29/11/08
Amenidades
Davi Castiel Menda
Gosto de comer bem, apesar de vegetariano. Sempre estou procurando novidades, mesmo que essas estejam escondidas em botecos de terceira ou de categoria indefinida. Por esses dias, com pressa, entrei num restaurante semipopular, administrado por uma grande organização. Pelo menos, o preço era fixo; nada daquela nefanda, abominável e execrável balança. Eram mínimas as opções do buffet e senti que o almoço não seria dos melhores. Servi-me das poucas variedades de salada, uma concha de arroz e, salvação, lá adiante batatas fritas. Aproximei-me lépido e faceiro e no momento em que iria completar meu prato, uma atendente, intimidativa, num grito ameaçador avisou-me: “aqui é a seção de grelhados; se pegar alguma coisa é mais R$ 2,30.”
Expliquei a ela, numa boa, que meu intuito era somente servir-me de batatas fritas, não me interessava as carnes, de aspecto indefinido, mas que ela orgulhosamente chamava de grelhados. Para minha incredulidade e desespero (não pelos R$ 2,30 – mas pela classificação absurda, confundido um tubérculo com um tecido muscular, mais conhecido por carne), continuou classificando batata frita como grelhado.
Em matéria de gastronomia, morro e não vejo tudo.
____________________________________________________
No meu tempo de guri, os heróis eram, como classificar, assexuados?
Eram eternamente namorados, noivos, e respeitavam certos limires vitorianos. Não cresciam, não ficavam velhos, não casavam, não “ficavam”. Quem é do meu tempo – bota tempo nisso – deve lembrar-se do Fantasma e sua noiva Diana Palmer. Linda de morrer, mas o Fantasma, com aquela ridícula fantasia, preferia ficar perdido na selva com seus amigos pigmeus. Lembro do Mandrake e sua noiva (Narda?), rica, elegante, frequentadora das altas rodas da sociedade. E o Mandrake, na sua mansão Xanadu, às voltas com um negrão de dois metros de altura, o Lothar. Sem contar a amizade colorida entre Batman e Robin, o sorrelfa Super-Homem que ia e vinha e nada de faturar a Louis Lane, aquela repórter sonsa e sem graça, tanto nos quadrinhos como na tela. E os heróis de Disney, todos eles tios, ninguém queria saber de oficializar um comprometimento maior. Era o Tio Patinhas, Donald e seus sobrinhos, e as pobres Margarida e Minnie a ver navios, vendo seus amados brincar com o Pateta e Pluto.
E ontem fiquei surpreendido com a notícia do iminente beijo da Mônica e Cebolinha, heróis brasileiros do Maurício de Souza. Não é que os personagens da Turma da Mônica mudaram? A comilona Magali agora faz dieta; Cascão, para desespero dos ambientalistas que orientam a população a economizar água, agora resolveu tomar banho; e os eternos inimigos Mônica e Cebolinha, numa atitude que ainda vai provocar polêmica entre os moralistas de plantão, devem dar um beijo frontal, que esses (os moralistas) esperam que pelo menos não seja explícito demais que envolva o órgão muscular alongado, móvel, situado na cavidade bucal, que serve para a degustação e deglutição, que desempenha papel importante na articulação de sons e que, em algumas oportunidades, através de leve ou violenta sucção, pode concretizar um ósculo lascivo. Resumindo, o Maurício terá coragem de promover um beijo de língua entre os heróis dito infantis?
Em matéria de Histórias em Quadrinhos, morro e não vejo tudo.
criado por projetosnumericos
7:23 — Arquivado em: 

