Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

11/12/06

Quebrar a Banca . Parte I

Davi Castiel Menda

"Os primeiros noventa por cento do tempo que você permanece no cassino, tomam noventa por cento do que você possui na carteira. Os últimos dez por cento do tempo tomam os cem por cento do limite do seu cartão de crédito."

O jogo de cassino mais conhecido, mais charmoso, e que oferece as melhores oportunidades de ganho aos apostadores é, indiscutivelmente, a roleta. A sua invenção é atribuída a um sacerdote francês, padre Roulet que, ao concebê-la, por volta de 1760, imaginou estar criando um jogo em que pudesse, posteriormente, obter lucro fácil. Enganou-se visceralmente; ele, juntamente com Madame Pompadour, transformaram-se nos maiores perdedores (e viciados) dos chiques salões franceses, os cassinos da época.

Curiosamente, por ter sido o seu criador um homem ligado à Igreja, a soma dos trinta e sete números da roleta - do zero ao trinta e seis - corresponde, na Numerologia, exatamente ao número que simboliza a besta, o diabo - 666.

O percentual de lucro da banca é de 2,7% a cada jogada - moderado se comparado ao das corridas de cavalos (5 a 12% nos Estados Unidos e de 25 a 55% no Brasil), às loterias exploradas pela Caixa (71%), e o clandestino, tradicional e imortal jogo do bicho (40 a 80% dependendo da região e do tipo de aposta).

A banca, na roleta, leva basicamente duas vantagens sobre o apostador: a primeira - é a sucessão rápida de jogadas, que transforma o inocente e teórico 2,7% num somatório que proporciona normalmente um lucro final em torno de 25% sobre o volume total de dinheiro apostado, o que dependendo da localização, projeção, nome do cassino ou estação do ano, pode representar alguns milhões de dólares a cada mês. A segunda - quando a bolinha se aloja no setor representado pelo zero. Neste caso, perdem todos que apostaram nos outros números e possibilidades, só faturando mesmo aqueles que depositaram suas fichas exclusivamente no zero.

"Se você entrar num cassino com esperanças de ganhar - você perderá; se pretender passar o tempo e só empatar - você perderá; se pretender perder mesmo, nem se fala…"

A expressão "quebrar a banca" foi concebida em Mônaco, no início do século XX, com o objetivo de atrair milionários ávidos por emoções fortes. Levando em conta que a freqüência ao Cassino de Monte Carlo não vinha correspondendo ao esperado em determinada temporada, a direção inovou: cada mesa de roleta disporia de um cacife altíssimo de fichas, não havendo reposição em caso de perda. Se porventura algum jogador mais arrojado e sortudo(!) conseguisse apoderar-se de todas essas fichas, "quebraria a banca" e, um pano preto - numa inequívoca simbologia funérea, de ruína, de pseudoderrota do Cassino - seria disposto sobre a mesa fatídica, para glória e júbilo do ganhador, além de transformar-se em assunto obrigatório nos elegantes salões em que se reunia a elite européia, em plena belle époque.

A idéia alcançou um sucesso estrondoso: os milionários afluíram em massa a Mônaco, na tentativa de "quebrar a banca", probabilidade, diga-se de passagem, remotíssima. Alguns conseguiram a proeza, na verdade mais retórica do que financeira; a pujança da família Grimaldi, cada vez mais firme e mais rica no comando do minúsculo principado é a prova cabal disto. Em contrapartida, àquela mesma época, o número de suicídios de milionários (leia-se ex-milionários) aumentou consideravelmente e, pressionados pelas autoridades francesas, os banqueiros tiveram que renunciar a genial (e enganosa) idéia, mas a expressão perdura até os nossos dias. Os intelectuais, daquele início de século, sem televisão para assistir à noite, discutiam aberta e acaloradamente nos cafés - quem teria cometido hybris: os suicidas ou os banqueiros?
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- continua -

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Quebrar a Banca . Parte II

Davi Castiel Menda

 - continuação -

"Existe uma fórmula facílima de sair com uma pequena fortuna de um Cassino; basta entrar com uma grande fortuna."

 Uma das tentativas mais emocionantes de "quebrar a banca", a qual tive a felicidade de vivenciar, foi coletiva e inconsciente, e pelo inusitado, até os detalhes posso fornecer: 18 de fevereiro de 1963, no cassino de Rivera, cidade uruguaia fronteiriça com Santana do Livramento. O público era exatamente o oposto dos habitués famosos e endinheirados de Monte Carlo: uma mescla de turistas de classe média e moradores locais.

A noite chegara naquele limite invisível em que os ganhadores se preparavam para uma saída sorrateira, vitoriosa, com os lucros enrustidos e, os perdedores, procuravam por uma tábua de salvação, um último expediente para aquela situação aflitiva, que tanto poderia ser um número ganhador, ou até, quem sabe, um empréstimo com algum amigo magnânimo.

"Para conseguir um empréstimo com o gerente do Cassino, basta você provar que não precisa."

Muitos apostadores, cientes de que o zero era favorável à banca, invertiam a situação, nele apostando suas fichas, figuradamente aliando-se ao inimigo, aliás, um comportamento perfeitamente válido, ético e inteligente.

- "Zero" - anunciou um dos crupiês da mesa um - e apressou-se a pagar aqueles que haviam apostado suas fichas e esperanças no número fatídico, o número que não é par nem ímpar, não tem cor, não pertence a nenhuma coluna ou dúzia, e como asseveram alguns jogadores em devaneios lúgubres-poéticos, o número que não tem alma… Até aí nada demais; porém, instantes depois, lançada a bolinha e, apesar de existirem outros trinta e seis números no cilindro, esta insistiu em cair pela segunda vez consecutiva no mesmo local: zero!

O terror dos banqueiros é a repetição. Nenhum apostador conscientemente retira as fichas posicionadas num número que tenha originado lucro - pelo contrário, o costume é adicionar mais algumas - e a estas fichas acresçam-se as apostas de outros jogadores. Dois zeros seguidos, todavia, não eram necessariamente motivos de preocupação para um cassino que se preze e tal fato, na verdade, sempre é uma atração na monótona sucessão de números da roleta. Entretanto, sem que ninguém imaginasse, o drama, do ponto de vista da banca, começava a ser escrito.

Novo giro da bolinha de marfim; o suspense tomando conta de todos e o resultado, num misto contraditório de esperado e surpreendente: "Zero" - explodiu mais uma vez a voz do crupiê. "Zero" - gritaram os mais próximos da mesa provocando eco, e a algazarra, apesar do ambiente tradicionalmente sóbrio, foi generalizada. Fatídico momento para a banca - era, indiscutivelmente, o dia da caça! O terceiro zero!

"O momento em que dá o seu número de sorte na roleta, três vezes consecutivas, coincide com o momento exato em que você não tinha mais fichas para apostar. "

Os jogadores acotovelavam-se compactamente sobre o zero, causando, naquele momento e naquele lugar, a maior concentração demográfica por metro quadrado do planeta. A área destinada às apostas - no zero propriamente dito - estava totalmente encoberta por cascatas, montanhas de fichas que se acumulavam sobre o número - empregando um jargão turfístico - tríplice coroado. O crupiê responsável pelo arremesso da bolinha que deveria, pelo menos, tentar aparentar calma e neutralidade, parecia que a encarava e ao cilindro, mirando, calculando vetores, velocidade, tempo, peso e até mesmo a direção do vento, como se este fenômeno atmosférico fosse possível num cassino. A situação era insólita e as evidências daquela atitude fantasiosa apontavam para um objetivo básico: não acertar o zero! Mesmo a banca tendo trinta e seis números a seu favor e apenas o zero contra (numa inversão de valores por tudo o que foi dito até agora), "eles" estavam com medo! Aquele ar de nonchalance que cinge os crupiês - e que invejamos, pobres mortais que somos - tinha sumido como por encanto.

Roleta girando numa direção e a bolinha em sentido contrário, na sua trajetória inicialmente circular e transmudando-se numa espiral ao perder velocidade, mansamente, hipnotizando pela sua lentidão; et por cause, alojando-se novamente no zero, pela quarta vez consecutiva, num gesto de fidelidade absurda para os banqueiros, mas enlouquecidamente festejado pelos apostadores.

"Se você estiver ganhando num Cassino, não se preocupe. Isso passa."

Estávamos vivenciando uma situação invulgar, logrando um sucesso financeiro de dar inveja aos magnatas de Punta Del Este, Monte Carlo, Las Vegas, numa revanche sem precedentes por todos os reveses sofridos ao longo de anos e anos de derrotas. Os freqüentadores, os apostadores e inclusive os próprios crupiês (graças às gorjetas mais do que generosas), naquele instante, se sentiam irmanados, pouco se importando com lucros ou perdas - o que contava agora era o momento, um momento histórico, mágico e inédito, de transe, de orgasmo, de euforia incontida.

E por mais incrível que possa parecer, pela quinta vez consecutiva, a bolinha se aninhou mais uma vez no zero. O pagamento, pela quantidade de ganhadores, se prolongou por um bom quarto de hora, tarefa que normalmente é executada pelos crupiês em apenas um ou dois minutos.

Faço uma pausa para informar que, segundo o Guiness Book, o recorde de repetição na roleta pertence ao número sete, por seis vezes consecutivas. As probabilidades de uma sêxtupla repetição de um número qualquer? Trinta e sete na 5a. potência ou seja, uma chance em 69.343.957.

Felizmente para a banca, o fenômeno cessou por aí. Seria demais pedir pelo milagre de um sexto zero. Pelo menos naquela noite, aproximadamente trinta pessoas, ganhando (simbolicamente) verdadeiras fortunas, vingaram todos aqueles cúmplices e solidários apostadores do mundo inteiro, que quando se reúnem, visam um objetivo único: vencer o sistema, ganhar da banca! Desta vez deu certo, com requintes de perversidade: com o número "deles"…

criado por projetosnumericos    10:27 — Arquivado em: Destaques em 2006, Jogos & Loterias

4/12/06

Lei de Conservação da Inteligência

Davi Castiel Menda

“Imagine se afirmássemos que o hominídeo da espécie Homo neanderthalensis, mais conhecido como Homem de Neanderthal, teria o QI de um Einstein ou um Da Vinci comparado à inteligência do homem comum dos nossos dias"!

Segundo a Lei de Conservação da Inteligência, o somatório da inteligência humana é constante. Raciocinando matematicamente, a Lei afirma que a soma da inteligência dos oito bilhões de habitantes da terra é igual a variável I. Quando em breve, a população da Terra atingir 10, 12 ou 20 bilhões de pessoas, pelo enunciado da citada Lei, o total permanecerá inalterável, o mesmo I.

Partindo da suposição que esta premissa seja verdadeira, e considerando o crescimento da população em progressão exponencial - dobrando a cada 35 anos – deduzimos que o Homem cada vez mais e mais está regredindo na sua capacidade de resolver situações novas mediante reestruturação dos dados perceptivos, que em suma é o que convencionamos chamar de inteligência. Entretanto, compensado pelo avanço tecnológico, numa escala sem precedentes desde que o homem é Homem, este declínio praticamente não é notado, propiciando então um duvidoso equilíbrio que mascara a deficiência da apreensão, percepção e intelectualidade em benefício da tecnologia.

Afirmam os compêndios que o Homem só utiliza 10% da sua inteligência, mas em tempos idos, quando a tecnologia era praticamente nula, provavelmente este índice deveria ser próximo dos 100%. É de se conjeturar que o Homem sofra um bloqueio repressivo – por fenômenos naturais seletivos – no processo de utilização de toda sua potencialidade e intelecto em decorrência da explosão demográfica incontrolável. Seria este pobre índice de 10% responsável pelo Homem ser mais emotivo do que racional?

Um deslocamento pelo túnel do tempo ao passado, nos conduz às conquistas humanas em épocas desprovidas de quaisquer recursos tecnológicos, indicativos que os povos que viveram séculos antes de nós, seguramente eram mais criativos e inteligentes.

Eram inúmeras as dificuldades vividas e enfrentadas pelos antigos: ausência de bibliografia e fontes de consulta, falta de divulgação e discussão dos seus trabalhos, incompreensão dos contemporâneos e, sobretudo, nos continentes europeu e americano, o temor de que as novas teorias não se entrechocassem com as diretrizes da Igreja, que dominou boa parcela do mundo e o pensamento do Homem por mil anos.

Na matemática, a ciência das ciências, perdemos por larga margem. Quem dos leitores, com todo o seu conhecimento e cultura, mesmo o autor o liberando para utilizar o seu computador pessoal e bibliografia em geral, teria condições de chegar ao valor de PI? (Lembro que em 1983, fazendo parte da Codimex, uma das primeiras fábricas de computadores pessoais do país, fomos convidados a dar palestra numa escola, versando sobre Informática, com público estimado em 300 alunos. Citando a presente teoria e instigados a demonstrar como chegar ao valor de PI – que aparentemente todos já nascem sabendo - e a título de incentivo, prometendo como prêmio um computador ao primeiro que resolvesse a questão, nenhum aluno - todos do segundo grau - sequer se habilitou à recompensa. Debite-se também, aos desafiados, o fato de conhecerem de antemão a resposta do problema (3,1416). Mesmo a corrida dissimulada de alguns mais espertos aos professores presentes, não resultou em nada…). Entretanto, a história nos revela que muitos séculos antes da era cristã, vários povos já dominavam e usavam o PI em seus cálculos, com uma precisão admirável, levando em conta a época.

A Astronomia é outro exemplo fabuloso. Sem telescópios, sem tábuas logarítmicas, sem réguas de cálculo, sem computadores, os antigos sem dúvida deram um espetáculo à parte (excetuando-se um ou dois astrônomos que isoladamente pregavam a teoria geocêntrica), prevendo eclipses, calculando órbitas dos planetas e cometas, identificando constelações, estabelecendo o valor das epactas.

No Xadrez, hobby em que os bons resultados são diretamente proporcionais à inteligência de quem o pratica, nunca obteremos jogadores superiores – no conjunto – aos que viveram na segunda metade do século 19, como no futuro não teremos tão bons jogadores como os de hoje, e assim sucessivamente, mesmo sendo cada vez maior o número de simpatizantes. Cresce a população, aumenta em proporção o número de jogadores, mas paradoxalmente diminuem os grandes mestres e suas jogadas geniais! Nomes como Lowenthal, Steinitz, Tchigorin, Tarrasch, Lasker, Maroczy, Rubinstein, e mais recente Capablanca, viveram numa época privilegiada, quando quantitativamente o número de habitantes da Terra era impressionantemente menor do que o atual.

Onde estão presentemente os cérebros capazes de realizar a proeza de enfrentar até 50 adversários simultaneamente, às cegas, como Philidor, Morphy, Pillsbury, Tartacover e Breyer? Comparando partidas clássicas disputadas nos fins do século 19 - quando para diversos analistas o Xadrez atingiu o seu apogeu – com as melhores do século 20, nos posicionamos ao lado dos analistas! E, a preocupação primordial no presente, não é gerar bons enxadristas e, sim, cada vez mais, melhorar o desempenho de computadores especificamente produzidos na tentativa de derrotar grandes mestres. É a forma sub-reptícia de manter o equilíbrio entre os componentes menos-inteligência / mais-tecnologia.

Estes são só alguns poucos exemplos; poderíamos nos dedicar a escrever páginas e páginas de situações que demonstram serem os povos antigos infinitamente superiores a nós na área da inteligência, a não ser que tencionemos dar crédito à teoria, exaustivamente propagada pelos escritores Erich von Däniken (Eram os Deuses Astronautas?) e Peter Kolosimo (Não é Terrestre) que tentaram demonstrar que a “sabedoria” dos povos antigos era proveniente de ensinamentos ministrados por habitantes oriundos de outros planetas, o que é discutível.

A Lei de Conservação da Inteligência, do princípio ao fim, é um tema polêmico. É fácil aceitarmos, respeitosamente, a sabedoria de nossos pais e avós, mais pela experiência e vivência, afirmação espirituosamente fundamentada pelo conhecido ditado espanhol “El diablo sabe más por viejo do que por diablo”. Não é o caso; estamos falando de inteligência, e inconscientemente, com o nosso orgulho ferido, nos posicionamos na defensiva, em situação de xeque. O enunciado da Lei não envolve somente ascendentes próximos – é muito mais amplo e extenso - e fica difícil que reconheçamos, em qualquer época ou situação, que o Homem que viveu há 200, 1.000 ou 10.000 anos fosse mais inteligente: a negativa pura e simples resolveria o imbróglio e a consciência e Inteligência do Homem estariam preservadas!

Imagine agora, concluindo, se afirmássemos que o hominídeo da espécie Homo neanderthalensis, mais conhecido como Homem de Neanderthal, teria o QI de um Einstein ou um Da Vinci comparado à inteligência do homem comum dos nossos dias! Você aceitaria?

criado por projetosnumericos    14:00 — Arquivado em: Crônica, Destaques em 2006

25/11/06

Por uma graça alcançada

Davi Castiel Menda

Acho que um escritor pode ter suas simpatias e – por mais incrível que pareça – antipatias, como qualquer outro, por aquilo que escreve. Por extensão, e mais justificadamente ainda, os leitores têm as mesmas prerrogativas. Meu bom e dileto amigo Julio César Dreyer Pacheco tem uma preferência instigante pela historinha abaixo e, mesmo escrita há mais de 15 anos, até hoje, a cada vez que nos encontramos, faz questão de lembrá-la, positivamente. Deve ser boa…

Lá pela década de 60, era fato corriqueiro os jornais de Porto Alegre publicarem a fotografia de determinado sacerdote, sempre acompanhada de agradecimentos por uma graça alcançada. Aparentemente o Padre Reus – este o nome do milagreiro – era bom mesmo, visto que milhares e milhares de fotos suas foram estampadas ao longo dos anos, para alegria e gáudio dos proprietários de jornais.

Verdadeiras romarias, muitas vezes a pé, se deslocavam desde Porto Alegre e circunvizinhanças ao seu túmulo, localizado na cidade de São Leopoldo, o que não deixava de ser uma aventura, visto que a distância que separa as duas cidades é de aproximadamente 35 quilômetros.

Por um destes acasos do destino, morei durante um curto espaço de tempo - dois meses para ser mais preciso - exatamente em frente à Igreja que abriga o túmulo do Padre Reus. Abstraindo o fato de professar religião diversa, não poderia deixar de visitá-lo, sabedor de que tantos peregrinos se deslocavam quilômetros e quilômetros para formular ao santo homem um pedido, e eu ali a dois passos…

E no primeiro domingo disponível, lá estava eu, travestido de romeiro, percorrendo a suntuosa construção. Credos à parte, a exemplo das dezenas de pessoas que lá estavam, formulei o meu pedido, em voz baixa naturalmente: “Considerando que até hoje não consegui ganhar na Loteria Esportiva, mesmo tentando há muitos anos, caso eu acerte, construirei outra Igreja igualzinha a esta”.

Pedido feito, pedido atendido! Naquela tarde mesmo, pela primeira vez na minha vida, coincidência ou não, atingi os tão sonhados 13 pontos. Infelizmente, o prêmio foi rateado entre milhares de acertadores, possivelmente devotos de outros santos e santas espalhados por este nosso imenso país. Lamentavelmente, o lucro obtido não comportava comprar sequer um tosco banco, que dirá construir uma nova Igreja!

Mas não me dei por vencido; durante a semana, lá estávamos nós novamente dialogando, desta vez já com mais intimidade: “Padre Reus, o problema é o seguinte: fiz uma promessa, mas não poderei cumpri-la já que o prêmio foi baixíssimo. E colocando na ponta do lápis, cheguei a conclusão de que, mesmo acertando sozinho, seria inviável construir uma nova Igreja semelhante a esta. Portanto, desta vez vamos combinar os detalhes comedidamente: preciso ser o único acertador, e então mando erigir uma capelinha caprichada – lugar a escolher”.

E mais uma vez, pela segunda semana consecutiva, acertei os 13 pontos. Não foi também desta vez quer consegui atingir o status de milionário. O prêmio aumentara sensivelmente, mas não o suficiente para melhorar de vida, e muito menos construir a igrejinha prometida. Pelo menos, uma família pobre das redondezas foi agraciada com o que hoje chamamos de cesta básica.

Poucos dias depois, por motivos profissionais, mudei de cidade e não tive outra oportunidade de voltar ao túmulo e à Igreja. Porém, do jeito que as coisas andam, muito em breve precisarei ir a São Leopoldo e, desta vez, com uma proposta melhorada: “Padre Reus, meio a meio!”

criado por projetosnumericos    9:56 — Arquivado em: Destaques em 2006, Humor, Jogos & Loterias

20/11/06

Banquetes Bizarros

Davi Castiel Menda

Os hindus afirmam: Anam Brahma, a comida é divina. Assim, com profundo respeito, você come, e enquanto estiver comendo, esqueça-se de tudo, porque isso é uma prece, é uma grande arte: saborear a comida, sentir os aromas da comida, tocar a comida, mastigar a comida e digeri-la como alguma coisa divina.

Sempre gostei de comer bem: comida chinesa, japonesa, grega, turca, francesa, alemã, italiana, churrasco – ah, o churrasco! – espanhola, judia (kosher ou não), tailandesa, frutos do mar, árabe, e até o tradicional arroz-com-feijão bife e batatinha frita; enfim, tudo que é bom. Entretanto, não é o mais caro ou o mais gostoso que é o melhor – comer bem é comer aquilo que satisfaz aos olhos já que os olhos são o primeiro contato que temos com o alimento – só depois vem todo o resto: cheiro, paladar, toque, satisfação.

Mas falando em comida, lembrei-me de uma secretária que trabalhava na nossa casa, dona Clara, que tinha excessiva curiosidade em conhecer tudo sobre culinária e que, pela sua ingenuidade, praticamente “fugiu” do emprego, apavorada, pelos pratos bizarros – segundo a sua ótica - que seus patrões, no caso eu e minha mulher, ingeriam!

Ato primeiro: você já ouviu falar em halwa? É um doce árabe, em formato de pasta, feito com nozes, óleo de gergelim e outras iguarias – é uma loucura! Conta a lenda que o meu tio-avô Salvador adorava halwa (era um petisco caro e difícil de conseguir no Brasil na década de 30), e descobriu que a doméstica que trabalhava na sua casa avançava no tal doce mais do que devia. Solução: estando a moça por perto, abriu a lata e exclamou: “- Alguém está usando o meu remédio para calos!” Foi o que bastou para que nunca mais a mocinha sequer olhasse para o cobiçado doce. Aproveitando a sábia experiência do meu tio, usei do mesmo artifício em casa, até o dia em que a dona Clara nos viu, espantada, saboreando o halwa, que eu mesmo afirmara ser um remédio para calos!

Ato segundo: bem próximo onde morávamos, está localizado o famosíssimo Bar Arthur, sendo uma das suas especialidades o “sanduíche a tartar”, ou seja, pão e carne crua, devida e convenientemente temperada. Certa dia, ao invés de comer no barzinho, levei o sanduíche para casa e a dona Clara, ao tomar conhecimento dos ingredientes, passou a chamar-nos de canibais (!). Presumo que ela quisesse, na verdade, dizer omófagos - provavelmente o termo lhe fugiu no momento - mas achei conveniente e menos esclarecedor deixar por canibais mesmo, vai que ela confunde com hematófago…

Ato final: pouco tempo depois desses curiosíssimos acontecimentos culinários, recebemos de presente uma caixinha de tâmaras. A bem da verdade, para quem não conhece - caso da dona Clara - de longe, uma tâmara tem o mesmo aspecto achatado e oval, tamanho e cor de conhecido ortóptero onívoro, e ela, ao perguntar o que estávamos comendo, e já se antecipando com um gesto de repugnância, recebeu, como resposta, exatamente o que ela estava imaginando. Foi a gota que faltava para que apresentasse sua demissão imediata, em caráter irrevogável e irretratável.

Desconheço se dona Clara era fofoqueira, mas depois da sua saída, os moradores do nosso bairro - e principalmente as domésticas – coincidência ou não, ao passar por nós, procuravam manter uma certa distância respeitosa…

criado por projetosnumericos    8:34 — Arquivado em: Destaques em 2006, Humor

4/10/06

A urna eletrônica é confiável?

Ilton Carlos Dellandréa  *

Um computador, por mais protegido que seja, é vulnerável a vírus e invasões cujos métodos se aperfeiçoam na proporção dos aplicativos protetores. A urna eletrônica usada nas eleições do Brasil é semelhante a um micro. É programada por seres humanos e seu software é alterável de acordo com as peculiaridades de cada pleito. Por ser programável pode sofrer a ação de maliciosos que queiram alterar resultados em seus interesses e modificar o endereço do voto com mais facilidade do que remeter um vírus via Internet. Além disto, pode desvendar nosso voto, pois o número do título é gravado na urna.

Há vários tipos de fraude. Por exemplo: é possível introduzir um comando que a cada cinco votos desvie um para determinado candidato mesmo que o eleitor tenha teclado o número de outro.

Talvez eventuais alterações maliciosas sejam detectáveis a posteriori. Mas descobrir a fraude depois de ocorrida não adianta. O importante é prevenir.

A preocupação com a vulnerabilidade da urna eletrônica é antiga. Pode ser acompanhada no site www.votoseguro.org, mantido por técnicos especializados, engenheiros, professores e advogados que defendem que a urna eletrônica virtual - que não registra em apartado o voto do eleitor e que será usada nas próximas eleições - admite uma vasta gama de possibilidades de invasões, sendo definitivamente insegura e vulnerável.

O engenheiro Amílcar Brunazo Filho (especialista em segurança de dados) e a advogada Maria Aparecida Cortiz (procuradora de partidos políticos) lançaram, há pouco, o livro Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico, pela All Print Editora, que é no mínimo inquietante. Mesmo para os não familiarizados com o informatiquês ele leva a concluir que as urnas eleitorais brasileiras podem ser fraudadas.

São detalhados os vários modos de contaminação da urna e se pode depreender que, se na eleição tradicional, com cédulas de papel, as fraudes existiam, eram também mais fáceis de ser apuradas, pois o voto era registrado. Agora não. O voto é invisível e, como diz o lema do Voto Seguro: eu sei em quem votei, eles também, mas só eles sabem quem recebeu meu voto, de autoria de Walter Del Picchia, engenheiro e professor titular da Escola Politécnica da USP.

O livro detalha a adaptação criativa de fraudes anteriores, como o voto de cabresto e a compra de votos, e outros meios mais sofisticados, como clonagem e adulteração dos programas, o engravidamento da urna e outros. São possíveis fraudes tanto na eleição, como na apuração e na totalização dos votos.

Os autores mostram que a zerésima - neologismo criado para definir a listagem emitida pela urna antes da votação com os nomes dos candidatos e o número zero ao lado, indicando ausência de votos, na qual repousa a garantia de invulnerabilidade defendida pelo TSE -, ela própria pode ser uma burla, porque é possível imprimir o número zero ao lado do nome do candidato, e ainda assim haver votos guardados na memória do computador (página 27).

O livro não lança acusações levianas. Explica como as fraudes podem ocorrer e apresenta soluções, ao menos parciais, como o uso da Urna Eletrônica Real - que imprime e recolhe os votos dos eleitores em compartimento próprio - ao contrário da urna eminentemente virtual, que não deixa possibilidade de posterior conferência.

O mais instigante é que os autores e outros técnicos e professores protocolizaram no TSE pedidos para efetuar um teste de penetração para demonstrar sua tese e eles foram indeferidos, apesar da fundamentação usada (no site Voto Seguro pode se ter acesso ao teor do pedido).

Cita-se Relatório Hursti, da ONG Black Box Voting, dos EUA, em que testes de penetração nas urnas-e TXs da Diebold demonstraram que é perfeitamente possível se adulterar os programas daqueles modelos e desviar votos numa eleição (página 25). Pelo menos 375 mil das 426 mil urnas que serão usadas nas eleições de 2006 são fabricadas pela Diebold. Elas foram recusadas nos EUA e no Canadá.

É óbvio que a fraude não necessariamente ocorrerá. A grande maioria dos membros do TSE e dos TREs, desde o mais até o menos graduado, é honesta e, por isto, podemos dormir em paz pelo menos metade da noite.

Mas depois que se descobriu que o Poder Judiciário não é imune à corrupção - veja-se o caso de Rondônia - nada é impossível, principalmente no campo eleitoral. Por isto é incompreensível a negativa do TSE em admitir o teste requerido e, o que é pior, insistir em utilizar a Urna-E Virtual com apoio na Lei n. 10.740/03, aprovada de afogadilho e sem o merecido debate, ao invés da mais segura Urna Eletrônica Real.

Se não é certo, em Direito, dizer que quem cala consente é, todavia, correto dizer que quem obsta o exercício de um direito é porque tem algo a esconder. Ou, por outra, que algo aconselha a ocultação. Ou porque - e agora estou me referindo ao caso concreto - se intui que pode haver alguma coisa de podre no seio da urna eletrônica que poderia provocar severas desconfianças às vésperas do pleito.

* Desembargador aposentado do TJRS, foi Juiz Eleitoral em Iraí, Espumoso, Novo Hamburgo e Porto Alegre.

O site do autor deste texto é http://dellandrea.zip.net

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19/9/06

As urnas eletrônicas e a zerézima

Davi Castiel Menda

"Se você acredita que a tecnologia pode resolver seus problemas de segurança, então você não conhece os problemas e nem a tecnologia."
Bruce Schneier

O Titanic, em sua viagem inaugural, ao zarpar de seu porto de origem, ostentava o título de insubmergível, e era tanta a autoconfiança do engenho humano, que os jornais da época afirmaram que "Nem Deus poderia afundar esse navio". Bill Gates, o papa da informática, em 1981, nos brindou com a pérola "640 kb de memória é mais do que suficiente para qualquer um". Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943: "Penso que há talvez no mundo um mercado para cinco computadores". Mas a campeã das afirmações estapafúrdias deva ser creditada a Charles Duell, Diretor do Departamento de Patentes dos Estados Unidos, em 1899: "Tudo que podia ser inventado, já o foi", propondo inclusive o fechamento dos escritórios que dirigia. Pelos exemplos, concluímos, já no início do artigo, de que afirmações exageradamente desmedidas tendem, com o passar do tempo, a mostrar-se equivocadas, quando não beirando ao ridículo.

Implantada no Brasil em 1996, a votação eletrônica, segundo o TSE, baniu de vez a possibilidade de fraude eleitoral, com a afirmação dogmática de que o sistema é seguro, indevassável. Entretanto, estas condições até hoje são questionadas por estudiosos, programadores, os próprios partidos, e porque não, por boa parcela da população brasileira.

Alguns defensores das urnas eletrônicas, na ânsia de afirmar que o sistema é infalível, declaram com ares de ufanismo simplório que o Brasil, ao comercializá-las para outros países, está exportando democracia(!), embaralhando comércio e tecnologia com patriotada. Paulo Gustavo Sampaio Andrade, editor do site Jus Navigandi, traduz de forma muito simples e direta a opinião de quem põe em dúvida a assertiva governamental: "Se o sistema eletrônico eleitoral é imune a fraudes, considerada uma suposta perfeição técnica e a natureza biológica das pessoas envolvidas" - compara ele - "o sistema financeiro já teria adotado o projeto e contratado as pessoas que criaram e utilizam o sistema eleitoral eletrônico para pôr fim aos inúmeros golpes existentes, por exemplo, nos caixas eletrônicos e nos bancos via internet".

A desconfiança baseia-se em dois pontos cruciais. O primeiro, é saber se realmente o voto digitado a um determinado candidato é efetivamente computado e creditado a ele. O segundo questionamento é a probabilidade de violação da identidade do eleitor, a exemplo do acontecido em recente episódio no Senado, quando determinado grupo teve acesso a quem votou em quem.

O Eng. Amílcar Bruzano Filho, um especialista na área, compara a urna eletrônica à "uma máquina de votar inauditável, uma verdadeira caixa preta da qual nenhum partido político, fiscal ou auditor externo ao TSE, jamais teve acesso para conferir sua integridade". E complementa Bruzano: "o que o TSE chama de auditoria é colocar alguém em frente à urna. Isso não é o processo de exame de um sistema, mas um artifício. Um show".

O povo em geral - onde eu me insiro - pouco acesso tem ao assunto, mas pesquisando, toma-se conhecimento de que existem dois Sistemas Operacionais vigentes: o VirtuOs (que pertence a uma empresa privada) e o Windows CE, com mais de seis mil programas e dois milhões de linhas de código, tornando muito difícil a sua análise, se é que estão disponíveis. Esta falta de transparência é que compromete o primeiro pilar de um legítimo processo eleitoral: a votação. Os outros dois são a apuração e a fiscalização. A fase de apuração nos remete às eleições de 1982 no Rio de Janeiro e a famigerada Operação Proconsult, nome da empresa encarregada de proceder à apuração e que teve como objetivo "virar" os resultados de uma eleição já ganha por Leonel Brizola sobre o candidato do Governo federal na época, Moreira Franco. A sistemática consistia em sonegar os resultados da capital (dois terços do eleitorado), onde Brizola alcançara 70% dos votos, e só divulgar uma média da apuração no interior do estado, onde Moreira era majoritário. Não fosse a pronta intervenção de Brizola, exigindo falar à nação pela Rede Globo - que insistia em divulgar a vitória de Franco - a história seria diferente. Quanto à fiscalização, é totalmente inócua - se é que existe - fautor que provoca a incredulidade no sistema.

Existem n maneiras possíveis de fraude na votação, o TSE tem a obrigação de conhecê-las e toda a comunidade digital espera que as coíba com sucesso, mas nada impede de enumerá-las: clonagem de urnas; engravidamento da urna, com mesários em conluio na ausência de fiscais; fraude na apuração, já que o boletim de urna impresso quando do encerramento da eleição nem sempre é entregue ao fiscal; possibilidade de fraude no programa implantado na urna; adulteração dos programas originais implantados nas urnas; e por último, o maldito vírus - e por trás dele os crackers - que tanto mal tem causado em todas as áreas de atuação onde o computador está presente.

Mas afinal, o que é zerézima, presente no título deste artigo? É o neologismo criado pelos técnicos do TSE para indicar que cada candidato, no início do processo eleitoral, tem na verdade zero votos. É a garantia de que todos partem realmente do zero. Lamentavelmente, não é garantia nenhuma, já que qualquer programador, mesmo principiante, sabe perfeitamente que é possível digitar algo, a impressora reproduzir este algo, mas armazenar "o que se quer" na memória do computador. É uma pena que toda a garantia que o TSE nos ofereça seja apenas a zerézima, ou seja, zerézima garantia.

criado por projetosnumericos    9:07 — Arquivado em: Destaques em 2006, Opinião, Política

2/3/06

Charges Humor e Petróleo

Davi Castiel Menda

Os judeus, nos últimos 5700 anos, já foram acusados de tudo: responsáveis pela crucificação de Jesus, de dominar a economia e a política, da fome, de comer criancinhas, de causar a peste negra, enfim, de todos os males do mundo. (Abrindo um parêntese tragicômico: em recente conversa, na zona rural onde resido, se comentava sobre o abandono de cães nas ruas - que em nosso município atinge níveis alarmantes - quando uma das minhas vizinhas, desconhecendo minha ascendência judaica e afeição e carinho que tenho pelos cães , desferiu esta pérola ignorantim: "- Vocês não acham que os culpados por isso são os judeus?!").
Mais uma vez a intolerância se faz presente, e em contrapartida pelas charges publicadas num jornal dinamarquês, o islã se volta contra os judeus e Israel, culminando com o lançamento, numa atitude aberrante, injustificável e repugnante, de um concurso de charges sobre o Holocausto, ridicularizando aquela que foi a maior provação dos judeus no mundo moderno. Na verdade, concurso que se contradiz, tendo em vista que os dirigentes do islã vêm propagando a inexistência daquela matança bestial e desumana, maculando a memória dos seis milhões de judeus e outras minorias que morreram, e pior ainda, ofendendo seus sobreviventes e descendentes, tentando alterar uma (triste) realidade histórica.
Esquecem - ou fingem esquecer - os dirigentes do islã, que cotidianamente, jornais e revistas do mundo muçulmano, publicam charges contra os judeus, normalmente de péssimo gosto, ofensivas, e invariavelmente seguindo o mesmo padrão e objetivo: varrer Israel do mapa e morte aos israelenses! Nem por isso, os judeus espalhados pelo mundo, saem pelas ruas incendiando embaixadas e ameaçando indiscriminadamente, a tudo e a todos, com atos de terrorismo. O povo judeu tem aceitado a tudo isso com estoicismo, pois no seu histórico, apesar de todas as desventuras, jamais deixou de manter um modelo de humor peculiar. A prova maior, que dá força a esta afirmação, foi a atitude heróica e satírica com que enfrentou o Holocausto (que existiu sim - infortunadamente! - senhores do islã), por intermédio de peças de teatro, paródias de músicas conhecidas, piadas, charges. Itamar Levin, no seu livro Através das Lágrimas - Humor Judaico Sob o Regime Nazista afirma que "Os nazistas pretenderam desumanizar os judeus para facilitar o massacre. Então, quando um judeu contava uma piada durante o Holocausto, era uma forma de resistência. O ser humano é o único animal com senso de humor. Se você ri, você é humano".
O motivo oculto de todo este imbróglio tem nome e sobrenome: óleo de pedra. Lamentavelmente o povo islâmico, o povo mesmo, vem sendo enganado por dirigentes ditatoriais (não todos, mas uma grande maioria), que vem amealhando e acumulando fortunas pessoais com o petróleo, ao invés de usar estes recursos em benefício da população. Qualquer um de nós, que tenha um mínimo de discernimento, não desconhece de que a exploração do petróleo tem duração programada e efêmera - talvez uns 40 anos ou até menos - e quando este dia-ômega eclodir, os atuais "donos do petróleo", e/ou seus descendentes, estarão com a sua vida financeira resolvida. O povo voltará ao estado de miserabilidade, pela insensibilidade atual de seus governantes, que usando dos mesmos argumentos por demais conhecidos e utilizados por Hitler na Alemanha - culpando os judeus por tudo de ruim que acontece ao mundo (islâmico) - vão habilmente ludibriando a massa.
Para encerrar, responda rapidamente, sem pestanejar: quem detêm as contas bancárias onde estão depositados os bilhões e bilhões de petrodólares que poderiam ser empregados em proveito do sofrido povo árabe/muçulmano/palestino - os judeus ou os xeiques?

Publicado em Zero Hora (14.fevereiro.2006)

criado por projetosnumericos    13:24 — Arquivado em: Destaques em 2006, Opinião

28/2/06

Mega Sena

Davi Castiel Menda

Sempre que você aposta seu rico dinheirinho, ganho com o suor do seu rosto, você tem dois objetivos em mente: o primeiro, é vencer o sistema - ganhar; o segundo, ficar rico (caso você já não seja). Mesmo que a sua aposta seja de valor reduzido, que não influirá no seu orçamento doméstico, você está inserido nestas duas hipóteses. A diferença está no tipo de aposta que você faz.
Como exemplo, vamos usar aquele que gosta de raspadinhas (o jogo!). Aposta "inofensiva", muitas vezes custando uma moedinha de R$ 0,50, que não faz falta a ninguém. Você compra, sonha que vai ganhar, raspa, e o sonho acabou… Sua esperança, seu sonho de abocanhar algum prêmio, durou pouco mais de cinco segundos. Na verdade, um sonho caríssimo, pois para mantê-lo aceso permanentemente, você precisará ficar adquirindo mais e mais raspadinhas, e aquela inocência apregoada inicialmente vai para o espaço. Outros jogos também se enquadram nesta situação.
Em contrapartida, ao apostar numa mega sena, paradoxalmente - por ser o jogo mais difícil de acertar no país - o seu sonho de enriquecer tem um custo módico: na hipótese de você ter apostado na quinta-feira, dura até o sábado, dia do sorteio. Apenas 1 real e cinqüenta centavos lhe garantem o prazer, a satisfação, a esperança de igualar-se em fortuna aos maiores milionários do país, por três dias. É a relação custo/benefício mais em conta que existe, mesmo considerando a dificuldade de acerto. Vale neste momento lembrar a visão otimista dos cúmplices e solidários apostadores: mesmo apostando um único cartãozinho, você só tem duas possibilidades na Mega Sena - 50% de chances de acertar e 50% de chances de errar, já que as coisas acontecem ou não acontecem. Já a pessimista nos transporta a uma realidade sombria e lúgubre, a que a chance de acerto das seis dezenas é de 0,000002%, ou seja, uma em 50 milhões.
Só posso desejar muito boa sorte a quem tentar mais uma vez, como eu, ganhar a bolada que está acumulada para o sorteio de logo mais.

criado por projetosnumericos    4:40 — Arquivado em: Destaques em 2006, Jogos & Loterias
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