28/10/08
De Médico e de Louco…
Davi Castiel Menda
O fato narrado a seguir, aconteceu num Clube Comercial do interior do Rio Grande, lá por volta de 1962, envolvendo pessoas conhecidas e de famílias tradicionais; em face do exposto, mantemos o anonimato dos personagens.
Certo fazendeiro, apreciador do jogo carteado, sofrendo de pressão alta, problemas no coração, artrite, e outras doenças características da terceira idade, durante um joguinho de pif-paf - nada amistoso por sinal, considerando-se que o dinheiro circulante numa única parada seria o suficiente para adquirir um automóvel O km - ao receber suas nove cartas, ficou petrificado: levantara “pifado” (para os não iniciados, dependia de somente uma carta para ganhar). Bem, o “pife” não era lá estas coisas - a única carta que lhe servia para “bater a parada” era o quatro de ouros - mas convenhamos, levantar “pifado” é uma vantagem nada desprezível, principalmente levando-se em conta que vários jogadores habilitaram-se àquela partida. Ah, íamos esquecendo uma outra vantagem adicional: por serem dois baralhos no pif-paf, conseqüentemente a chance era dupla, pois existiam dois quatro de ouros em jogo.
Pela situação incomum e levando em conta seu histórico de problemas cardiovasculares, mesmo antes da parada iniciar, nosso amigo fazendeiro começou a suar frio e tremer, indicando claramente aos seus parceiros que suas cartas, sem dúvida, eram boas. Ao chegar sua vez de comprar a carta a que tinha direito, foi ao baralho, chuleou lentamente e, pela banda da carta, viu que era um … quatro … quatro vermelho … puxou a carta de sopetão e…, que pena, era o quatro de copas! Mais tremores, mais suores, mais frio. Jogou fora o quatro que não lhe servia e continuou na expectativa. Cada jogada dos outros parceiros parecia-lhe que durava um século. Felizmente, para sua satisfação, ninguém “bateu”, e sua vez de jogar chegou novamente: ele comprou a carta e … replay da jogada anterior: o outro quatro de copas! Nosso jogador se sentiu na pele de um imaginário personagem bonzinho das novelas da Globo, daqueles que são perseguidos do início até o último capítulo.
Num espaço de tempo que lhe pareceu uma eternidade, mas que na verdade não durou mais do que um segundo, ele sentiu o mundo girar, não resistiu e desmaiou, sob o olhar atônito e preocupado dos demais participantes. Um médico que estava presente e, coincidentemente, “peruando” o jogo do desfalecido, imediatamente foi convidado a reanimá-lo. O médico, um tremendo gozador, e sabendo que o desmaio não teria maiores conseqüências, abriu sua maleta, tirou o receituário e, sem mesmo conferir as condições do jogador, lascou aquela que seria a sua receita mais invulgar (e genial - do ponto de vista lúdico) de toda sua carreira, e que, na sua concepção, curaria o desmaiado: “Quatro de ouros, de meia em meia hora”!
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Minha homenagem a todos os médicos que vem me tratando dos mesmos problemas do fazendeiro "azarado": pressão alta, problemas no coração, artrite, psoríase-reumatóide e outras doenças características da terceira idade; em especial à Dra. Janete.
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Comentário por Sérgio Vasconcellos — 28 28UTC outubro 28UTC 2008 @ 11:04
DAVI, CERTA VEZ FUI A SÃO PAULO ME TRATAR COM O DR. BERNARDINO TRANCHESI, CARDIOLOGISTA, DE RENOME, AQUI NO BRASIL. PARA SE TER IDÉIA, NA SALA DE ESPERA HAVIA UM BANQUEIRO.
E NA CONSULTA O ASSISTENTE DELE ME PERGUNTOU: FUMA? -NÃO, BEBE? - NÃO, FAZ EXCESSOS? - NÃO. ENTÃO ÓTIMO!!!!.
- MAS DOUTOR, …. SÓ TEM UMA COISA ………. EU …………GOSTO DE JOGO DE LOTERIA. RESPOSTA DELE: “TUDO BEM, …… NINGUÉM É PERFEITO”
MEU PAI QUE ERA JOGADOR DIZIA O SEGUINTE:
” NÃO SE PODE FALAR NA CABEÇA DO JOGO” - ACHO QUE ERA A AÇÃO DO “PERUADOR”.