Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

28/11/06

Azares da Sorte

Davi Castiel Menda

1990, para mim, foi um ano excepcional por um motivo singelo: correspondeu ao lançamento de meu primeiro livro – Azares da Sorte. Era uma coletânea de pequenas historietas, na verdade mini-tragi-comédias, muitas delas vivenciadas por mim, acompanhando lances audaciosos de jogadores destemidos e suas apostas contingenciais, em situações divertidas e simultaneamente melancólicas. O tema de Azares da Sorte era o que convencionamos atribuir a forças que determinam ou regulam tudo quanto ocorre, e cujas causas – favoráveis ou não - imputamos ao acaso das circunstâncias ou a uma suposta predestinação.

Sendo eu um ilustre desconhecido no ramo literário, e pretendendo não dar vexame na minha estréia (comercialmente falando), obtive algumas autorizações, graças ao meu bom relacionamento, que me permitiram inserir no livro três narrativas de pessoas famosas: Aparício Silva Rillo, grande autor gauchesco, já falecido; Chico Anysio - precisa apresentação? - e Paulo Santana, jornalista polêmico e polemista, ligado a RBS e conhecido pelo seu “gremismo” exagerado (e inteligente). Ainda, somando, como handicap favorável, a colaboração de um dos mais brilhantes caricaturistas uruguaios – radicado no Brasil – Rubem Ygua, que com suas ilustrações, deu mais vida e alegria ao trabalho.

O lançamento do livro teve situações sui generis, que só poderiam ter acontecido comigo e mais ninguém:
1a. – A primeira edição totalizava 1.100 exemplares – não foi vendido nenhum! Vendas = zero! Pior, todos os livros foram para o lixo – literalmente falando!
2a. – A segunda edição, com o mesmo número de exemplares da primeira, impressa cinco dias depois, foi integralmente vendida em quatro meses. Para conhecimento do leitor, informo que as histórias eram exatamente as mesmas da primeira edição. Não foi mudada uma vírgula sequer…E para seu conhecimento número dois, saiba que 1.100 livros é livro que não acaba mais. Se você escrever um algum dia, publicá-lo, e vender todos eles, considere-se autor de um legítimo best-seller.
3a. – O melhor dos contos, que seria o somatório de todas aquelas historietas que efetivamente foram publicadas, ocorreu 16 anos atrás, paralelamente ao lançamento do livro, mas está sendo escrito somente hoje! E ele, realmente, se encaixa como uma luva com o título do livro. _

______________

Saí de casa na velocidade de um bólide – não era para menos – o pessoal da gráfica me telefonara informando que Azares da Sorte estava pronto. Mantendo a mesma rapidez, apanhei um táxi, busquei os 1.100 livros encomendados, e eis-me sentado junto ao motorista – agora mais calmo – saboreando um exemplar do meu livro, lendo uma página aberta ao acaso, que por certo eu conhecia de cor e salteado.

Opa – na primeira frase, faltou acento numa palavra! O fato me pareceu estranho, já que o livro passara por três revisões; a minha própria, a da minha esposa, Ana Maria (professora de Letras), e da dona Zilah, igualmente professora e contratada especificamente como revisora do projeto. Tudo bem, o que é um acento na imensidão de um livro? Mas prosseguindo na leitura, observo que faltou outro acento, e mais outro, e de repente constato, apavorado, que em qualquer página que o livro fosse aberto, qual um livro inglês, os acentos eram inexistentes.

Peço ao taxista que dê meia volta, rumo à gráfica e, no curto trajeto, mentalizo e vislumbro dezenas de estagiários a contratar, munidos de canetas especiais, preenchendo os acentos que faltam ao livro. Mesmo com o cérebro embotado pelos acontecimentos, calculo rapidamente: em média 18 acentos por página, vezes 100 páginas, vezes 1.100 exemplares: são praticamente dois milhões de acentos a serem corrigidos manualmente!!! Meu cérebro dá voltas, estou nauseado, sinto ímpetos de esganar o pessoal da gráfica, penso em sabotadores e passo a lutar com eles tal qual Don Quixote ao guerrear com seus moinhos de vento, inimigos imaginários.

Retornando ao prédio da gráfica, volto a falar com o gerente – agora transformado em meu inimigo mortal. Ele, naturalmente, se espanta ao ver-me e mais ainda ao receber um livro – que recém saíra da sua gráfica - e ser convidado a abri-lo numa página qualquer. Apresentado e constatado o problema, ele imediatamente, na defensiva, alega que eu fora o responsável pela última revisão, aquela em que o autor lê e verifica os fotolitos, um a um, e dá o OK. Realmente, este fora o procedimento, mas lembro que no momento que eu os examinara, os acentos estavam lá; agora, tinham sumido, qual passe de mágica…

Pelo menos, eu senti o olhar de apavoramento do meu interlocutor – eu conseguira dividir o problema e isto suavizava o meu sofrimento. Um pequeno inquérito foi montado às pressas e instantes depois o veredicto era dado a conhecer: logo após a minha derradeira revisão, o material fora entregue a um funcionário - no seu primeiro dia de trabalho(!) – cuja tarefa era suprimir, com um líquido corretivo, os pequenos traços, riscos e imperfeições dos fotolitos. Funcionário novo, inexperiente, cumprindo rigorosamente e ao pé da letra suas ordens, tracinhos, risquinhos e acentos se confundindo… Preciso continuar?

A gráfica, evidentemente, assumiu o prejuízo e prometeu reimprimir uma nova edição, mas no momento em que, mais tranqüilo, me dirigia à saída, escutei – num tom acima do normal - uma ordem do gerente dirigida a todos os funcionários (entretanto, presumo que o alvo da mensagem teria um destino certo – a minha pessoa): “A partir de hoje, está proibido nesta gráfica pegar qualquer serviço ou livro, cujo título ou texto contenha a palavra Azar!”

Dou todo o meu apoio.

criado por projetosnumericos    7:58 — Arquivado em: Crônica, Humor

25/11/06

Por uma graça alcançada

Davi Castiel Menda

Acho que um escritor pode ter suas simpatias e – por mais incrível que pareça – antipatias, como qualquer outro, por aquilo que escreve. Por extensão, e mais justificadamente ainda, os leitores têm as mesmas prerrogativas. Meu bom e dileto amigo Julio César Dreyer Pacheco tem uma preferência instigante pela historinha abaixo e, mesmo escrita há mais de 15 anos, até hoje, a cada vez que nos encontramos, faz questão de lembrá-la, positivamente. Deve ser boa…

Lá pela década de 60, era fato corriqueiro os jornais de Porto Alegre publicarem a fotografia de determinado sacerdote, sempre acompanhada de agradecimentos por uma graça alcançada. Aparentemente o Padre Reus – este o nome do milagreiro – era bom mesmo, visto que milhares e milhares de fotos suas foram estampadas ao longo dos anos, para alegria e gáudio dos proprietários de jornais.

Verdadeiras romarias, muitas vezes a pé, se deslocavam desde Porto Alegre e circunvizinhanças ao seu túmulo, localizado na cidade de São Leopoldo, o que não deixava de ser uma aventura, visto que a distância que separa as duas cidades é de aproximadamente 35 quilômetros.

Por um destes acasos do destino, morei durante um curto espaço de tempo - dois meses para ser mais preciso - exatamente em frente à Igreja que abriga o túmulo do Padre Reus. Abstraindo o fato de professar religião diversa, não poderia deixar de visitá-lo, sabedor de que tantos peregrinos se deslocavam quilômetros e quilômetros para formular ao santo homem um pedido, e eu ali a dois passos…

E no primeiro domingo disponível, lá estava eu, travestido de romeiro, percorrendo a suntuosa construção. Credos à parte, a exemplo das dezenas de pessoas que lá estavam, formulei o meu pedido, em voz baixa naturalmente: “Considerando que até hoje não consegui ganhar na Loteria Esportiva, mesmo tentando há muitos anos, caso eu acerte, construirei outra Igreja igualzinha a esta”.

Pedido feito, pedido atendido! Naquela tarde mesmo, pela primeira vez na minha vida, coincidência ou não, atingi os tão sonhados 13 pontos. Infelizmente, o prêmio foi rateado entre milhares de acertadores, possivelmente devotos de outros santos e santas espalhados por este nosso imenso país. Lamentavelmente, o lucro obtido não comportava comprar sequer um tosco banco, que dirá construir uma nova Igreja!

Mas não me dei por vencido; durante a semana, lá estávamos nós novamente dialogando, desta vez já com mais intimidade: “Padre Reus, o problema é o seguinte: fiz uma promessa, mas não poderei cumpri-la já que o prêmio foi baixíssimo. E colocando na ponta do lápis, cheguei a conclusão de que, mesmo acertando sozinho, seria inviável construir uma nova Igreja semelhante a esta. Portanto, desta vez vamos combinar os detalhes comedidamente: preciso ser o único acertador, e então mando erigir uma capelinha caprichada – lugar a escolher”.

E mais uma vez, pela segunda semana consecutiva, acertei os 13 pontos. Não foi também desta vez quer consegui atingir o status de milionário. O prêmio aumentara sensivelmente, mas não o suficiente para melhorar de vida, e muito menos construir a igrejinha prometida. Pelo menos, uma família pobre das redondezas foi agraciada com o que hoje chamamos de cesta básica.

Poucos dias depois, por motivos profissionais, mudei de cidade e não tive outra oportunidade de voltar ao túmulo e à Igreja. Porém, do jeito que as coisas andam, muito em breve precisarei ir a São Leopoldo e, desta vez, com uma proposta melhorada: “Padre Reus, meio a meio!”

criado por projetosnumericos    9:56 — Arquivado em: Destaques em 2006, Humor, Jogos & Loterias

20/11/06

Banquetes Bizarros

Davi Castiel Menda

Os hindus afirmam: Anam Brahma, a comida é divina. Assim, com profundo respeito, você come, e enquanto estiver comendo, esqueça-se de tudo, porque isso é uma prece, é uma grande arte: saborear a comida, sentir os aromas da comida, tocar a comida, mastigar a comida e digeri-la como alguma coisa divina.

Sempre gostei de comer bem: comida chinesa, japonesa, grega, turca, francesa, alemã, italiana, churrasco – ah, o churrasco! – espanhola, judia (kosher ou não), tailandesa, frutos do mar, árabe, e até o tradicional arroz-com-feijão bife e batatinha frita; enfim, tudo que é bom. Entretanto, não é o mais caro ou o mais gostoso que é o melhor – comer bem é comer aquilo que satisfaz aos olhos já que os olhos são o primeiro contato que temos com o alimento – só depois vem todo o resto: cheiro, paladar, toque, satisfação.

Mas falando em comida, lembrei-me de uma secretária que trabalhava na nossa casa, dona Clara, que tinha excessiva curiosidade em conhecer tudo sobre culinária e que, pela sua ingenuidade, praticamente “fugiu” do emprego, apavorada, pelos pratos bizarros – segundo a sua ótica - que seus patrões, no caso eu e minha mulher, ingeriam!

Ato primeiro: você já ouviu falar em halwa? É um doce árabe, em formato de pasta, feito com nozes, óleo de gergelim e outras iguarias – é uma loucura! Conta a lenda que o meu tio-avô Salvador adorava halwa (era um petisco caro e difícil de conseguir no Brasil na década de 30), e descobriu que a doméstica que trabalhava na sua casa avançava no tal doce mais do que devia. Solução: estando a moça por perto, abriu a lata e exclamou: “- Alguém está usando o meu remédio para calos!” Foi o que bastou para que nunca mais a mocinha sequer olhasse para o cobiçado doce. Aproveitando a sábia experiência do meu tio, usei do mesmo artifício em casa, até o dia em que a dona Clara nos viu, espantada, saboreando o halwa, que eu mesmo afirmara ser um remédio para calos!

Ato segundo: bem próximo onde morávamos, está localizado o famosíssimo Bar Arthur, sendo uma das suas especialidades o “sanduíche a tartar”, ou seja, pão e carne crua, devida e convenientemente temperada. Certa dia, ao invés de comer no barzinho, levei o sanduíche para casa e a dona Clara, ao tomar conhecimento dos ingredientes, passou a chamar-nos de canibais (!). Presumo que ela quisesse, na verdade, dizer omófagos - provavelmente o termo lhe fugiu no momento - mas achei conveniente e menos esclarecedor deixar por canibais mesmo, vai que ela confunde com hematófago…

Ato final: pouco tempo depois desses curiosíssimos acontecimentos culinários, recebemos de presente uma caixinha de tâmaras. A bem da verdade, para quem não conhece - caso da dona Clara - de longe, uma tâmara tem o mesmo aspecto achatado e oval, tamanho e cor de conhecido ortóptero onívoro, e ela, ao perguntar o que estávamos comendo, e já se antecipando com um gesto de repugnância, recebeu, como resposta, exatamente o que ela estava imaginando. Foi a gota que faltava para que apresentasse sua demissão imediata, em caráter irrevogável e irretratável.

Desconheço se dona Clara era fofoqueira, mas depois da sua saída, os moradores do nosso bairro - e principalmente as domésticas – coincidência ou não, ao passar por nós, procuravam manter uma certa distância respeitosa…

criado por projetosnumericos    8:34 — Arquivado em: Destaques em 2006, Humor

3/11/06

A Origem do Cifrão

Davi Castiel Menda

Tá certo, tá certo! Eu concordo que para que um cheque seja aceito e válido, e em contratos e documentos oficiais, temos que escrever o valor por extenso, culminando com a palavra "reais" - é a moeda vigente. Mas afora esta obrigação legal, a situação muda um pouco de figura, pois no nosso país, oficiosamente, circulam outras moedas paralelas. Por exemplo: o "conto-de-réis", abolido desde 1942, mas que por incrível que pareça, vem resistindo bravamente e é usado até por pessoas jovens; o cruzeiro, que ainda não foi esquecido (e acho que volta), instituído em janeiro de 1942 e que durou até 12.02.67, quando foi substituído pelo cruzeiro novo. Ainda, dependendo da região, outros termos menos conhecidos são usados para definir o nosso meio circulante: boró, capim, caraminguá, gaita, grana, jabaculê, mango, pataca e tutu. Originário do Rio Grande do Sul, o "pila" continua correndo solto, tendo até sido exportado para outros estados brasileiros - é fato corriqueiro assistir um "guri" entrar num armazém e pedir "um pila de bala". Será que o Aurélio incluirá nas suas próximas edições o tão badalado e não muito nobre "mensalão"?

Do real - o atual - quase todos lembram da sua criação, já que a sua história é recente e seu símbolo mais do que conhecido: R$. É composto pelo R, letra inicial de real acrescido do sinal $, que automaticamente nos lembra - com uma ponta de inveja - o dólar, e que remonta historicamente aos tempos de Tiro, quando era empregado como marca em determinada moeda. As duas linhas representavam as colunas de Hércules e o traço recurvo, entrelaçando as duas colunas, a união da colônia à mãe pátria.

Mas vamos viajar um pouco no tempo e retornar a 1941, com o objetivo de conhecer um pouco da origem do famoso CR$, símbolo durante 25 anos da nossa moeda mais conhecida e tradicional: o cruzeiro.

O Ministro da Fazenda, quando da troca de réis por cruzeiros, levou ao então Presidente Getúlio Vargas, o decreto que instituía a nova unidade monetária, simbolizada pela abreviatura CRS - plural de cruzeiro. O Presidente, já com a caneta na mão, indagou curioso:

- Que significam estas três letras maiúsculas: C, R e S ?

O Ministro, que ignorava solenemente o significado - por não ter participado da criação do decreto - não se deu por achado. Para não ficar mal com o chefe, e lembrando que o mundo atravessava uma de suas piores crises - em plena 2a. Guerra Mundial - resolveu atribuir às três letras uma conotação histórica-política:

- Essa abreviatura, Senhor Presidente, é uma homenagem que o Brasil presta aos grandes chefes militares: C de Churchill; R de Roosevelt e S de Stalin, respectivamente da Inglaterra, Estados Unidos e Rússia.

Mesmo sendo os três países aliados brasileiros na guerra, o Presidente Getúlio não conteve seu ímpeto anticomunista, e impulsivamente riscou, com dois traços verticais o S de Stalin, decidindo energicamente:

- Com os outros dois em concordo! Com o Stalin, nunca!

Dessa forma, o símbolo $, que durante muitos anos, junto com o CR, simbolizou o cruzeiro, e que hoje acompanha o R de Real, teve origem histórica um tanto diferente do $ originário de Tiro.

criado por projetosnumericos    21:18 — Arquivado em: Humor

19/10/06

Torne-se um erudito em 2 minutos!

 

A vida moderna não deixa tempo para a leitura de bons livros.
Assim, o blog Al Karismi lhe oferece os resumos de clássicos da literatura que muito lhe ajudarão a engrandecê-lo culturalmente.

1) Leon Tolstoi: Guerra e Paz. Paris, Ed. Chartreuse. 1200 páginas.

Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.

2) Marcel Proust: À La recherche du temps perdu. (Em Busca do Tempo Perdido). Paris, Gallimard.1922. 1600 páginas.

Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto. Fim.

3) Luís de Camões: Os Lusíadas. Editora Lusitania.

Resumo: Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de
mulheres gostosas. Fim.

4) Gustave Flaubert: Madame Bovary. 778 páginas.

Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre.  Fim.

5) William Shakespeare: Romeo and Juliet. Londres, Oxford Press.

Resumo: Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero. Fim

6) William Shakespeare: Hamlet. Londres, Oxford Press.

Resumo: Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Fim.

7) Sófocles: "Édipo-Rei" - tragédia grega. Várias edições.
Resumo: Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta. Fim.

8) William Shakespeare: Othelo.

Resumo: Um rei otário, tremendo zé-ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal "amigo" não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé-mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Fim.

PRONTO..Você economizou a leitura de pelo menos 7.000 páginas e R$ 500,00 em livros!!! Não precisa me agradecer. 

criado por projetosnumericos    11:03 — Arquivado em: Humor

13/10/06

Numerologia Política

Davi Castiel Menda

O 2o. turno será realizado em 29.10.06 - correto? E existem dois candidatos.

O primeiro é do partido 45: e quanto é 29 + 10 + 6 ? 45

O segundo é do partido 13: e quanto é 29 - 10 - 6 ? 13

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De que irei me ocupar no céu, durante toda a Eternidade, se não me derem uma infinidade de problemas de Matemática para resolver?
(Augustin Louis Cauchy) 

criado por projetosnumericos    13:35 — Arquivado em: Humor, Política

11/10/06

Massacre do português

Davi Castiel Menda

“Os lagos são formados por bacias esferográficas”. Aluno anônimo.

Não, não se preocupe! Não foi o nosso amigo, dono da padaria, que andou apanhando! Foi o nosso léxico mesmo, na última prova do Enem. Apesar dos pesares, o nosso ensino parece que melhorou um pouco(!), já que as pérolas, a cada ano, se mostram cada vez mais brilhantes e nacaradas…

As pérolas do Enem

“Os desmatamentos de animais precisam acabar”
“Precizamos de menos desmatamentos e mais florestas arborizadas”
“O desmatamento é um problema de muita gravidez devido aos raios ultra-violentos”
“Os paises desenvolvidos querem que nós se matem por eles e a única solução é alugar o Brasil para os outros”
“Na televisão, o governo vem com aquela prosopopéia flácida”
“Os problemas ambientais ocorrem porque todos os fiscais são subordinados; é a propina”
“O problema ainda é maior se tratando da camada Diozoni”
“Na época de Cristo não haviam hindústrias para poluir e assim mesmo haviam problemas sociais entre os povos”
“No paiz enque vivemos, os problemas cerrevelam”
“O que é de interesse de todos nem sempre interessa a ninguém”
“A natureza foi discuberta pelos homens a 500 anos atrás”
“Não preserve apenas o meio ambiente, mas sim todo ele”
“O maior problema da floresta Amazonas é o desmatamento dos peixes”
“Nos dias de hoje a educação está muito precoce”
“Hoje endia a natureza não é mais aquela”
“Vamos mostrar que somos semelhantes iguais”
“…precisamos agir de maneira inesperável”
“Na Amazonas está cendo a maior derrubagem e extração de madeira do Brasil”
“Por isso eu luto para atingir os meus obstáculos”
“…o fenômeno Euninho”
“A concentização é um fato esperançoso para o território mundial”
“O serumano no mesmo tempo que constrói também destói, pois nois temos que nos unir para realizar parcerias”.

E finalmente, para encerrar com fecho de ouro o nosso colar perlífero, nada melhor do que a opinião de um aluno, que pela ambigüidade do seu pensamento, nos situamos no limbo da dúvida existencial: se o mesmo tem amor exclusivo e excessivo de si, implicado na subordinação do interesse de outrem ao seu próprio, ou muito antes pelo contrário:

“Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós”

criado por projetosnumericos    14:58 — Arquivado em: Humor

29/3/06

Humor (?) no Bonfim - 50 anos

Davi Castiel Menda

Baseado em fatos reais

Correspondência enviada ao Correio do Povo de Porto Alegre - Coluna do Leitor e publicada em abril de 1956

Um apelo à Colônia Israelita:
A laboriosa colônia israelita, na sua maioria, habita a Avenida Osvaldo Aranha e as suas ruas transversais. Estende-se mesmo até a Protásio Alves e circunvizinhanças. É uma zona comercial próspera que promete desenvolver-se cada vez mais. Entretanto, há sensível falta de transportes. São muito utilizados pelos moradores daquela zona os bondes Gasômetro e Petrópolis que trafegam repletos de passageiros. É uma lástima. Podia-se resolver essa apremiante situação se a colônia israelita organizasse uma Empresa de ônibus de transporte para aquela zona. Temos o belíssimo exemplo da firma Renner que, facilitando os seus operários, às suas famílias e os moradores de Navegantes, São João, Caminho Novo e arredores, organizou as suas linhas de ônibus, que tão relevantes serviços presta à população. Aí deixamos o nosso apelo. Atenciosamente. (ass.) OR.

Resposta publicada em 14 de maio de 1956 no mesmo jornal

Senhor Redator:
O Sr. OR dirigiu uma carta a este matutino, fazendo um apelo à colônia israelita. Essa carta, pelo humorismo que encerra, deveria ser publicada no Bric-a-brac (*) e não na Coluna do Leitor. Sugere o Sr. OR, naturalmente fatigado de tanto viajar de pé nos bondes e ônibus, que a colônia israelita organize uma empresa de transportes e deixe de ocupar o lugar dos outros nos coletivos existentes na capital. Evidentemente, o Sr. OR tem vocação para Diretor de Trânsito, pois em meia dúzia de linhas, resolveu todo o problema de transportes da Capital. Lamentavelmente, não adianta ele se, dados os bons resultados que prevê para seu plano, pretende aplicá-lo também para outros núcleos, assim, futuramente, poderemos ter empresas de ônibus para italianos, alemães, poloneses, japoneses, etc. Seria interessante mesmo que cada um desses ônibus tivesse à frente uma bandeirinha dos respectivos países, para maior facilidade na sua identificação. Naturalmente, o motorista e o trocador deveriam falar o idioma respectivo, correspondente à nacionalidade a que o ônibus viria servir. Depois de completo o serviço todo, isto é, fundadas todas essas empresas, o que restaria para nós, os brasileiros? Simplesmente os desmantelados ônibus da Carris! De onde se conclui que o plano do Sr. OR, se por um lado tem suas vantagens, por outro lado tem um sentido anti-patriótico.
Cordialmente (ass) Aron Menda (**)

(*) Bric-a-Brac - seção de humorismo e variedades do jornal Correio do Povo.
(**) Aron Menda - pai do blogueiro.

criado por projetosnumericos    6:10 — Arquivado em: Humor

16/3/06

Por favor, nos ajudem!

Davi Castiel Menda

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Prezado editor do Al-Karismi:


Lendo alguns artigos do seu blog, notei que a área de vocês é matemática, além de loterias, e por este motivo estou pedindo auxílio a vocês. Somos três irmãos. Todas as semanas nos cotizamos e fazemos um bolãozinho na mega sena. Na verdade, somos quatro irmãos, mas o mais novo não aposta, só quer saber de estudar (matemática ainda por cima - é o geniozinho da família),
No mês passado, após anos de tentativas mal-sucedidas, finalmente acertamos uma quina da mega sena, faturando exatamente R$ 7.100,00. Desculpe-me senhor editor, mas eu estou tão nervoso com a dúvida que nos atormenta - a mim e meus irmãos - que vou lembrando o problema aos poucos: esqueci de dizer-lhe que no nosso bolão, apostamos quantias diferentes - eu, por ser o mais abonado, sempre entro com a metade; outro dos irmãos joga um terço da aposta e o último entra somente com um nono - e o combinado, no caso de premiação, é dividir proporcionalmente ao que cada um jogou. No meu entendimento, o procedimento mais razoável e justo.
Continuando: dirigi-me a uma agência da Caixa para receber o prêmio, e quis o destino que o valor fosse pago unicamente em notas de R$ 100,00. Na hora da divisão, foi aquela briga:
- eu, por ter direito a metade, teria que receber R$ 3.550,00 - e só havia notas de R$ 100,00;
- o segundo irmão, cotista com 1/3, tinha direito a exatos R$ 2.366,66 - e só havia notas de R$ 100,00;
- e por fim, ao último, que entrara com 1/9, lhe caberia R$ 788,88 - e só havia notas de R$ 100,00.
É evidente que, se esperássemos até o dia seguinte, trocaríamos o dinheiro e eu não estaria lhe dando todo esse trabalho, mas nós queríamos concluir a divisão naquele dia, naquele momento, e qualquer proposta apresentada por um de nós era rechaçada incotinenti pelos outros dois.
Pois bem, foi nesse exato momento que o Malbinha (o nosso irmão mais novo, o matemático - aquele que não aposta) entrou em cena, propondo acrescentar ao nosso prêmio mais uma nota de R$ 100,00 - que ele pediu emprestado à mãe! Se nós concordássemos, o valor do prêmio passaria a ser de R$ 7.200,00, quantia que é divisível por dois, três e nove. Tudo bem, mesmo o Malbinha (e por tabela, a mãe) ficando no prejuízo, resolvemos aceitar a sua sugestão e o nomeamos na hora o responsável pela divisão. Voltando-se para mim, disse o Malbinha:
- Tinhas direito à metade - R$ 3.550,00; pelo valor atual estás agora recebendo R$ 3.600,00 e acredito que não tenhas nada a reclamar, já que saíste lucrando na divisão.
Ao segundo irmão:
- Tua participação no bolão foi de 1/3 e terias direito a pouco mais de dois mil e trezentos reais. Agora, com a nota que acrescentei, vais receber R$ 2.400,00, também tiveste lucro na transação, e espero que não reclames futuramente.
O terceiro irmão, sentindo que ia sobrar pra ele, já se preparava para reclamar, mas o Malbinha foi mais rápido:
- E a ti, que cabe a nona parte: terias direito a R$ 788.88 - mas vais embolsar pelo novo valor 1/9 de R$ 7.200,00, o que totaliza R$ 800,00 - só tens a agradecer pela minha idéia.
Todos nós ficamos satisfeitíssimos com a engenhosidade do nosso irmão caçula, contentando a todos, mas a grande surpresa estava por vir, pois o nosso irmão matemático encerrou desta forma:
- Bem, meus manos, concluído o rateio proporcional, e tendo todos lucrado, notem que a soma das parcelas por vocês recebida (R$ 3.600,00 + R$ 2.400,00 +  R$ 800,00) corresponde a exatos R$ 6.800,00. Restam ainda R$ 400,00 em caixa. Estou devolvendo os R$ 100,00 que a mãe me emprestou para "aumentar" o prêmio e, por ter contentado a todos vocês, estou embolsando a título de honorários os R$ 300,00 que sobraram!

Por favor senhor editor, peço-lhe mais uma vez encarecidamente que publique essa nossa carta, e torcemos desesperadamente para que alguém responda, informando como foi possível o Malbinha (o nosso irmão caçula, eu já devo ter dito antes), nos ter passado a perna, pois não suportamos mais aquele ar zombeteiro que ficou permanentemente estampado no seu rosto desde o dia da divisão.

Um leitor angustiado.
PS: e seus dois irmãos,

criado por projetosnumericos    17:45 — Arquivado em: Humor, Jogos & Loterias

8/3/06

Poupança sextilionária

Davi Castiel Menda

Uma boa parcela de conhecidos meus, apostadores bissextos em loterias, fica apavorada só de imaginar a possibilidade de ganhar um prêmio multibilionário. Alegam estes novos-pseudo-milionários que não saberiam como administrar uma imensa fortuna obtida inopinadamente, e que esta situação só atrapalharia seus planos, que normalmente obedecem a um padrão fixo e determinado no sonho de consumo de quase todos os apostadores: comprar uma nova casa, um carro novo, viajar, e pronto! Chega! Acho que, em parte, eles até tem razão…
A respeito deste tema: um amigo meu, nos anos 90, faturou uma quantia compensadora na Loteria Esportiva, e foi aconselhado pelo gerente de seu banco a aplicar o prêmio integralmente numa poupança, projetando a transformação daqueles milhares de reais em muitos milhões, em poucos anos.
Consultando-me sobre o conselho recebido, contei-lhe a historinha abaixo.

Certa pessoa, não tendo o que fazer num domingo à tarde, resolveu remexer num baú repleto de trastes, e encontrou uma caderneta de poupança, de propriedade de remotíssimo antepassado seu, contemporâneo de Jesus. Não era necessário ser um emérito historiador ou um Malba Tahan da vida para constatar que se tratava de uma poupança com idade beirando os dois mil anos. O valor aplicado correspondia a uma moedinha pesando um grama de ouro, a juros de 6% ao ano, no Banco Romano, situado em plena Via Ápia.
Procura daqui, procura de lá, descobriu que o tal Banco Romano resistira ao tempo e ainda estava em plena atividade. Contratou um advogado tributarista e pediu-lhe para dar andamento ao caso, ou seja, calcular o montante que teria direito - na condição de legítimo herdeiro - e posteriormente contatar o Banco para receber o que de direito.
Passados alguns dias, o advogado lhe telefonou para dar seu parecer:
- Senhor, a respeito daquela poupança, tenho duas notícias para lhe dar. A primeira: o senhor, em princípio, transformou-se na pessoa mais rica, não só da Terra, mas de toda a Via Láctea. Eu explico: tivemos que alimentar um super computador com os dados disponíveis, e este chegou à conclusão de que a aplicação daquela simples moedinha de um grama, iniciada nos primórdios da era cristã, a juros de 6% ao ano, dobrava seu valor a cada 12 anos aproximadamente - para ser mais preciso, este valor foi dobrando sucessivamente por 167 vezes. No presente momento, o seu crédito equivaleria ao seguinte: o número 1.871 seguido de 41 zeros (!) toneladas (!) de ouro! Contratamos um técnico especializado em  mineração, e este nos apresentou um relatório impressionante, mostrando e provando a inviabilidade do cumprimento deste pagamento, pois seria impossível extrair esta fantástica quantidade de ouro, mesmo que utilizadas todas as minas auríferas do planeta. Continuando, ele explicou o motivo: considerando-se que a Terra pesa 6.586.242.500.000.000.000.000 de toneladas, dividindo-se aquele primeiro número acima - o seu crédito atual (1.871 seguido de 41 zeros toneladas) - pelo peso da terra, vamos encontrar como quociente/resultado o valor de
28.407.600.000.000.000.000.000 (28,4 sextilhões) de globos maciços em ouro, cada um deles do tamanho da Terra. Esta seria a quantidade de ouro que o Banco teria que lhe pagar para que pudesse honrar o depósito do seu antepassado! Neste valor não estão incluidos meus honorários…
O novo sextilionário, ao receber aquela sucessão de notícias - que vocês hão de convir, deve provocar uma bela duma confusão mental, mesmo que momentânea -  ficou estático, lívido, a pressão subiu, baixou, mas ainda teve forças para, quase num sussurro, perguntar:
- E a outra notícia?
Resposta do advogado:
- Ocorre que a inflação, neste período de 2.000 anos, foi quatro vezes superior aos rendimentos. Portanto, o débito para com o Banco Romano, é aquele imenso número que lhe passei, multiplicado por três. E vou lhe avisando: um batalhão de oficiais de justiça já está no seu encalço, tentando cobrar a dívida!

Publicado no jornal O Fenal em outubro/2002 e no Semanário 13 Pontos em 04/agosto/1997

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