Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

11/9/08

Manchetes do Fim do Mundo

Davi Castiel Menda

Quem transitou pela free-way ontem às 16.30 horas, vivenciou praticamente como seria o fim do mundo. Literalmente um buraco negro desenhado no céu e uma enxurrada nunca vista. Lembrei-me das experiências no túnel - lá nos Alpes - e do efeito borboleta. Aproveitei para, colaborando com vários jornais, elaborar as manchetes anunciando o evento.

 

Jornal do Leão: RECEITA COMUNICA – ESTRAGOS PROVOCADOS PELO FIM DO MUNDO NÃO PODERÃO SER ABATIDOS NA DECLARAÇÃO DE 2009

Jornal dos Engenheiros: CREA GARANTE - PRÉDIOS POR ELA FISCALIZADOS NÃO SOFRERÃO AVARIAS

Jornal dos Lotéricos: CAIXA LANÇA MAIS UM NOVO JOGO – APOSTADOR DEVE ACERTAR HORÁRIO EXATO DO FIM DO MUNDO

Jornal dos Shoppings: COMÉRCIO PROMOVE LIQUIDAÇÃO MONSTRO – PAGAMENTOS SOMENTE À VISTA

Correio Braziliense: POLÍTICOS, EM 2007, TENTARAM ACORDO PARA QUE BRASIL FICASSE DE FORA DO FIM DO MUNDO – PARTIDOS DA BASE ALIADA  NEGAM  ENVOLVIMENTO

Jornal do Vestibular: PROFESSOR DE CURSINHO PREVÊ – QUESTÕES SOBRE O EVENTO CERTAMENTE CAIRÃO NO VESTIBULAR DE VERÃO

 

Diário Oficial da União: PRECATÓRIOS RELATIVOS AO FIM DO MUNDO SÓ SERÃO PAGOS EM 2020 

Informática News: VERSÃO BETA DO WINDOWS–THE END TERIA PROVOCADO O PROBLEMA – BILL GATES PROMETE ELIMINAR “BUGS” E REVERTER O QUADRO

Jornal dos Bancos: SERVIÇO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO  E SERASA TENTAM  RENEGOCIAÇÃO URGENTE COM DEVEDORES

Jornal da Comunicação: OPERADORAS DE TELEFONIA MÓVEL PREVÊEM AUMENTO EXAGERADO DE DEMANDA PARA A HORA ZERO DO EVENTO E GARANTEM REFORÇO DE PESSOAL

Estado de São Paulo: Exclusivo – FITAS COMPROMETEM EMPREITEIROS DO RAMO DE DEMOLIÇÕES – QUERIAM EXCLUSIVIDADE NOS TRABALHOS DE RESCALDO

Jornal das Praias: DURANTE O FIM DO MUNDO COMERCIANTES DE CAPÃO DA CANOA, TORRES E TRAMANDAÍ, COM RESPALDO DA METEOROLOGIA , GARANTEM TEMPO BOM AOS VERANISTAS QUE POR LÁ SE REFUGIAREM

Jornal de Santa Cruz: FABRICANTES DE CIGARRO SAEM AS RUAS, EM REPRESÁLIA, PORTANDO FAIXAS OSTENSIVAS – “O FIM DO MUNDO FAZ MAL À SAÚDE”

Jornal do Carnaval: CARNAVALESCOS PROMETEM DESTAQUE-SURPRESA PARA DESFILE DE 2009 COM O CARRO APOCALIPSE NOW – O MUNDO DO APOGEU AO PERIGEU

Jornal do Estado: GOVERNADORA CATEGÓRICA – PAGAMENTO DE SETEMBRO AO FUNCIONALISMO, SOMENTE APÓS O FIM DO MUNDO

Jornal do PT: FOME ZERO FINALMENTE DARÁ CERTO – A PARTIR DE AMANHÃ, NINGUÉM MAIS PASSARÁ FOME…

Jornal dos Sindicatos: SINDICATO DOS COVEIROS, PREVENDO AUMENTO EXCESSIVO DE DEMANDA, PROMOVE GREVE EM BUSCA DE MELHORES SALÁRIOS

Jornal dos Barzinhos: AMBEV GARANTE – NÃO VAI FALTAR CERVEJA

Diário Oficial do Estado: GOVERNO DECRETA PONTO FACULTATIVO PARA AMANHÃ

 

Jornal Espírita: ESPÍRITO DE ORSON WELLES APARECE EM SESSÃO E SE DIZ EXTREMAMENTE MAGOADO –“EU É QUE GOSTARIA DE DAR A NOTÍCIA EM 1a. MÃO”

criado por projetosnumericos    7:06 — Arquivado em: Ficção, Humor

9/9/08

Brasileiros devem 20,7 bilhões

As manchetes dos principais jornais de ontem davam conta que os brasileiros, mesmo em tempos de juros altos e restrição ao crédito, atingiram o endividamente de mais de 20 bilhões no cheque especial. Lembrei-me da crônica abaixo,  publicada pela primeira vez no Jornal Treze Pontos, posteriormente em O Fenal (setembro/2002). Na época, recebi várias críticas: algumas elogiosas e outras me acusando de não entender nada de economia. Deixo a decisão com vocês.

 

 No Tempo dos DInossauros

Davi Castiel Menda

 

Vamos dar asas à nossa imaginação e criar um país hipotético, num passado longínquo, de nome LisarB, e povoá-lo com apenas três homens e suas respectivas mulheres:

Antonio - era o curandeiro; José plantava e criava galinhas, alguns porquinhos e outras tantas reses; Luiz, por sua vez, trabalhava com madeira e metal: era o artífice da turma e, se por acaso, em LisarB houvesse eleições um dia, por certo seria eleito o chefe. Os negócios eram realizados na base do escambo, e todos viviam na mais perfeita paz e harmonia. Um belo dia porém, reunidos em torno da fogueira Central, Antonio teve uma idéia:

- E se nós criássemos uma moeda para comprar uns dos outros, ao invés de ficar trocando mercadorias?

Da teoria para a prática, foi um zás. Juntaram 3.000 ossinhos, cada um gravou a sua marca, e batizaram a nova moeda com o nome de laer. Não sendo muito bons de linguagem, criaram outra palavra para expressar mais de um laer: siaer. E por lógica, a cada um tocou 1.000 siaer.

Antonio agora cobrava por suas consultas; José comercializava a carne que produzia em siaer e, Luiz, prestava seus serviços profissionais para os seus conterrâneos não mais recebendo mercadorias, e sim ossinhos à guisa de honorários.
E, apesar da mudança, todos continuaram vivendo na mais perfeita paz e harmonia.

Mas como diz o ditado: não há bem que sempre dure… numa determinada noite, mais uma sem ter o que fazer, Luiz, o artesão, moldou dois pedacinhos de madeira -tornando-os semelhantes a dois cubos - pintou alguns pontinhos pretos, e … estava criado o jogo de dados em LisarB! Só para passar o tempo, jogaram algumas horas (a dinheiro!), e deu no que deu: Antonio, que sempre fora um homem de sorte, ficou com todos os 3.000 siaer que circulavam em LisarB.

Na hora, ninguém deu muita importância para o acontecido mas, no dia seguinte, todos foram surpreendidos com a entrevista coletiva de Antonio, anunciada por sua mulher. A bem da verdade, deve-se registrar que Antonio apareceu com seu melhor traje de folhas de bananeira, comunicando que a partir daquela data, não mais trabalharia como curandeiro, já que se tornara o único capitalista do país, e em conseqüência, viveria de rendas. E, levando em conta e antecipando-se ao fato de que José e Luiz precisariam de capital de giro para movimentar seus negócios, emprestou 1.500 siaer a cada um, a juros simbólicos de 1% ao mês.

Ao final de trinta dias, cada um dos tomadores do empréstimo, devia 1.515 siaer, que somados perfaziam 3.030 siaer! Reunidos, como sempre, em volta da fogueira, Luiz e José perguntaram a Antonio simultaneamente:

- Antonio, se todo o nosso capital circulante é de 3.000 siaer e, decorridos apenas um mês, nós já te devemos 3.030 - e este montante tende a continuar crescendo a cada 30 dias - nós estamos achando que a dívida se tornará impagável. Você não acha que a nossa Economia interna irá para o pântano?!

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Prezado leitor: para que você não se apavore, por favor, não faça a projeção da ficção acima para o país onde você reside, com 180 milhões de habitantes e não apenas três famílias, todos eles pagando juros aos bancos, financeiras e cartões de crédito - não de 1% como na historinha - mas malsinados 10% a 15% ao mês!!!

criado por projetosnumericos    8:53 — Arquivado em: Ficção, Humor
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