocorrido, tendo sido criada uma comissão, entre os paroquianos, afim de convencer o sacristão a abrir mão da percentagem exigida. Esse, furioso por ter sido ofendido pelo padre, afirmou que, para receber o prêmio, o valor tinha sido reajustado para vinte por cento!!
- Ladrão, ladrão! - exclamava o padre cada vez mais possesso.
Para encurtar a história, depois de idas e vindas, ofensas e contra-ofensas, o prêmio foi finalmente cobrado, cabendo 50% para os pobres da paróquia e 50% para o "ofendido" sacristão, pelos irreversíveis danos morais sofridos, e uso indevido do seu nome …

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Um colega meu de empresa, leigo de carteirinha em matéria de futebol e incapaz de apostar um centavo, era assediado semanalmente por vizinho de rua, tentando convencê-lo a apostar na esportiva. Tanto insistiu que, o meu colega, certa semana, cedeu e … milagre dos milagres: acertou (ou acertaram?) os treze pontos; e o melhor, por terem ocorrido algumas "zebras", o teste (naquele tempo não era concurso, era teste mesmo) encontrou apenas três ganhadores, rateando um prêmio compensador, algo assim em torno de 300 mil dólares.
Encerrados os jogos, lá pelas seis ou sete da tarde, tudo era festa, comemoração, caipirinha, tapinha nas costas, e nada do vizinho-sócio (o dos palpites, já que quem "bancou" integralmente o valor da aposta foi o meu colega) ir embora. Pela meia-noite conseguiram despachá-lo.
E não é que na manhã seguinte, nem bem o dia tinha raiado, e o "dono dos palpites" bate na casa do ganhador, acompanhado de um advogado, com um documento datilografado (sou do tempo do datilografado…) dividindo o prêmio, destinando 50% a cada um. O meu colega, previsivelmente, deu um "corridão" nos dois e o assunto foi o tema dominante por várias semanas na cidadezinha de São Leopoldo, Rio Grande do Sul.
Após a intervenção de amigos comuns - e até da imprensa - o meu colega (que jura que daria a metade ao palpiteiro, não fosse o episódio do advogado), após ter a capota do seu carro conversível totalmente furada por quimbas de cigarro, concordou em ceder 20% do prêmio para o vizinho.

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Os três casos acima envolveram jogadores bissextos, sem a menor experiência lúdica. Tragédia maior aconteceu com um apostador que se considerava um verdadeiro profissional e mais, com fama de malandro. Seu casamento, estando por um fio, inclusive com data marcada para a separação definitiva, e com medo de acertar na Esportiva e ter que dividir o prêmio com a esposa, preenchia invariavelmente os volantes apostados em nome da amante.
O final é previsível: acertou os treze pontos e, para gáudio das leitoras, ficou sem a mulher, sem a amante, e sem o dinheiro do prêmio.

criado por projetosnumericos    4:39 — Arquivado em: Jogos & Loterias

11/1/07

Por que acumula tanto a Mega Sena

Davi Castiel Menda

Boa ou má notícia - dependendo de quem a encara - é que, os brasileiros que apostam em loterias, são em número reduzido e jogam pouco, comparativamente a outros países. Apenas 3,3% da população brasileira aposta regularmente em loterias, o que representa, num universo de 180 milhões de brasileiros, apenas seis milhões de apostadores. Esse número aumenta sensivelmente, chegando a triplicar (ou talvez até mais), no momento em que a Mega Sena acumula por várias semanas.

Aliás, este aumento de público perseguindo os milhões em jogo, é um fenômeno intrigante, considerando o poder aquisitivo de parcela significativa da sociedade brasileira. Eu explico: quando a Mega Sena não está acumulada, o valor do prêmio principal gira em torno de um milhão de reais. Nela apostam aqueles seis milhões que habitualmente fazem a sua fezinha, em busca de um prêmio que por certo resolveria financeiramente a vida de mais de 95% dos brasileiros. Este valor, um milhão de reais, se bem administrado, é muito dinheiro!

 Mas, aparentemente, para aqueles apostadores bissextos que só se inscrevem quando a Mega acumula,  a impressão que nos passa é que somente dez, vinte ou cinqüenta milhões solucionaria sua vida financeira (ou provavelmente projetando a de dezessete gerações futuras)! Enfrentam enormes e quilométricas filas, se transformam em experts economistas e investidores (haja vista as entrevistas proporcionadas pela TV), em busca dos milhões prometidos, quando - desculpe a insistência - pouco mais de alguns milhares de reais resolveria os problemas da maioria. A não ser que em seus projetos de consumo imediato esteja incluída a aquisição de um avião ou iate; nesta hipótese eu dou mão à palmatória.

Apenas a título de curiosidade, já que é irrelevante ao tema proposto, em torno de 3.000 apostadores vão à lotérica regularmente, e por inércia, indolência (ou até palpite - ou falta dele) preenchem seus respectivos cartões com exatamente as seis dezenas que foram sorteadas no último concurso (procure acessar a estatística da Mega Sena - os resultados dos concursos 308 e 309 dão sustentação a essa tese). E há também aqueles que jogam duas ou três vezes o mesmo volante, pensando salomonicamente na divisão do prêmio entre matriz e filiais.

Seguidamente sou questionado na rua, por telefone ou através de e-mails do motivo pelo qual a Mega Sena acumula tantas e tantas vezes e só encontra ganhador após vários concursos. Vou tentar, didaticamente, dar a minha opinião.

Em primeiro lugar, o que provavelmente todos já sabem, as chances de acerto são muito reduzidas: um apostador, jogando um cartãozinho simples com seis dezenas, tem uma chance em 50.063.860 ou, arredondando, uma em 50 milhões! Considere também o fato de que as dezenas de 01 a 31 (dias de nascimento) e 01 a 12 (meses de nascimento) são as mais apostadas, o que é um complicador a considerar, principalmente quando a maioria das dezenas sorteadas superar a casa dos trinta.

Outro fator importantíssimo é a repetição de combinações - se num concurso, forem apostados 10 milhões de cartões, teoricamente teríamos 20% das combinações apostadas, o que não espelha a realidade, já que algumas combinações se repetem. Abaixo, a tabela com estas projeções:

10 milhões cartões apostados - possibilidade de acumular: 82,0%
15 milhões cartões apostados - possibilidade de acumular: 74,0%
20 milhões cartões apostados - possibilidade de acumular: 67,0%
25 milhões cartões apostados - possibilidade de acumular: 60,5%
30 milhões cartões apostados - possibilidade de acumular: 55,0%
35 milhões cartões apostados - possibilidade de acumular: 50,0%
40 milhões cartões apostados - possibilidade de acumular: 45,0%
50 milhões cartões apostados - possibilidade de acumular: 37,0%

Pela tabela, chega-se a conclusão que a quantidade de 35 milhões é o limite exato em que as chances de acerto ou acúmulo se igualam. Considerando que esta venda só é atingida quando o montante em dinheiro começa a ser chamativo, a tendência natural e lógica é acumular constantemente.

E veja como é significativa essa questão da repetição de volantes, exemplificada pela última linha da tabela: o fato de existirem 50 milhões de combinações possíveis, e mesmo sendo apostados 50 milhões de cartões, a probabilidade de acúmulo é altíssima: 37%.

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criado por projetosnumericos    7:53 — Arquivado em: Jogos & Loterias, Opinião
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