Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

24/10/08

Lei da Conservação da Inteligência - 2a. Parte

2a. parte

Na matemática, a ciência das ciências, perdemos por larga margem. Quem dos leitores, com todo o seu conhecimento e cultura, mesmo o autor o liberando a utilizar seu computador pessoal, bibliografia ou até mesmo o Google, teria condições de demonstrar como chegar ao valor de pi (o tão conhecido 3,1416 - valor que aparentemente herdamos ao nascer)? Lembro que em 1983, numa palestra versando sobre Informática, com público estimado em 300 alunos, prometi um computador de prêmio ao primeiro que resolvesse a questão. Mesmo todos conhecendo de antemão a resposta ao problema, nenhum dos presentes se candidatou ao brinde. Os professores, sabiamente, se consideraram impedidos… Entretanto, a história nos revela que muitos séculos antes da era cristã, vários povos já dominavam e usavam a constante pi em seus cálculos, com uma precisão admirável levando em conta a época.

A Astronomia é outro exemplo fabuloso. Desprovidos de telescópios, sem tábuas logarítmicas, sem réguas de cálculo, computadores ou Internet nem pensar, os antigos sem dúvida deram um espetáculo à parte (excetuando-se uma meia dúzia de astrônomos que isoladamente pregavam a teoria geocêntrica), prevendo eclipses, calculando distâncias e órbitas dos planetas e cometas, identificando constelações, estabelecendo o valor das epactas.

No Xadrez, hobby em que os bons resultados são diretamente proporcionais à inteligência de quem o pratica, nunca obteremos jogadores superiores – no conjunto – aos que viveram na segunda metade do século 19, como no futuro não teremos tão bons jogadores como os de hoje, e assim sucessivamente, mesmo sendo cada vez maior o número de simpatizantes. Cresce a população, aumenta em proporção o número de jogadores, mas paradoxalmente diminuem os grandes mestres e suas jogadas geniais! Nomes como Lowenthal, Steinitz, Tchigorin, Tarrasch, Lasker, Maroczy, Rubinstein, e mais recente Capablanca, viveram numa época privilegiada, quando quantitativamente o número de habitantes da Terra era impressionantemente menor do que o atual.

Onde estão presentemente os cérebros capazes de realizar a proeza de enfrentar até 50 adversários simultaneamente, às cegas, como Philidor, Morphy, Pillsbury, Tartacover e Breyer? Comparando partidas clássicas disputadas nos fins do século 19 - quando para diversos analistas o Xadrez atingiu o seu apogeu – com as melhores do século 20, nos posicionamos ao lado dos analistas! E, lamentavelmente, a preocupação primordial no presente não é gerar bons enxadristas e, sim, cada vez mais, melhorar o desempenho de computadores especificamente produzidos na tentativa de derrotar grandes mestres. A máquina é movida pela lógica do cálculo perfeito. O homem tem o poder de fazer julgamentos. Tudo parece muito caótico, mas é a forma sub-reptícia do homem e da natureza manter o equilíbrio: menos inteligência = mais tecnologia.

A LCI, do princípio ao fim, é um tema polêmico, abstrato e inexiste literatura sobre o assunto. Poderíamos nos dedicar a escrever um compêndio de situações que demonstram serem os povos antigos infinitamente superiores a nós no quesito inteligência, a não ser que tencionemos dar crédito à teoria, exaustivamente propagada pelos escritores Erich von Däniken (Eram os Deuses Astronautas?) e Peter Kolosimo (Não é Terrestre) que tentaram demonstrar que a “sabedoria” dos povos antigos era proveniente de ensinamentos ministrados por habitantes oriundos de outros planetas, o que é discutível.

É fácil aceitarmos, respeitosamente, a sabedoria de nossos pais e avós, mais pela experiência e vivência, afirmação espirituosamente fundamentada pelo conhecido ditado espanhol “El diablo sabe más por viejo do que por diablo” - não é o caso; estamos falando de inteligência, e inconscientemente, com o nosso orgulho ferido pela afirmação aparentemente esdrúxula sobre a diminuição progressiva da inteligência humana, nos posicionamos na defensiva. O enunciado da Lei não envolve somente ascendentes próximos – é muito mais amplo e extenso - e fica difícil que reconheçamos, em qualquer época ou situação, que o homem que viveu há 200, 1.000 ou 10.000 anos fosse mais inteligente do que nós: a negativa pura e simples resolve o imbróglio e os nossos brios permanecem intactos e preservados!

Entretanto, por mais que você relute, é uma realidade irretorquível: o hominídeo da espécie Homo neanderthalensis, mais conhecido como Homem de Neanderthal, tinha um QI muito superior ao homem dos nossos dias, maior talvez do que Da Vinci ou Einstein. Não esqueça que ele sobreviveu por dezenas de milhares de anos, num mundo totalmente hostil, ao passo que nós – ao que tudo indica - podemos estar caminhando para a extinção.

 

criado por projetosnumericos    6:59 — Arquivado em: Ensaio

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