6/12/08
EstatÃsticas e desenganos
Davi Castiel Menda
‘Quando a gente pensa que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas’.
Quem me conhece sabe que vivo e respiro estatística durante as 24 horas do dia. Em quase tudo que faço, avalio os riscos estatisticamente. Sei até que dentro de alguns dias estarei completando aniversário: 24.000 dias. Quem é que calcula isso?
Pois apesar da minha mania(?), paradoxo dos paradoxos, não acredito em estatísticas! Principalmente aquelas que envolvem pesquisas junto ao público. Lembro-me que em determinada oportunidade, um amigo me procurou, pois estava interessado em dois tipos de informação. Em Porto Alegre, qual o percentual de mulheres grávidas e quantas pessoas teriam sofrido algum acidente a ponto de estarem engessadas? Perguntei-lhe quanto queria gastar e ele me respondeu: o mínimo possível.
Simples, contrate dois estudantes, entregue-lhes uma prancheta e lhes peça que fiquem num determinado ponto movimentado da cidade. Em poucas horas, avaliadas umas 2.000 pessoas, terás uma boa referência.
Dito e feito. Ele seguiu meu conselho, contratou um rapaz e uma moça e 24 horas depois me telefonou espantado. Os resultados tinham sido estapafúrdios. Porto Alegre tinha mais de 40% de mulheres em estado interessante e mais de 50% estavam com o pé, perna, ou braços engessados.
O motivo – muito simples. O pesquisador das grávidas, coincidentemente tinha se estabelecido exatamente em frente ao Hospital Fêmina (especializado em parturientes) e o outro, próximo à uma clínica ortopédica na Rua Santo Antônio. Explicado?
Mas não é que abro a Zero Hora de hoje e me deparo com a manchete “Aprovação de Lula bate novo recorde”, atingindo 70%. Curiosamente, por e-mail, minutos depois, recebo um convite a entrar no site do Estadão – enquetes (estadao.com.br) e votar na seguinte pesquisa: Você votaria no candidato do presidente Lula em 2010?
Logo após ter exercido o meu direito de eleitor, o site já informa o resultado parcial. Às 8,37 hs, 160.000 internautas já tinham comparecido e o resultado era o seguinte: sim 39% - não 61%.
Parodiando Shakespeare, “há algo de podre no reino da Dinamarca”.
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8:13 — Arquivado em: 

Comentário por Joel — 5 05UTC março 05UTC 2009 @ 12:26
Acho que você se enganou, fui votar e o resultado está bem diferente.