11/11/08
Jogos de Sorte ou Azar?
Davi Castiel Menda
"Há duas ocasiões na vida em que uma pessoa não deve jogar: a primeira, quando não tiver posses para isso; a segunda, quando tiver". - MarkTwain
Poucos devem lembrar do fatídico 30 de abril de 1946, quando o Marechal Dutra, pressionado pela carolice de sua mulher e matreirice do seu ministro da Justiça, puseram o jogo na ilegalidade, fechando os cassinos existentes no país. Teriam sido estes realmente os motivos?
Voltemos no tempo: se não fossem os Cassinos da Urca, do Copacabana Palace e do Quitandinha, o Rio não se tornaria a praia mais cosmopolita do planeta à época, parte de um circuito milionário de entretenimento e badalação, formado pelo triângulo Rio – Buenos Aires - Havana. Inexplicavelmente, coincidentemente, lamentavelmente, este negócio milionário e ponta de lança do turismo internacional foi proibido quase que simultaneamente nestas três cidades (e em todo o Brasil). Não por acaso, neste mesmo ano de 1946, foi inaugurado o primeiro grande cassino em Las Vegas, cidade que, a partir deste marco, foi se expandindo cada vez mais e mais. Coincidência? Sempre me questiono se os governantes que sistematicamente sempre se posicionaram contra a abertura do jogo no país são sabedores desta ocorrência pouco conhecida historicamente e de flagrante subserviência latina aos interesses americanos.
Recentemente assistimos ao fechamento de todos os bingos do país e a proibição de máquinas caça-níqueis. Não entro no mérito dos motivos do governo, ou de possíveis fraudes, lavagens de dinheiro ou softwares adulterados - refiro-me a jogos honestos e empresários do jogo honestos. Normalmente, jogos envolvendo dinheiro são de azar, todos eles retirando um percentual - uns mais, outros menos - sobre o montante apostado, valor que a banca usa para pagar seus custos. E a Mega-sena e outros jogos similares, cujo desconto é superior a 70% são ou não são jogos de azar? A explicação de que são explorados pelo governo não os isenta deste rótulo! Há uma lei (pelo menos havia) que proibe a exploração de qualquer aposta em que esteja envolvido o esforço humano; e a loteria esportiva, como fica? São 22 jogadores, além de técnicos, juizes e bandeirinhas. É ou não é esforço humano?
Longe de mim desejar o fechamento das loterias - pelo contrário. O homem sempre foi e sempre será um jogador em potencial, a competição da vida assim o exige. Desde o dia em que soldados romanos rodaram seus escudos circulares apostando no ponto de parada, estava plantada a semente dos futuros cassinos. Na Idade Média surgiram as estampas de naipes (cartas) e o jogo com elas. Decretos nunca acabarão com o jogo, ele é inato no homem. Não posso concordar, que numa sociedade cada mais globalizada, em países altamente civilizados, o jogo é legal, permitido, e os governos lucram com este fato; e em outros (no caso específico do Brasil), o jogo só é tolerado se administrado de forma monopolizadora pelo próprio governo. Esta insistência demagógica em não liberá-lo tem nos custado caro, pois o governo abdicou de faturar no último meio século alguns bilhões de dólares em impostos.
Joga quem quer. Se mesmo avisados de que vão contrair câncer fumando, fumantes fumam, qual o motivo de alguém não poder dispor de seu dinheiro como bem lhe aprouver?
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