Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

26/1/07

O sagrado direito de opinião

Davi Castiel Menda

"O Tribunal Superior Eleitoral confirmou, nesta segunda-feira, a ocorrência de uma falha em um lote de urnas eletrônicas utilizadas nas últimas eleições para governador de Alagoas. Denunciado pelo candidato derrotado, deputado João Lyra, do PTB, o problema, no entanto, não teria influenciado no resultado final. Segundo a assessoria do Tribunal, algumas urnas mais antigas não eram compatíveis com o programa adotado nas ultimas eleições. Isso acarretou erros na impressão do relatório que é entregue aos partidos".

Em 24.09.2006, o jornal Zero Hora publicou em destaque (Tema para debate), matéria posteriormente divulgada neste blog, sob o título As urnas eletrônicas e a zerézima, que vislumbrava a possibilidade das urnas eletrônicas serem fraudadas. O que me influenciou a externar essa opinião foi a insistência do TSE, avocando a todos brasileiros de patrão em suas propagandas televisivas, o que me daria, em princípio, certas regalias e direitos. Aliás, pensando bem, esta condição me deixou em estado de dúvida até os dias de hoje: se o vocábulo patrão estava sendo usado como se todos nós fôssemos (segundo o Aurélio) chefes de escritório, de uma repartição (no caso o próprio Tribunal Superior Eleitoral); se das Câmaras (alta, dos senadores ou baixa, dos deputados); tratamento simplesmente carinhoso e afetuosamente irônico ou retórica pura dos descompromissados marqueteiros.

Dois dias depois, Zero Hora divulgou diversas mensagens de leitores - em resposta ao debate proposto - favoráveis (a maioria) e desfavoráveis às opiniões emitidas no artigo, afinal vivemos numa democracia.

Em 28.09.2006, o mesmo jornal publicou escrito de autoria do Secretário de Tecnologia da Informação do TRE/RS, em resposta ao nosso artigo do dia 24, sob o título Zerésimas de conhecimento, tentando de todas as formas desqualificá-lo.

 Em 01.10.2006, o jornal O Sul editou em suas páginas - caderno colunistas - matéria do insigne desembargador aposentado Ilton Carlos Dellandréa sob o título A urna eletrônica é confiável?, que pode ser lida neste blog, também se posicionando ao lado da tese exposta em As urnas eletrônicas e a zerézima, ou seja, admitindo a possibilidade de ocorrência de fraude neste tipo de votação. Cumpre ressaltar que o desembargador Dellandréa exerceu o cargo de juiz eleitoral em Irai, Espumoso, Novo Hamburgo e Porto Alegre, e foi taxativo ao afirmar (Zero Hora, 26.09.2006) que a "urna eletrônica a ser usada nas próximas eleições é fraudável e torna possível a identificação dos votos dos eleitores". E mais, "que a inexpugnabilidade é um tabu que o TSE tenta impingir à sociedade brasileira".

A Rádio Guaíba, em seu noticiário do dia 22.01.2007, às 22.00 horas, divulgou a seguinte matéria: "O Tribunal Superior Eleitoral confirmou, nesta segunda-feira, a ocorrência de uma falha em um lote de urnas eletrônicas utilizadas nas últimas eleições para governador de Alagoas. Denunciado pelo candidato derrotado, deputado João Lyra, do PTB, o problema, no entanto, não teria influenciado no resultado final. Segundo a assessoria do Tribunal, algumas urnas mais antigas não eram compatíveis com o programa adotado nas ultimas eleições. Isso acarretou erros na impressão do relatório que é entregue aos partidos".

Nada como um dia depois do outro.

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Posfácio: Zerézima ou zerésima?

Ao escrever pela primeira vez essa palavra no meu artigo sobre as urnas eletrônicas, confesso que fiquei em dúvida: letra esse ou letra zê? O Aurélio seria o lugar mais indicado mas, por ser uma palavra nova, não constava nem uma, nem outra: permaneci na dúvida.

 Evidentemente que meu Dictionnaire des racines des langues européennes não foi de muito proveito, pois imagino que na idade da pedra as eleições eram decididas na base do grunhido e da clava; os trogloditas da época (pois hoje continuam existindo) desconheciam inclusive o zero, o que dirá zeréz(s)ima!

 Procurei usar da analogia, e as duas primeiras palavras que me vieram à mente foram enésimo (afinal, a minha área de atuação é matemática) e enzima (que nada tem a ver com o assunto). Estava ganhando a letra esse mas, por mais que eu insistisse, o Word98 do meu computador recusava-se terminantemente a aceitar zerésima com essa letra. A consulta seguinte foi ao Google: ganhou zerésima com 589 citações e zerézima estava lá com 381 (inclusive com texto do TRE paulista e de outros TREs brasileiros). No  momento atual, a  zerézima do meu artigo encabeça a lista de citações, no Google, da grafia com zê.

Pensando bem, meu tempo de colégio já passou, não estou prestando exame de português, e zerézima com zê me pareceu ser mais forte e muito mais chamativo que zerésima com esse. Até prova em contrário, fico com zerézima!

E se permitem me repetir, nada como um dia depois do outro.

criado por projetosnumericos    5:05 — Arquivado em: Opinião, Política

4 Comentários »

  1. Comentário por Ilton — 28 28UTC janeiro 28UTC 2007 @ 14:12

    Encaminhei cópia de seu texto ao Walter Del Picchia, do site Voto Seguro. Ele já deve ter recebido e, pelo que conheço, deixará seu comentário. Por mim, estou curioso para saber quando o senhor ganhou na Loteria Federal com o número -1349, se é que alguém pode ser premiado com um número negativo. Em caso positivo, enviarei meus dados bancários para depósito da comissão, que modicamente fixo, desde já, em 20%. Um abraço.

  2. Comentário por Walter Del Picchia — 29 29UTC janeiro 29UTC 2007 @ 2:56

    Prezado Davi. Sempre dissemos que algum dia a casa cairia. E acho que já está caindo, com sua ajuda e a do Desemb. Ilton. A atual equipe de informática do TSE não tem culpa por terem recebido um sistema bichado, fraudável e que pode identificar nosso voto; mas tem culpa por continuarem arrogantes, dificultarem perícias, arquivarem/retardarem julgamentos, enganarem a sociedade. Negam nossos pedidos para fazermos um teste técnico público que demonstraria a fragilidade das urnas-e. Ignoram sugestões de aperfeiçoamentos (nossas críticas e sugestões foram entregues em mãos ao presidente do TSE). Já coloquei o endereço de seu blog e do artigo em nossas listas (do voto seguro e do voto eletrônico - veja http://www.votoseguro.org - Página principal - Fórum do voto-e). Grande abraço e cumprimentos por seus artigos. Walter Del Picchia-Escola Politécnica/Universidade de S.Paulo (Apoie nosso Manifesto em http://www.votoseguro.com/alertaprofessores ).

  3. Comentário por Amilcar Brunazo Filho — 29 29UTC janeiro 29UTC 2007 @ 5:53

    Desculpe a propaganda, mas sempre me preocupei com o mito da zerésima e indico para leitura o meu artigo “Um País do Zerésimo Mundo” escrito em 2002, em:
    http://www.votoseguro.org/textos/zeresimo.htm
    tem uma versão atualizada no meu livro “Fraude e Defesas no Voto Eletrônico”

  4. Comentário por Leamartine Pinheiro de souza — 29 29UTC janeiro 29UTC 2007 @ 10:10

    Reproduzo mensagem enviada para o Desembargador Ilton C Dellandréa, que acredito adequada para este artigo, como segue:

    Estimado Desembargador Ilton C Dellandréa, Orgulha-nos tê-lo em nossa luta, contudo, precisamos dar um novo enfoque ao nosso trabalho. A Constituição, o Código Eleitoral e as Leis que estabelecem as Normas para as Eleições, determinam que o Voto é Secreto, que deve existir uma Cédula Eleitoral Impressa e Rubricada pelo Presidente da Mesa Receptora para garantir a integridade das Cédulas nos casos de RECONTAGEM. Por conseguinte, as Urnas Eletrônicas jamais poderiam ser elaboradas com a Identificação do Eleitor pela digitação do Número de seu Título em um teclado diretamente ligado à Urna e, tão-pouco, sem uma Cédula Impressa na qual figure a Rubrica do Presidente da Mesa Receptora. Sob esta ótica, as Urnas Eletrônicas Atuais, constituem uma completa fraude por si mesmas, já que, foram elaboradas, desrespeitando afrontosamente o preceito constitucional do voto secreto, bem como a exigência da cédula impressa e rubricada prevista nas respectivas Leis.

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