9/9/08
Brasileiros devem 20,7 bilhões
As manchetes dos principais jornais de ontem davam conta que os brasileiros, mesmo em tempos de juros altos e restrição ao crédito, atingiram o endividamente de mais de 20 bilhões no cheque especial. Lembrei-me da crônica abaixo, publicada pela primeira vez no Jornal Treze Pontos, posteriormente em O Fenal (setembro/2002). Na época, recebi várias críticas: algumas elogiosas e outras me acusando de não entender nada de economia. Deixo a decisão com vocês.
No Tempo dos DInossauros
Davi Castiel Menda
Vamos dar asas à nossa imaginação e criar um país hipotético, num passado longínquo, de nome LisarB, e povoá-lo com apenas três homens e suas respectivas mulheres:
Antonio - era o curandeiro; José plantava e criava galinhas, alguns porquinhos e outras tantas reses; Luiz, por sua vez, trabalhava com madeira e metal: era o artífice da turma e, se por acaso, em LisarB houvesse eleições um dia, por certo seria eleito o chefe. Os negócios eram realizados na base do escambo, e todos viviam na mais perfeita paz e harmonia. Um belo dia porém, reunidos em torno da fogueira Central, Antonio teve uma idéia:
- E se nós criássemos uma moeda para comprar uns dos outros, ao invés de ficar trocando mercadorias?
Da teoria para a prática, foi um zás. Juntaram 3.000 ossinhos, cada um gravou a sua marca, e batizaram a nova moeda com o nome de laer. Não sendo muito bons de linguagem, criaram outra palavra para expressar mais de um laer: siaer. E por lógica, a cada um tocou 1.000 siaer.
Antonio agora cobrava por suas consultas; José comercializava a carne que produzia em siaer e, Luiz, prestava seus serviços profissionais para os seus conterrâneos não mais recebendo mercadorias, e sim ossinhos à guisa de honorários.
E, apesar da mudança, todos continuaram vivendo na mais perfeita paz e harmonia.
Mas como diz o ditado: não há bem que sempre dure… numa determinada noite, mais uma sem ter o que fazer, Luiz, o artesão, moldou dois pedacinhos de madeira -tornando-os semelhantes a dois cubos - pintou alguns pontinhos pretos, e … estava criado o jogo de dados em LisarB! Só para passar o tempo, jogaram algumas horas (a dinheiro!), e deu no que deu: Antonio, que sempre fora um homem de sorte, ficou com todos os 3.000 siaer que circulavam em LisarB.
Na hora, ninguém deu muita importância para o acontecido mas, no dia seguinte, todos foram surpreendidos com a entrevista coletiva de Antonio, anunciada por sua mulher. A bem da verdade, deve-se registrar que Antonio apareceu com seu melhor traje de folhas de bananeira, comunicando que a partir daquela data, não mais trabalharia como curandeiro, já que se tornara o único capitalista do país, e em conseqüência, viveria de rendas. E, levando em conta e antecipando-se ao fato de que José e Luiz precisariam de capital de giro para movimentar seus negócios, emprestou 1.500 siaer a cada um, a juros simbólicos de 1% ao mês.
Ao final de trinta dias, cada um dos tomadores do empréstimo, devia 1.515 siaer, que somados perfaziam 3.030 siaer! Reunidos, como sempre, em volta da fogueira, Luiz e José perguntaram a Antonio simultaneamente:
- Antonio, se todo o nosso capital circulante é de 3.000 siaer e, decorridos apenas um mês, nós já te devemos 3.030 - e este montante tende a continuar crescendo a cada 30 dias - nós estamos achando que a dívida se tornará impagável. Você não acha que a nossa Economia interna irá para o pântano?!
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Prezado leitor: para que você não se apavore, por favor, não faça a projeção da ficção acima para o país onde você reside, com 180 milhões de habitantes e não apenas três famílias, todos eles pagando juros aos bancos, financeiras e cartões de crédito - não de 1% como na historinha - mas malsinados 10% a 15% ao mês!!!
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Comentário por Sérgio Vasconcellos — 9 09UTC setembro 09UTC 2008 @ 11:19
DAVI - TERÍAMOS VÁRIOS EXEMPLOS PARA COMENTAR O QUE VOCÊ ESCREVEU. SERIA MUITA COISA MESMO. PARA SINTETIZAR FICA DIFÍCIL UMA PESSOA QUALQUER SE LIVRAR DOS APELOS AO CONSUMO QUE VEM COM AS PROPAGANDAS. AQUI EM BELO HORIZONTE HÁ UMA ENXURRADA DE AUTOMÓVEIS NOVOS QUE CUSTAM MAIS DE 50 OU 60 MIL E NÓS NOS PERGUNTAMOS DE ONDE VEM TANTO DINHEIRO PARA
TANTAS AQUISIÇÕES. TALVEZ, VENHA DO CRÉDITO FACILITADO. E POR OUTRO LADO MUITOS AUTOMÓVEIS
COLOCADOS À VENDA POR FALTA DE PAGAMENTO.
JÁ DIZIA UM GRANDE ECONOMISTA QUE NÓS SÓ DEVEMOS GASTAR ATÉ O QUE SE GANHA. (SIMPLES NÃO?)
MAS, COMO FICAM OS DESEJOS PESSOAIS ?
FICA UMA SUGESTÃO, SE ME PERMITE, PARA DEBATE : OS DESEJOS PESSOAIS
AÍ, MEU FILHO, HAJA POSTS !