Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

25/8/08

Meu nome é Légolas

Em se plantando dá… Escrevi um artigo despretensioso sobre as eleições americanas, mas que rendeu seus frutos. O Nelson Menda, lá dos States (o que comprova a internacionalidade do Al Karismi) mandou um belo comentário sobre o nome Biden. O Sérgio Vasconcellos, mineiro da gema, lançou um intrigante desafio sobre o nome da capital japonesa. O Desembargador Ilton C. Dellandréa, titular absoluto do blog Jus Sperniandi, lembou-me que escrevera uma crônica a respeito de nomes bizarros em 2007. Vale a pena lê-la, logo aí abaixo, e conhecer o seu blog. Mas por favor, após desfrutar do Jus Sperniandi, não me abandone…

Publicado no blog JUS SPERNIANDI em 20/04/2007

MEU NOME É LÉGOLAS
Ilton C. Dellandréa

Um casal paranaense obteve judicialmente o direito de registrar seu filho com o nome de Lehgolaz (pronuncia-se Légolas), personagem da trilogia O Senhor dos Anéis.
Os pais, quando dão nomes aos filhos, não lembram que um dia eles serão adultos e poderão não gostar. Tive uma colega de trabalho na Telesc, em Florianópolis, que se chamava Maria das Graças mas torcia o nariz se não a chamássemos de Grace.
Há o caso, que dizem verídico, de um pai que queria o primeiro filho homem. Nasceram-lhe três mulheres em seguida e ele vingou-se chamando-as de Merdolézia, Mijolina e Bucetildes. O último é o que soa melhor.
A lei permite que, ao atingir a capacidade civil, o descontente altere o nome dado pelos pais se achar que ele o põe em situações vexaminosas ou ridículas. Meu filho diz que teria feito isto se o tivéssemos batizado como Tito Lívio, minha intenção inicial, sem o apoio da Ieda. Nada de querer compará-lo ao tribuno romano, mas apenas porque meu apelido familiar é Tito e sou assim tratado por meus irmãos até hoje. Afinal o registramos como Francisco Fernando Fernandes Dellandréa, que reúne os nomes e sobrenomes dos avôs. Ele reduziu, oficiosamente, para Francisco Dellandréa, o nome de meu pai.
A lei também admite que a pessoa agregue ao seu nome alcunha pelo qual é conhecido, mediante procedimento judicial, e parece não cogitar se essa inclusão coloca ou não o postulante no ridículo. Vejam o caso de Luiz Inácio da Silva. É um nome simples, que soa bem. Seu titular obteve o direito de agregar-lhe o nome de um cefalópode finório e liso e agora se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Quebrou-se a harmonia e o ritmo do nome, mas dizem que é por isto que ele foi eleito (ainda não acredito) presidente do Brasil.
A mãe do Légolas diz que escolheu o nome porque o personagem é representado no filme pelo ator mais bonito, Orlando Bloom, e pelo significado do nome: “o grande protetor”. É claro que o garoto não tem condições de avaliar essas justificativas, muito menos de se manifestar a respeito. Também é cedo para dizer se ele será igualmente bonito ou, em qualquer campo da atividade humana, um grande protetor.
É possível que o Légolas adulto aprecie o nome não profundamente escolhido por seus pais. Mas terá que passar pelo crivo dos colégolas, digo, dos colegas da escola, assim que entrar nela e, principalmente, um pouco mais tarde, de seus amigos adolescentes. Tanto estes quanto as crianças são cruéis quando querem demonstrar desapreço ou mesmo simplesmente gozar de seus semelhantes.
Se, por exemplo, ele não for muito atilado e tiver dificuldades na aprendizagem, será logo chamado de Lelégolas. Se engordar, fatalmente será o Lébolas. Mas se for um bom jogador de futebol, poderá ser o Pelégolas ou Pelébolas. Não sei.
A única coisa que sei que ele terá que, muitas vezes, quando for preencher alguma ficha, se inscrever em concurso ou competição, ou falar no telefone, repetir e soletrar seu nome e isto é irritante até para quem tem nomes mais simples. Eu, por exemplo, antes que me perguntem já vou dizendo: Ilton, sem “h” e com “n” no final. Nunca escapei disto.
Já contei neste blog o caso corrente nos meios jurídicos de João Bosta, que quis trocar de nome porque o detestava. Foi falar com o Promotor – naquele tempo os promotores podiam ajuizar certos tipos de ação – e expôs a situação. Anotados os fatos para justificar o pedido, o promotor perguntou qual nome João Bosta queria adotar. Ele foi rápido: Pedro Bosta.

criado por projetosnumericos    13:43 — Arquivado em: Crônica

1 Comentário »

  1. Comentário por Sergio Pinto de Vasconcellos — 25 25UTC agosto 25UTC 2008 @ 18:06

    Davi - Estamos gostando do que você escreve.

    Vamos continuar essa vida cheia de fatos interessantes.

    Até mais

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