12/11/08
I.N.R.I. - Parte II
Davi Castiel Menda
Na primeira parte deste ensaio afirmamos que Jesus era um rabino, fato histórico, inegável e reconhecido por todas as religiões. Considerando que o rabinato na época pertencia ao movimento fariseu, por asserção pode-se afirmar que Jesus era um fariseu. O leitor pode ficar assombrado com esta afirmação pois o cristianismo perpetrou através dos tempos uma visão estereotipada dos “perushim” (a origem do nome fariseu seria o latim – pharisaeus – que por sua vez deriva do grego antigo e assentado no hebraico como “prushim”, que basicamente significa separar, afastar; portanto, os perushim eram aqueles que se afastavam da população comum para o estudo da Torá e suas tradições - não eram ascetas, pois consideravam importante estar junto à população quando não estavam no seu retiro, para o ensino das escrituras e tradições), como adversários de Jesus, que atacou seu orgulho e sua avareza.
Um dos ensinamentos atribuídos a Jesus seria um dos marcos do socialismo e comunismo atuais: os bens dos ricos deveriam ser distribuídos ou repartidos entre os pobres da comunidade. Na verdade, a idéia não era nova – ela já era defendida pelo movimento essênio, uma das seitas judaicas que durou aproximadamente trezentos anos (século II a.C. até século I d.C.), um grupo fechadíssimo, coeso e de vida ascética. Portanto, o perfil de Jesus vai se desenhando: de nascimento judeu, rabino, fariseu, com idéias essênicas.
Jesus prega entre o povo que o Reino de Deus está próximo – interprete-se como a chegada da Era Messiânica. Deve-se ressaltar que a religião judaica sempre afirmou que essa Era só chegará (o verbo “chegar” está propositadamente conjugado no Futuro para que não pairem dúvidas sobre o pensamento do autor) no dia em que se cumpra a profecia de Isaias que “nenhuma nação levantará a espada contra outra nação”, a existência da justiça absoluta, o fim da pobreza, a não mais existência da morte física. Jamais, não só nos tempos de Jesus, mas nos últimos vinte e um séculos a humanidade conseguiu por em prática pelo menos um ítem da profecia material, já que a profecia do fim da morte física depende exclusivamente da vontade divina. Portanto, Jesus não seria o tão esperado Messias.
Abro um parêntese para citar uma afirmação pouco conhecida, mesmo entre os seguidores da fé judaica, do Rabino Ovadia de Bartenura, que viveu na era medieval: em cada geração existe um judeu que é potencialmente o Messias. Sendo assim, hoje, presentemente, temos um Messias vivendo entre nós, quem sabe até no nosso país, na nossa cidade, na nossa comunidade. Mas, como os requisitos vaticinados pelo profeta Isaias não são cumpridos, não se produz a Era Messiânica, e o Messias não se dá a conhecer (se é que ele sabe da sua condição).
Na verdade, temos uma situação kafkiana, muito bem explorada e resolvida pelo filósofo judeu alemão Martin Buber (Franz Kafka e Buber foram contemporâneos, mas provavelmente nem se conheceram) que afirmou que a Era Messiânica pode ser produzida mesmo sem o Messias. A Era é mais importante que a figura do Messias e o seu anunciador poderia ser inclusive o próprio Deus, sem intermediários. Ou até, quem sabe, a nova vinda de Jesus, como prega o cristianismo.
Não tiro os méritos de Jesus como pregador, e provavelmente tinha todos os atributos para ser o Messias, o mesmo ocorrendo com os milhares de rabinos que viveram ao longo destes últimos vinte séculos e que nos legaram ensinamentos fantásticos. Lamentavelmente, a Era Messiânica não se produziu e a cada dia que passa fica essa predição mais difícil de acontecer. Um homem sozinho dificilmente poderá criar as condições profetizadas por Isaias, e não seria utópico imaginar que somente a natureza, quando exaurida de todas as suas reservas, possa ser “a tão esperada” Messias. Fecha parêntese.
Apesar do parêntese fechado, o assunto não fica esgotado e voltamos a questionar a hipotética volta de Jesus, tão apregoada pelo cristianismo. Admitindo a ocorrência desta hipótese, e lembrando o histórico de Jesus, judeu de nascimento, rabi, pregador na sinagoga, a morte como “rei dos judeus”, enterrado no rito judaico, onde podemos imaginar que ele surgiria? Na condição de judeu, Jesus procuraria por uma sinagoga e não uma Igreja! Que me perdoem os teólogos cristãos, mas devem lembrar que Jesus viveu no século I e os primeiros escritos sobre o cristianismo datam mais de 100 anos após, em pleno século II! E tentar lembrar a pérfida acusação de que os judeus mataram Jesus, é desconhecer a história e a crueldade atribuída a Pilatos, um governante egocêntrico e tirano que matava judeus quase que diariamente, na tentativa de manter a Palestina, sob o jugo romano, plenamente dominada.
Ao morrer na cruz, atribue-se a Jesus as palavras: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste”? Indubitavelmente, Jesus, na condição de judeu e rabino, jamais poderia se sentir o próprio Deus e portanto rezava e apelava a Deus realmente e não a ele próprio! (E mesmo que tivesse dito, segundo alguns historiadores, “Meu Pai, por que me abandonaste”? – lembro do Salmo 82:6 que reza que todos somos filhos de Deus, e Jesus tinha plena consciência disso). Jesus jamais pensou numa Trindade e ao encerrar esse ensaio, cito um importante descobrimento ocorrido em 1966 pelo professor Shelomo Pines, a respeito de um manuscrito do Novo Testamento atribuído a Mateus (capítulo 28). Nele Jesus teria dito que seus seguidores deveriam batizar a todos os povos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Na verdade, tal procedimento foi decidido somente no ano 325, quase 300 anos após a morte de Jesus, no Concílio de Nicea …
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Comentário por Sérgio Vasconcellos — 12 12UTC novembro 12UTC 2008 @ 22:25
JESUS CRISTO (SALVADOR EM GREGO)
VEJAM SÓ; TENHA EXISTIDO OU NÃO, …… ELE EXISTE.
É ÍDOLO NO MUNDO INTEIRO COM AS SUAS MENSAGENS DE BONDADE E ESPERANÇA. MUDOU O
MUNDO PARA MELHOR. GRANDE CONTRIBUIÇÃO DE UM HEBREU.
PORQUE A INVOCAÇÃO DO SEU NOME OPERA MILAGRES?
SE OS MILAGRES OCORREM, SEJA LÁ O QUE FOR OU COMO FOR, ………………………. É DIVINO.
MERECE RESPEITO! AMÉM!