27/9/08
Olhar dominical - 5

Bom domingo!
Davi Castiel Menda

Já imaginaram? Pra eles se safarem precisam 700 bilhões dessas notinhas! Colocadas todas essas notas lado a lado, e ainda empilhadas em montinhos de quatro dólares, dá para cobrir toda a cidade de São Paulo. É pouco?
Davi Castiel Menda
Quando eu era menino ainda, com dois ou três anos de idade, confesso que tinha medo da noite. Não do escuro, mas sim da noite chegando, mandando para um lugar desconhecido a claridade, a luz, luz que desde as sociedades primitivas sempre foi sinônimo de vida. Tinha medo que a noite, aproveitando-se do sol que se escondia, pudesse como num passe de mágica engolir o mundo, literalmente. Pensando bem, eu tinha medo de um buraco negro – astronomicamente falando - e não sabia.
Lembro, na mesma época, de meu pai ter me levado, certa noite, até à agência dos Correios com o intuito de enviar um telegrama. Você pode até achar estranho, mas os Correios ficavam permanentemente abertos para manter as comunicações em atividade. A única forma - naquela época sem Internet, de telefonia incipiente e péssimo serviço - de se manter contato urgente com alguém era através do telegrama. Logo em seguida, meu pai ainda me levou à redação do jornal Diários de Notícias, na Rua da Praia. Naquela noite eu descobri que, apesar do escuro, a noite também dimanava vida: pessoas andavam pelas ruas, trabalhavam, mandavam notícias, escreviam em jornais. Aquela noite me marcou profundamente: sempre que acordava por um motivo qualquer durante a madrugada, lembrava-me automaticamente dos funcionários dos Correios e do jornal, e ficava seguro! Aqueles heróis noturnos, anônimos e de maneira incógnita, estavam zelando pela humanidade. Deixei de ter medo de buracos negros.
O tempo passou. Assisti ao vivo o quebra-quebra logo após o suicídio de Getúlio Vargas. Vibrei intensamente com a Legalidade de Brizola. Vi entristecido um país dominado pela ditadura militar. Leis, decretos, atos institucionais, decretos-leis foram criados aos magotes, uns bons, outros protecionistas, alguns demagógicos. A democracia é assim.
Mas, aos poucos, noto que o governo cada vez mais vai se intrometendo na vida do cidadão; em suma, na minha. Um dia é um pardal que me controla permanentemente nas estradas; outra lei me proíbe de ter uma arma onde moro, apesar do legislador não me proporcionar a segurança que mereço; e mais recentemente, um governante me manda um recado pelos jornais: que não se deve falar demais ao telefone, já que qualquer cidadão corre o risco de estar grampeado. Se não bastasse, agora por último a Lei Seca. Sinto-me no direito de discordar, pois minha dose máxima é (é não, era!) dois chopes semanais. Whisky – adoro whisky; a última garrafa que recebi no meu aniversário (em março), ainda está pela metade. Se os acionistas da Ambev e das destilarias escocesas dependessem de mim, já teriam falido. Portanto, não concordo com a discriminação generalizada que nos transformou a todos em beberrões contumazes e, pior ainda, em criminosos com direito a cadeia e tudo.
Já vigorava uma lei que punia bêbedos ao volante. Mas não, o governo precisava radicalizar. E o mais interessante é que quem criou a lei, se beneficia de carro com motorista - pago pelos contribuintes; e ainda pode beber a vontade com o cartão corporativo, despesas não comprovadas ou coisa que o valha. É um espetáculo…
Instituam a pena de morte aos bêbedos, mas não chamem de criminoso e joguem numa cela quem bebe um chope! Fechem as fábricas de bebida e façam da Lei Seca uma lei de verdade, não de mentirinha. Falta coragem, o dinheiro – os impostos – fala mais alto!
Tomar um mísero chope e dirigir é menos perigoso do que dirigir e ouvir uma partida de futebol. Se o seu time estiver perdendo, você ficará irritado, se estiver ganhando, eufórico. Pergunte a um psicólogo ou psiquiatra e ele lhe dirá que são sensações idênticas ou talvez piores. Bebericar um chope e dirigir é provavelmente menos perigoso que discutir com o carona sentado ao seu lado, fato comum numa viagem longa, principalmente com crianças no carro. Sem falar nos que bebem chimarrão, fumam, se agarram na (o) namorada (o), etc.
Hoje é um chope, em São Paulo já existe o rodízio de veículos, quem sabe amanhã proíbam a fabricação de automóveis? Garanto que vai diminuir mais ainda as estatísticas de mortos no trânsito. Diminuir? Balela! As estatísticas comprovam que continua tudo na mesma. O que falta são estradas boas, carros seguros, fiscalização coerente, investimento em estradas de ferro, em hidrovias. E não gastar milhões em tapa-buracos pré-eleição.
Milhões de brasileiros deixaram de se divertir, ir a um bar, a um restaurante, temerosos com a aplicação da famigerada lei – todos se tornaram criminosos. No fundo, no fundo, esse é o objetivo. Se você passa a ter medo, não pode acusar quem realmente tem culpa. É assim que funciona.
Que pena, depois de mais de sessenta anos, os buracos negros voltaram a me assustar.
"Nas democracias, embora o poder seja formalmente do povo, na prática está com a sociedade civil, que dele se diferencia porque, no povo, cada cidadão tem um voto, na sociedade civil o peso de cada cidadão depende do seu conhecimento, de seu dinheiro e de sua capacidade de comunicação e organização." Bresser Pereira - 2005.
Um dos mais assíduos leitores do blog Al Karismi me envia e-mail sobre o último artigo Adoro Horário Político, criticando-me, argumentando que não tratei com a devida seriedade um tema tão importante.
Meu caro Felipe: para seu conhecimento, considero as eleições o momento supremo da democracia, aquele instante mágico onde o somatório de milhões de consciências, de eleitores sérios, de pessoas convencidas pelo marketing político, de interesseiros, de interessados, de desinteressados, se fundem, e, num átimo de tempo, decide os destinos do país pelos próximos anos. É sério, muito sério.
Agora, se uma parcela dos candidatos não assume este momento solene com a gravidade necessária, por favor, isso me dá o direito de seguir a orientação de ilustre ex-ministra, ora candidata à prefeita pela cidade de São Paulo, de amplo conhecimento de todos.
Corroborando com o último parágrafo, recolhi pela Internet material aqui e ali, sem grandes preocupações. E, ainda lembrando, que este é um blog de âmbito internacional (apesar do gremismo do seu editor), sugiro aos nossos correspondentes lá nos States, Nelson e Susana, que nos enviem alguma matéria sobre a disputa entre Mccain e Obama, ou coisa que o valha.
Em Fortaleza, a candidata à reeleição à Câmara de Vereadores Débora Soft, stripper e estrela de show de sexo explícito, este ano terá uma parada dura pela frente. Trata-se de Kátia Heffner, que numa das suas entrevistas afirmou: “chega dessas caras de bunda que existem em nossa política, é hora de inovar, criar, fazer diferente”. Da matéria ela deve ter toda a propriedade para falar…. Número da candidata: 14069. E surgem notícias de que a Adrielle Fatal também está na disputa! Nem imagino quem seja, mas pelo nome e pelo curriculum das outras duas candidatas, essa é uma eleição com direito a muito corpo a corpo na disputa pelo voto….masculino.
E além do candidato Zóinho, o Cacareco da vez e que deve se eleger com uma boa margem pela sua sinceridade fulgurante, a Internet publica uma relação dos melhores slogans dessa eleição, onde destacamos o grito de guerra do candidato Lingüiça, lá de Cotia –SP, cada vez que se despede no vídeo: “Lingüiça neles!”. E a esperança do candidato a Prefeito de uma cidade do interior nordestino: “Com a minha fé, e as fezes de vocês, vou ganhar essa eleição.”
A física elementar nos ensina que a cada ação, há uma reação. Se alguém ganha, alguém perde. Quem vai ganhar essas eleições eu nem imagino mas, com esses candidatos bizarros, eu sei quem vai perder: nós, como sempre!
Davi Castiel Menda
Não gosto de televisão. Não da invenção em si, que é realmente sensacional, mas da programação. Acho péssima. Claro que há as exceções: bons filmes, documentários com assuntos palpitantes, concertos sensacionais, a exemplo do transmitido sábado último pela Rede Vida, com o vibrante diretor de orquestra e violinista holandês André Rieu (lamentável que o evento não tivesse sido divulgado suficientemente – claro que, se as pessoas tivessem tomado conhecimento, deixariam de assistir a novela da Globo A Favorita e mudariam imediatamente de canal). Afora esses, para mim, há um programa imperdível: o Horário Político.
Faça chuva, faça sol, estando ocupado ou não, mesmo tendo um compromisso inadiável com a Adriane Galisteu, é uma programação que faço a mais absoluta questão de assistir, principalmente no turno dos vereadores. É quando eu sinto no ar toda a vibração, todo o patriotismo, toda a vontade daqueles futuros edis de ajudar o Brasil, de colaborar com o povo na solução de seus problemas. Cheira-se civilidade no ar. Como é bonito! É nessas horas que acredito na humanidade e que o Brasil não está perdido.
O ar fica impregnado de democracia com aquela competição aberta e saudável, de candidatos e candidatas irmanados num único propósito: bem servir aos munícipes. Fico emocionado com o desprendimento de todo aquele pessoal, que promete dar tudo de si se eleito, na ânsia de resolver os problemas de saúde, de segurança, de escola, de creche, de aposentadoria, de condução. Chego a chorar de felicidade, pois finalmente, nos próximos quatro anos, todos os nossos problemas estarão resolvidos. (Deixo de citar os financeiros, que serão solucionados com os dividendos do pré-sal, equitativamente distribuído entre o povo).
O Tribunal Eleitoral, mais uma vez nos contempla com o título de patrão. É um exagero. Nós é que devemos agradecer por ter o Brasil tantos candidatos responsáveis, capazes e conscientes do seu dever cívico. Não é fácil se comprometer com tantos propósitos e só ganhar R$ 8.561,00 de salário por mês como vereador em Porto Alegre. É menos que um salário mínimo por dia…
Mas uma dúvida me atormenta e me preocupa: são 504 candidatos à vereança da capital gaúcha e somente 36 deles serão eleitos. Quatrocentos e sessenta e oito ficarão de fora, pessoas que poderiam estar colaborando com a nossa grandeza, com a nossa pujança.
Sugiro a eles que, um dia após conhecido o resultado do pleito, façam um mutirão, formem um bloco compacto e se dirijam ao Tribunal Eleitoral; peçam – peçam não, exijam - uma vaga para qualquer cargo. Claro - sem remuneração, pois não há verba orçamentária prevista para tanta gente. Isso é de somenos importância para quem quer ajudar e colaborar.
Essas 468 vozes não podem ficar de fora do processo. Tenho certeza que eles querem cooperar – graciosamente – e deixá-los de fora da máquina governamental fatalmente criaria um trauma de difícil solução. Eles, com seu ilimitado saber, são insubstituíveis formadores de opinião. Deixem esse pessoal ajudar. Dêem tarefas a eles. Eles fazem questão de trabalhar. Mas de graça, não esqueçam…
Eu e os eleitores, comovidos, agradecem.

A partir desta terça-feira (23.09.2008), os leitores do blog Prognósticos Matemáticos, e mais especificamente os apostadores da Loteria Esportiva (LOTECA), passam a contar com um dos melhores bancos de dados sobre o assunto.
Serão as 14 partidas que fazem parte da programação da Loteca, analisadas estatisticamente uma a uma. Vale a pena dar uma conferida.
Baseados em nosso banco de dados , com os quase 600 clubes que já participaram de algum concurso da Loteca, estaremos divulgando uma panorâmica completa sobre o retrospecto de cada clube individualmente, além de analisar o comportamento de cada um em confrontos diretos.
Nada de apostar em clubes com nomes totalmente desconhecidos. Nossa memória vai fazer parte da sua memória.
Portanto, anote aí - às segundas, os Resultados do fim de semana; às terças-feiras, a Programação completa da Loteca.
Davi Castiel Menda
Ontem o programa Globo Repórter apresentou duas pessoas nascidas no mesmo dia, mês e ano e praticamente o mesmo nome. É pouco! Em 13.01.2007 editei o blog Coincidências, que a seguir reproduzo: Imaginem duas pessoas com nomes idênticos, mesmo primeiro sobrenome e idem segundo sobrenome. Para excitar mais a sua curiosidade, os dois nasceram no mesmo dia, mês e ano. Os nomes e sobrenomes dos pais também eram rigorosamente idênticos, e para completar o ciclo de simultaneidades dos acontecimentos, ambos estavam trabalhando na mesma empresa. Ou eram gêmeos - e os pais batizaram as crianças com o mesmo nome - ou estávamos diante de uma monumental coincidência, ou tudo que foi narrado até o momento é pura ficção.
Não, não eram gêmeos e não se trata de ficção. Pessoalmente, conheci as duas pessoas em 1981 e…
____________________ Pausa ________________________
Faço parte do grupo que não acredita em coincidências, pelo menos não da forma com que o termo foi banalizado. Se prestarmos bem atenção, é uma das palavras mais em voga nas conversas do dia a dia. É coincidência pra cá, coincidência pra lá; a palavra foi vulgarizada a ponto de qualquer pequena justaposição de fatos se transformar em coincidência.
É claro que situações coincidentes existem: quem não conhece, pelo menos de nome, o político brasiliense Íris Rezende? Entretanto, tenho quase absoluta certeza que você desconhece o nome de sua esposa: chama-se… Íris Rezende. Já imaginaram a situação do filho de ambos, respondendo a um questionário? Qual o nome do seu pai? "Íris Rezende". Qual o nome da sua mãe? "Íris Rezende"!
Na minha infância residi na Rua Cel. Fernando Machado, antiga Rua do Arvoredo. Bem próximo onde eu morava, só que em outros tempos, meados do século XIX, estava localizado o açougue (de triste fama) que comercializava a melhor lingüiça de Porto Alegre (e que mais tarde tomou-se conhecimento que era fabricada com carne humana). Nome do açougueiro (que usava da beleza e sensualidade da sua mulher Catarina para atrair os homens que serviam de matéria prima para o petisco, disputadíssimo na época): José Ramos. Onde moro atualmente, por ser um local onde predominam sítios, é cercado por belos e abundantes arvoredos e, a uns cem metros da minha residência, está localizado o açougue da vila - nome do açougueiro: José Ramos. Localização: Rua Santa Catarina. E a lingüiça, é de primeira!
Os dois fatos acima narrados, por serem totalmente atípicos e não previstos pela desordem ordenada do caos, merecem ser rotulados como coincidência, ao contrário dos acasos perfeitamente previstos pelo princípio fundamental que estabelece que tudo que acontece no universo, apesar da aleatoriedade, segue uma determinada ordem.
Você comumente vai a um shopping center e encontra um amigo ou parente e ambos exclamam: "Que coincidência"! Não há coincidência alguma. A ida ao shopping é uma rotina da vida moderna e coincidência seria se você não encontrasse nenhum conhecido durante o seu passeio. Cito outro exemplo, interessantíssimo, na área das estatísticas lotéricas: na extração no. 1382 da Loteria Federal, o bilhete sorteado no primeiro prêmio foi 22.255. Na extração seguinte, o primeiro prêmio coube ao bilhete 56.255. Como podem notar, a centena premiada foi a mesma: 255. O leigo exclamaria com vibrante entusiasmo: "Vejam só, que coincidência". Nada disso, a probabilidade desse fato acontecer é de uma chance a cada mil extrações. Considerando que até o momento a Caixa promoveu 4.100 extrações e este acontecimento (idêntica centena em duas extrações seguidas) ocorreu em quatro oportunidades - o fato está inserido rigorosamente dentro do previsto. Muito antes da Loteria Federal ser criada, muito antes de se pensar em loterias, muito antes do homem surgir na terra, a Lei das Probabilidades já prognosticara todos esses acontecimentos, e aquilo que foi matemática e antecipadamente previsto, não pode ser rotulado de coincidência.
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Mas voltando aos dois "xarás" do início do artigo: estava eu prestando assessoria numa obra e chovia torrencialmente. Não tendo o que fazer devido ao mau tempo, repassava as fichas funcionais dos quarenta e tantos operários, com o objetivo de gravar seus nomes, quando deparei com a homonímia e a quantidade de pontos coincidentes entre dois deles. Era um fato surpreendente e raro e, com a concordância do chefe do Departamento Pessoal, solicitei a um funcionário que chamasse os dois ao escritório para conhecê-los. No momento em que entraram na sala, desconfiados com o duplo chamado, ambos estampavam um semblante de culpa que até uma criancinha de berço notaria; o enigma começou a ser desvendado e, a coincidência, ruiu qual um castelo de cartas soprado pelo vento.
Um era branco e o outro de cor negra (as fichas pessoais indicavam que os dois eram brancos) e antes que eu formulasse qualquer pergunta, recebi a explicação, óbvia, mas inesperada: os dois eram amigos de infância e, um deles - o rapaz negro - fora assaltado alguns anos antes, perdendo todos seus documentos. O branco providenciou fotocópias dos seus e "emprestou" ao amigo, que a partir daquela data, passou a ostentar nome, sobrenome e todas as características físicas e raciais do seu benfeitor. E quis o destino que se encontrassem na mesma obra… Coincidências, coincidências…
Davi Castiel Menda
Havia uma época em que eu realmente acompanhava futebol de forma profissional. Podia até me gabar de entender do riscado. Era simultaneamente o redator, editor, diretor, repórter, comentarista, arquivista e entregador do semanário Treze Pontos e pela TV, rádio, jornal e Internet observava a evolução pari passu de todos os campeonatos que você possa imaginar: regionais, nacionais e internacionais.
Hoje, aposentado e exilado voluntariamente num sítio, reduzido a um parco, sóbrio e modesto editor de blog, pelo que acompanho nos jornais, pelo que ouço nas rádios e TV, cheguei à triste conclusão de que não entendo mais nada de futebol, principalmente depois dos acontecimentos da última semana.
Segundo a crônica amiga (e “dando corda” à imprensa do centro do país, xenofóbica aos clubes e interesses gaúchos) o Grêmio, apesar de isolado na liderança com três pontos de vantagem, teve suas chances praticamente zeradas, enquanto a grande sensação do campeonato passou a ser o seu coirmão, plantado na 11ª. posição e que, segundo eles, estaria praticamente encostando no 4º. colocado, na luta pela Libertadores. Senhores, onze menos quatro dá sete: são sete clubes a serem suplantados. Clubes que, segundo o grande filósofo Dino Sani, vão perder, empatar, mas que também irão ganhar três pontos nas suas partidas.
Um dos cronistas preconizou que o primeiro passo para o Inter seria ganhar os pontos necessários para chegar ao G4 - concordo - e, aí sim, aspirar um melhor posicionamento (aí é querer enfeitar a torcida)! Não quero ser desmancha prazeres, mas provavelmente o campeão deste ano o será com 72 pontos e, o Internacional, para atingir este objetivo, teria que ter um aproveitamento de 92,3% a partir de hoje, o que convenhamos, seria um milagre que nem o mais fervoroso dos torcedores colorados acredita.
A imprensa foi tão convincente que assustou até a maior torcida do Rio Grande. Não esqueçamos que, no início do ano, o Internacional era um dos grandes favoritos ao título e, o Grêmio, possível candidato ao rebaixamento. Se o tricolor chegar à Libertadores – e só um desastre de proporções inimagináveis tira o Grêmio dessa situação – já será um feito; o Campeonato - a glória. E, para chegar ao título, o Grêmio só precisa de um aproveitamento futuro de 59,0% - não esqueçamos que o seu aproveitamento atual é de 65,3%, portanto, meta nem um pouco difícil de atingir.
Já para o Internacional, o panorama não é tão cor-de-rosa: para chegar ao G4, seu aproveitamento futuro deverá ser de 69,2% - seu aproveitamento atual é de 48%. Vai ter que melhorar – e muito.
E para encerrar, lembrem-se: torcedores, diretores, jogadores e técnicos de 19 clubes do país, do Palmeiras à Portuguesa, invejam a situação do clube que está no topo do campeonato: o Grêmio, e gostariam, sonhariam em ter os seus pontos e a mísera (?) vantagem sobre o segundo colocado. Por que motivo, nós, os torcedores gremistas, deveríamos estar preocupados?
Responsável – segundo o Aurélio, que responde legal ou moralmente pela vida, pelo bem-estar de alguém, que tem noção exata de responsabilidade; que não é irresponsável.
Ladrão – também segundo o Aurélio, aquele que furta ou rouba; gatuno, ladro, larápio, rato, amigo do alheio.
Por mais que se analise os sentidos destas duas palavras, não se nota incompatibilidade, portanto, alguém pode ser ladrão e responsável simultaneamente. Vejam o fato inusitado que aconteceu hoje na cidade de Passo Fundo.
Um sujeito – o ladrão – passeava tranqüilamente de madrugada pelas ruas da despoliciada (palavra que não existe, mas que todo mundo sabe o significado) cidade gaúcha, quando notou um carro semi-aberto. Mais do que depressa, entrou no veículo e “se mandou”.
Andou cinco quadras e, de repente, constatou que havia uma criança no banco de trás. Imediatamente parou o carro e telefonou para a Brigada Militar (para quem não é daqui do sul, trata-se da nossa Polícia Militar):
- Alô. É da Brigada? Eu vou ser bem sincero. Estou ligando para avisar que roubei um carro, mas havia uma criança dentro. É um carro marrom, marca tal, e deixei ele (sic) no cruzamento das ruas tais e tais. Ah, tem mais uma coisa, avisa pra o fedepê e irresponsável do pai dele, que se eu descobrir que ele deixou novamente o filho sozinho no carro, eu mato ele!
Palmas para o (esse) ladrão… que ele merece! Final feliz para todos. O ladrão, que pelo gesto de arrependimento, vai ser manchete em todos os jornais. A criança, sã e salva, pois poderia haver uma tragédia. O pai (na verdade o padrasto), um irresponsável, que apesar de tudo recebeu o enteado e o carro de volta (mas que provavelmente responderá a processo). E eu, que estava sem assunto para o blog, consegui um na última hora.