14/11/08
I.N.R.I. - Notas de Rodapé
Davi Castiel Menda
Como era de se esperar, o interesse pelas colocações sobre Jesus (textos publicados em 12.11.08, logo aí abaixo) foi bem acima da média. Quase 300 acessos, tornando-se o segundo texto mais lido do blog (o primeiro, Livre Arbítrio, que com incríveis 6.800 acessos, acredito que jamais será ultrapassado). Além dos três comentários diretamente no blog, recebi vários e-mails, todos eles muito bem redigidos, com posições definidas, críticas fundamentadas, enfim, a recompensa que o autor de um blog deseja.
Gostaria de salientar que, respondendo à preocupação e crítica de alguns leitores - talvez pela rapidez e dinamismo na leitura do blog - o autor jamais duvidou da existência de Jesus, tendo apenas citado dois autores dos tantos que já escreveram sobre o tema. O objetivo real do texto foi procurar levar aos leitores o que nenhuma igreja põe em dúvida: o judaísmo de Jesus. Aliás, tema de um livro que estará sendo lançado neste mês de novembro, simultaneamente na Argentina e Espanha, de autoria do Dr. Mario Saban, de onde nos valemos para algumas citações no nosso blog.
Também interessantíssimas as opiniões expressas pelo José Francisco, Mário F. e do Sérgio Vasconcellos lá das Minas Gerais (que com esse completa o seu 74. comentário); por e-mail, do Paulo Castelani e do grande moderador Nelson Menda, lá dos States, que foi a fonte de inspiração para este terceiro texto sobre o assunto.
O que pôde suscitar controvérsia nos dois artigos, isso sim, é o pensamento do autor com relação à suposta criação de Jesus do cristianismo. O judaísmo, a exemplo de tantas religiões, à época de Jesus tinha diversas ramificações: entre outras a dos fariseus, essênios, saduceus. Por volta do século II d.C., um grupo de Rabinos, tentando dar um pouco de esperança para a sofrida população judaica da época, criou e recriou alguns mitos, que poderiam ter proporcionado, aí sim, o nascimento do cristianismo, na verdade uma forma atenuada e popular do judaísmo da época.
Substituiram a circuncisão pelo batismo com água (bem menos doloroso para os pais e para a criança), o hebraico pelo latim e o ícone para representar essas mudanças foi a figura mítica de Jesus, lembrada insistentemente pela tradição oral. Rapidamente, o cristianismo, de um mero segmento do judaísmo, criou vida própria, mostrou sua força e os poderosos de Roma chegaram à conclusão que não adiantava lutar contra aquela onda avassaladora.
Ao invés de perseguir, torturar e jogar os cristãos às feras, Roma resolveu oficializar a nova religião, tendo a própria Roma como sede, o Imperador como sacerdote supremo e o latim, ao invés do hebraico ou grego, como idioma litúrgico. Nessa ocasião alguém se lembrou da crença judaica na vinda do Messias e da condição virginal de sua mãe. E foi exatamente por essa época que um Concílio (provavelmente o primeiro,) passou a considerar Jesus como o tão esperado Messias.
Tenha ou não existido, seja ou não o Messias, a partir do momento em que bilhões de pessoas em grande parte do mundo passam a acreditar em Jesus Cristo como o Filho de Deus, ele passa a ser um personagem real.
Um outro fato que pouca gente se dá conta é de que, com o advento do cristianismo, o Império Romano mostrou sua capacidade de adaptação e sobrevivência. Nós vivemos, queiramos ou não, sob a influência da Roma dos Césares. Em que idioma nos comunicamos, se não em um derivado do Latim? O que representam as milhões de igrejas cristãs pelo mundo se não as representações diplomáticas, algumas mais, outras menos, obedientes, ao poder central romano?
O grande erro da Igreja Católica, nesses vinte séculos de existência, foi a criação do mito de que os "Judeus mataram Jesus", que tanto sofrimento causou ao povo de Israel. Erro devidamente retificado por João XXIII, quando considerou os Judeus "nossos irmãos mais velhos". Hoje, felizmente, Judeus e Cristãos vivem em paz e harmonia, procurando respeitar tanto seus inúmeros pontos em comum quanto suas poucas, mas significativas, diferenças.
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