5/12/08
Torre de Babel - Fé ou Razão? - I Parte
Davi Castiel Menda
“O pensamento religioso é mais sábio do que os ídolos dos últimos 200 anos, que criaram fórmulas de perfectibilidade para nossa risível Babel. Filosofia, ciência e religião devem fundamentar a formação dos mais jovens. A relação entre razão e infelicidade é empírica, a relação entre razão e felicidade é ideal. Contrariamente ao pensamento mágico que se crê científico, reconhecer a sabedoria da religião nada tem a ver com aquela contradição moderna entre razão e fé, pois tal oposição já é fruto de má filosofia.” – Luiz Felipe Pondé.
No seu trabalho Conflitos Éticos em Psiquiatria, Ivan de Araújo Mora Fé declara que um dos aspectos mais notáveis da aventura do homem ao longo da história tem sido seu constante anseio de buscar novas perspectivas, abrir horizontes desconhecidos, investigar possibilidades ainda inexploradas, enfim, ampliar o conhecimento. Desde seus primórdios, os seres humanos se dedicam a investigar e a pesquisar, sendo esta curiosidade, este desejo de conhecer, uma das mais significativas forças impulsoras da humanidade.
O que leva o homem a esta inquietação, a esta busca intelectual? Qual a origem e o significado deste esforço do homem para superar a si próprio e ao seu mundo? É assunto que tem ocupado exaustivamente os estudiosos. O fato é que esta ininterrupta e incansável luta pelo saber tem sido uma das mais importantes atividades do homem. Ocorre que, ao dar vazão ao seu insaciável afã de descobrir, criar, conquistar, ao tentar realizar em toda a sua plenitude a livre aventura do espírito, o homem se depara com seus limites.
A Bíblia relata que, com o objetivo de alcançar os céus, os homens decidiram construir uma alta torre, a qual ficou conhecida como a Torre de Babel, pois da experiência resultou a confusão, a desordem, o desentendimento, a discórdia, como castigo divino por uma ação tida como orgulhosa. Em outra perspectiva, esta questão é abordada por Goethe, em seu notável poema Fausto, onde o personagem central se angustia com a constatação da pequenez dos seus conhecimentos ante a imensidão do desconhecido e decide passar por cima de quaisquer regras ou considerações para empreender a tentativa de desvendar os mistérios da natureza, os enigmas do universo. A verdade é que, muitas vezes, tem sido o homem tentado a querer ultrapassar sua própria condição humana, e este anseio, esta fantasia, se expressa nas crenças, nos mitos, no folclore e nas produções artísticas e literárias, mesclado com a intuição dos riscos inerentes a esta "transgressão".
Ainda de acordo com a Bíblia, todas as línguas e raças do mundo tiveram sua origem em um momento determinado: a destruição da legendária Torre de Babel. Teria sido tal torre realmente construída como descrita na bíblia? Será que Deus a destruiu e dispersou os habitantes que a rodeavam pelos quatro cantos da terra?
A contradição entre razão e fé foi magistralmente explorada por Werner Keller, através da sua obra (década de 60) “E a Bíblia tinha razão…”, livro que alcançou recordes mundiais de vendagem, desenvolvido dentro de um caráter arqueológico e que tinha como finalidade explicar, dentre os mais variados relatos da Bíblia, os milagres ocorridos, tanto aqueles mencionados no Antigo Testamento, como no Novo Testamento. Destacamos: o Dilúvio, o Êxodo, José do Egito, a vida e morte de Jesus, João Batista, os Apóstolos et cetera. Através de um estudo profundo de pesquisas, o autor narra tais fatos provando que realmente eles ocorreram, mas não da forma como estão expostos nos textos bíblicos. Indícios que nortearam as pessoas que os escreveram (sob inspiração Divina, segundo praticamente todas as religiões) nos remetem exatamente aos locais previstos e descritos na Bíblia.
A fé, segundo Gênesis, nos relata que o Senhor desceu a fim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar. E o Senhor disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projetos. Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros.» E o Senhor dispersou-os dali por toda a superfície da Terra.
A razão, sem pretender duvidar da fé a da Bíblia (que usa e abusa das metáforas, o que provoca a diversidade de religiões e interpretações) se pergunta: se os homens estivessem construindo uma torre para alcançar os céus, e Deus veio trazer a disseminação de novas línguas, este mesmo Deus estaria temendo que simples homens pudessem alcançar os céus? Mas em que patamar teria sido projetada a Torre de Babel para atingir este utópico objetivo? Independente da resposta, Babel pode ser simbolicamente considerada uma precursora do desejo do homem de construir edifícios cada vez mais altos, febre que vem se acentuando nos últimos tempos, principalmente no berço da Torre: a Ásia.
- continua -
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