22/9/08
Adoro Horário PolÃtico
Davi Castiel Menda
Não gosto de televisão. Não da invenção em si, que é realmente sensacional, mas da programação. Acho péssima. Claro que há as exceções: bons filmes, documentários com assuntos palpitantes, concertos sensacionais, a exemplo do transmitido sábado último pela Rede Vida, com o vibrante diretor de orquestra e violinista holandês André Rieu (lamentável que o evento não tivesse sido divulgado suficientemente – claro que, se as pessoas tivessem tomado conhecimento, deixariam de assistir a novela da Globo A Favorita e mudariam imediatamente de canal). Afora esses, para mim, há um programa imperdível: o Horário Político.
Faça chuva, faça sol, estando ocupado ou não, mesmo tendo um compromisso inadiável com a Adriane Galisteu, é uma programação que faço a mais absoluta questão de assistir, principalmente no turno dos vereadores. É quando eu sinto no ar toda a vibração, todo o patriotismo, toda a vontade daqueles futuros edis de ajudar o Brasil, de colaborar com o povo na solução de seus problemas. Cheira-se civilidade no ar. Como é bonito! É nessas horas que acredito na humanidade e que o Brasil não está perdido.
O ar fica impregnado de democracia com aquela competição aberta e saudável, de candidatos e candidatas irmanados num único propósito: bem servir aos munícipes. Fico emocionado com o desprendimento de todo aquele pessoal, que promete dar tudo de si se eleito, na ânsia de resolver os problemas de saúde, de segurança, de escola, de creche, de aposentadoria, de condução. Chego a chorar de felicidade, pois finalmente, nos próximos quatro anos, todos os nossos problemas estarão resolvidos. (Deixo de citar os financeiros, que serão solucionados com os dividendos do pré-sal, equitativamente distribuído entre o povo).
O Tribunal Eleitoral, mais uma vez nos contempla com o título de patrão. É um exagero. Nós é que devemos agradecer por ter o Brasil tantos candidatos responsáveis, capazes e conscientes do seu dever cívico. Não é fácil se comprometer com tantos propósitos e só ganhar R$ 8.561,00 de salário por mês como vereador em Porto Alegre. É menos que um salário mínimo por dia…
Mas uma dúvida me atormenta e me preocupa: são 504 candidatos à vereança da capital gaúcha e somente 36 deles serão eleitos. Quatrocentos e sessenta e oito ficarão de fora, pessoas que poderiam estar colaborando com a nossa grandeza, com a nossa pujança.
Sugiro a eles que, um dia após conhecido o resultado do pleito, façam um mutirão, formem um bloco compacto e se dirijam ao Tribunal Eleitoral; peçam – peçam não, exijam - uma vaga para qualquer cargo. Claro - sem remuneração, pois não há verba orçamentária prevista para tanta gente. Isso é de somenos importância para quem quer ajudar e colaborar.
Essas 468 vozes não podem ficar de fora do processo. Tenho certeza que eles querem cooperar – graciosamente – e deixá-los de fora da máquina governamental fatalmente criaria um trauma de difícil solução. Eles, com seu ilimitado saber, são insubstituíveis formadores de opinião. Deixem esse pessoal ajudar. Dêem tarefas a eles. Eles fazem questão de trabalhar. Mas de graça, não esqueçam…
Eu e os eleitores, comovidos, agradecem.
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