9/12/08
Quando morre um blog
Davi Castiel Menda
“Quando morre um blog, há um sentimento de empobrecimento e de tristeza. Seja qual for a linha editorial do blog, sempre há por parte de quem o escreve um compromisso com os leitores. Com a morte de um blog vão pedaços de pessoas e fragmentos de história. Pelo blog é revelado ao público o cotidiano do local, do país e do mundo, e a opinião de seus diversos leitores, independentemente se o filtro da lente destes é virtuoso ou defeituoso, é o que vale, é o que fica.” – Paulo Tonet Camargo
Minha vida sempre foi repleta de coincidências. Elas são diárias e já não me surpreendo com qualquer evento por mais extraordinário que seja. O de hoje: na data em que completo 24.000 dias de existência, meus dois blogs (Al Karismi e Prognósticos Matemáticos) somam 50.000 acessos. Na condição de estatístico diletante, me imagino com um dia de idade “escrevendo” qualquer coisa e duas pessoas “acessando” o que rabisquei, diariamente, durante 65 anos, com tempo bom ou tempestade. Essa foi a média. Senhores - queiram ou não - foi um feito!
Nos meus períodos de insônia, fervilhavam no cérebro inúmeras idéias para blogs futuros. Ficava indeciso na hora de escrever. Qual o mais indicado, qual o mais atrativo? E o mais importante, que houvesse dupla satisfação: a dos leitores e a minha. De repetente, sumiram as idéias; nem política, nem religião, nem futebol, nem humor, nem loterias e, pior ainda, nem matemática que sempre foi minha paixão - nada! Nem o “sifu” do presidente Lula, um presidente singular avesso aos plurais, personagem que tanto me agradava criticar, me comoveu. Passaram-se mais de três dias e nenhuma inspiração; estava na hora de parar.
Um blog não vive de vendas, vive de opiniões, de acessos e comentários. Talvez no Brasil de hoje não tenha mais lugar para um blog de opiniões fortes. Nesses novos tempos os leitores querem uma análise mais neutra dos fatos ou até quem sabe as pessoas em geral perderam a própria opinião em um mundo pasteurizado. Os ditados, via de regra, são divertidos, mas sempre encerram um fundo de verdade: “a cachorros e cavalos velhos não se ensinam truques novos”. E ensinar um truque novo a um dinossauro é mais difícil ainda.
O blog Al Karismi teve momentos gloriosos: as crônicas “Charges, Humor e Petróleo” e “As Urnas Eletrônicas e a Zerésima” foram publicadas com destaque no jornal Zero Hora de Porto Alegre e diversos sites do país, com dezenas de milhares de leitores. Estabeleci amizade e vínculos com pessoas que nem conheço pessoalmente e que a mim me parece que convivo desde sempre. O blog ultrapassou fronteiras, e graças ao Nelson Menda, conquistou inúmeros leitores brasileiros/americanos residentes nos Estados Unidos.
Enfim, blogs nascem e morrem todos os dias. O certo é que o Al Karismi deixa de ser editado definitivamente a partir de hoje, um espaço que sempre esteve voltado para a cidadania, a inteligência, a cultura, a democracia. Gostando ou não do morto, espero que vocês sintam saudades.
E, se me permitem - aos inteligentes - uma última ironia: pede-se não enviar flores.
criado por projetosnumericos
9:27 — Arquivado em: 

Comentário por Sergio Vasconcellos — 9 09UTC dezembro 09UTC 2008 @ 17:15
Davi,
Na época em que havia bondes elétricos no Rio de janeiro havia uma brincadeira que dizia: Tirando o condutor(que dirigia o bonde) e o motorneiro(que registrava numa espécie de máquina -na frente e no alto dentro do bonde - os passageiros que ele cobrava), tudo mais é PASSAGEIRO!
Como estamos em crise ou crises (prá todo lado!), acho que também essa interrupção é passageira (como já foi pelo menos uma vez). Parabéns pelo dia de hoje e quando retornar nos avise. Já estamos sentindo saudade.
Abraços.
Comentário por Nelson — 9 09UTC dezembro 09UTC 2008 @ 19:02
Davi. Como vc. já divulgou, há algum tempo, seu próprio necrológio, concordo com o colega e blogueiro Sergio. Isso passa. Inspiração é um fenômeno que vai e vem, ao sabor do acaso. Basta tomar conhecimento do noticiário para dar aquela coceira e uma vontade irresistível de meter o bedelho. Por falar em “pede-se não enviar flores”, uma constante nos avisos de falecimento de pessoas da coletividade judaica brasileira, me surpreendi, no principal cemitério de Jerusalém, com os canteiros e coroas de flores que ornamentavam muitas sepulturas. De onde, então, teria surgido essa estranha recomendação? É um bom assunto para pesquisa. Isso me faz lembrar de uma regrinha de acentuação que os professores de “linguagem” faziam questão de exigir. Quem escrevesse a palavra tôda sem o circunflexo levava uma bronca e um zero. A razão? Para diferenciar de um pássaro da Ilha da Madeira, a toda (que seria pronunciado como tóda). Quando estive naquela aprazível ilha, estava ansioso para conhecer a tal ave que tanto dissabor havia causado aos alunos brasileiros. Pergunta daqui e dali e ninguém conhecia - nem tinha ouvido falar - na espécie. E olha que eu estava em um meio de professores universitários. Provavelmente o tal passarinho existiu há séculos e simplesmente desapareceu, mas esqueceram de divulgar seu necrológio junto aos professores de português do Brasil. Às vezes não nos damos conta, mas no próprio dia-a-dia nos deparamos com fatos e acontecimentos interessantes que poderiam servir de inspiração para instigantes textos. Pense nisso. Um abração e até breve.
Comentário por Sergio — 9 09UTC dezembro 09UTC 2008 @ 21:49
Davi e Nelson,
Já que é o último da série atual, vamos “deitar e rolar”.
O Nelson contou da tôda e da toda, eu, me lembro que em concursos caía também o tal de “nêle” com acento circunflexo, imagine …… para diferençar do tal do nele(acento agudo na pronúncia) que era uma espécie de arroz lá ……. da Índia portuguesa. Puxa! E derrubava candidatos. Numa das reuniões da novena de Natal, um participante disse que iria a Nápolis e eu o adverti que não pedisse lá uma “Pizza à Napolitana” por que lá eles não saberiam o que é. Sabem o que é Pizza. Outro dia eu pedi à cozinheira daqui para fazer a deliciosa “Couve à Mineira” que se fazia no Rio de Janeiro. …. Não soube fazer porque nunca tinha ouvido falar. E, assim vai. Aliás o que eu notei na novena, mudando de assunto, que começava agradecendo a Abraão e depois falava muito em Israel. Saiu até o Reino de Abbá. é ……
Ehm! Nelson?, já estamos antevendo o Blog-do Davi III e até estou achando que será mais otimista. Imagine se não são piadas prontas: no auge da Crise o Macaco Simão entrou em férias e o Davi encerra o Blog! Davi, a crise vai ter assunto até 2010. Depois terá um outro assunto né? Até mais gente!
Comentário por Sergio — 10 10UTC dezembro 10UTC 2008 @ 9:50
Davi e Nelson
Sugestão para o nome de um novo Blog:
BIG BLOG
Se já existe desculpem-me.
Bye!
Comentário por Roberto Santos — 10 10UTC dezembro 10UTC 2008 @ 10:59
Não estou entendendo. Se o cara do blog não quer mais voces ficam insistindo. Quem sabe voces fazem um blog? Sugestão - DUPLA DE DOIS. Roberto Santos
Comentário por Sergio — 10 10UTC dezembro 10UTC 2008 @ 20:26
Amigo Roberto Santos,
Acho que uma dupla de três seria melhor.
Eu não tenho a capacidade do Davi para Blog.
Abraços.
Comentário por Cecilia — 12 12UTC dezembro 12UTC 2008 @ 6:57
Caramba, Davi!
Logo agora que o Nelson me apresentou ao seu blog, você resolve sumir?
Um abraço da Cecilia.
Comentário por Cesar Augusto Morelli — 8 08UTC agosto 08UTC 2009 @ 13:03
Prezado amigo Davi Menda,
Jaz muito tempo que não nos falamos e nem imaginava encontra-lo neste blog.
Gostaria muito de voltar a ter contato com você, sinto saudade de muitas coisas e gostaria de relembrar. Lamento que seu blog “morreu”, desconheço as razões, mas se assim decidiu é porque tinha que ser. Eu também, quase morri, tive um enfarto, mas não foi decisão minha…
Estou apostando na chance de 50% de você me responder, mas… jogo é jogo né?
Um grande abraço do amigo Cesar, ficarei na espectativa que você leia esta mensagem e me responda. Desejo também que esta te encontre em bom estado de saúde e com muitos sucessos na mala da vida.
Cesar Morelli.
Comentário por LUZIA REGINA DE OLIVEIRA DOMINGUES — 13 13UTC novembro 13UTC 2009 @ 12:06
preciso encontrar urgentemente o endereço do sr. Davi,talvez a opinião dele matematicamente explicada possa salvar uma nação da fraude em 2010, se eles não conseguem provas pelas urnas que resultados são fraudados , pela matemática sim…e o senhor Davi é a autoridade que me faltava para dar umcheque mate nessa roubalheira de votos. como fazer um contato com ele?