27/10/08
Futebol, Cachorreiros & PolÃtica
Davi Castiel Menda
Sou do tempo em que futebol era jogado no campo, decidido no campo. Sou do tempo em que, terminada uma partida, os torcedores subiam no mesmo bonde (é, também sou do tempo do bonde), sentavam lado a lado, comentavam a partida lado a lado, tocavam flauta lado a lado, e ninguém morria por ser torcedor…
Até onde minha memória pode alcançar, lembro-me de ser gremista, aquele de paixão, que não subia em ônibus se por acaso despontasse uma flâmula de determinado “co-irmão” próxima ao motorista.
Mas falando em futebol, lembrei-me de um craque e uma das primeiras demonstrações de que as torcidas estavam mudando: Ortunho, num Grenal, foi atingido covardemente por uma garrafa e voltou com a cabeça enfaixada, faixa que nos minutos seguintes assumiu a cor do adversário pelo sangue que a tingiu. Aqueles que não tinham um herói, como eu, passaram a ter: Jorge Carneiro, Ortunho, foi craque, foi herói, foi um símbolo do Grêmio, e aquela partida é uma das tantas partidas que ficaram gravadas na calçada da fama da minha memória.
Passados alguns anos, a paixão pelo futebol e pelos campos já diminuída, meu lazer dominical era passear com minha mulher e a Susie, um de meus cachorros, no Parque Farroupilha. Num desses passeios, noto aquela figura gigante aproximando-se de nós, e qual a minha surpresa, quando o Ortunho, em carne e osso – imagine, o herói vindo de encontro ao torcedor – dirigiu-se a nós. Cumprimentou-nos e contou, a mim e a Ana Maria, que também tivera uma cadelinha poodle, muito parecida com a nossa, que a havia perdido, e saudoso que estava, aproximava-se sempre dos cachorreiros para trocar uma palavra, consolar-se. Conversa vai, conversa vem, diz o Ortunho para nós:
- Vocês são muito jovens (mal imaginava ele a nossa idade…) e não devem me conhecer! Eu joguei por muito tempo no Grêmio, meu nome é Ortunho.
Bem, aí o surpreso ficou ele quando eu recitei automática e instantaneamente:
- Arlindo ou Alberto, Altemir, Airton, Áureo e Ortunho. Ou quem sabe: Sérgio, Airton e Ortunho; Figueiró, Elton e Enio Rodrigues; Hercílio, Gessy, Juarez, Milton e Vieira.
Ele ficou me olhando, num misto de espanto, orgulho e emoção, e se testemunhas tivessem presenciado a cena, o que ficariam imaginando, assistindo a um poodle abanando a cola sem parar, e três adultos com lágrimas nos olhos?
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O Al Karismi, nas suas previsões políticas, tem sido só acertos. Lamentavelmente, nas eleições americanas, vai errar não só na preferência pessoal como também no resultado. Deve ganhar Obama e eu jogava todas minhas fichas em McCain. Ontem descobri que o meu candidato tem nada menos, nada mais, do que 24 bichos de estimação entre cães e gatos; Obama não tem nenhum. Não sei, presidente americano sem um pet. Pensando bem, não sei se errei mesmo…
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Comentário por Sérgio Vasconcellos — 27 27UTC outubro 27UTC 2008 @ 11:09
Eu sou do tempo em que se jogava futebol de touca, e as palavras eram Goal-keeper, Half, Out-side, Backs, Crack, e por isso, o Grêmio Football Association Porto Alegrense. Futebol se jogava no campo e geralmente jogador começava no time e terminava a carreira no mesmo time.
Aliás o Ortunho jogou no Grêmio e depois jogou no meu time - o Vasco. Davi não contou o fato do Ortunho ter duelado com o Sapiranga jogador do time “co-irmão” e eclipsado o adversário. Hoje são outros tempos e temos torcedores para o Lubrax, para o Fiat e outros nomes.
Me lembro do meu pai dizendo: ” O Vasco agora vai ter um reforço - o Ortunho”