20/1/07
Piro e outras manias
Davi Castiel Menda
Advertência: o presente artigo descreve cenas chocantes que podem melindrar e ferir suscetibilidades. O objetivo é apontar, através de alguns poucos - mas fortes - exemplos documentais, a que ponto pode chegar a crueldade, o menosprezo pelo ser humano (e porque não, também aos animais), por seres que, lamentavelmente, por convenção, gozam da qualificação imerecida de racionais. Este tipo de atitude, fora dos padrões éticos, nos persegue desde tempos imemoriais e é hora de uma tomada de atitude diretamente proporcional à dimensão desses crimes, cometidos por ditos humanos; a pena, de continuarmos acomodados, é permanecer eternamente sob o signo do medo. E o pior, sentirmos vergonha de pertencer à raça humana…
piro- (Do grego - pyro) - Elemento de composição - fogo.
-mania [Do grego - manía] - Elemento de composição - loucura, mania; tendência ou inclinação para; que apresenta certa mania, tendência mórbida ou patológica.
O Dicionário Aurélio relaciona aproximadamente duzentos vocábulos que etimologicamente estão ligados a alguma espécie de obsessão ou idéia fixa doentia. Alguns parecem ser inócuos e irrelevantes: bailomania (paixão por bailes, por danças); outros pesados e aterrorizantes cujo exemplo máximo seria a demonomania (mania dos loucos que se julgam possessos pelo Demônio); entre os divertidos e exclusivos do sexo masculino, destaque para o donjuanismo (mania de bancar Don Juan, tipo espanhol de galanteador, de conquistar todas as mulheres); o conhecidíssimo e restrito ao sexo frágil - ninfomania (tendência, nas mulheres, para o abuso de relações sexuais, a qual às vezes assume caráter patológico); e outros tantos.
No exato momento em que um raio caiu sobre um punhado de arbustos, gerando uma pequena fogueira (o fautor realimentação do efeito borboleta), inicialmente assustando a um grupo de hominídeos - porém causa imediata e determinante do progresso através da inovação - estava plantada a semente da piromania, a mania pelo fogo e suas terríveis conseqüências.
O primeiro piromaníaco conhecido foi Eróstrato, responsável confesso (ressalte-se, mediante tortura) pelo incêndio do templo de Diana em Éfeso, uma das sete maravilhas do mundo antigo, no ano 356 antes da era cristã. Seu único objetivo era obter fama a qualquer preço e, ao ser descoberta sua intenção, proibiu-se pronunciar e registrar seu nome para sempre, sob pena de morte para a desobediência. A ameaça não foi suficiente: seu feito e nome sobreviveram até os nossos dias.
Cabe a Nero Claudius Caesar Augustus Germanicus o galardão, no mau sentido, de ser o piromaníaco mais famoso, acusado de ter provocado o incêndio que destruiu praticamente dois terços da cidade de Roma no ano 64 - quem já não assistiu esta cena nos incontáveis filmes sobre o tema? Entretanto, estudos atuais põem em dúvida a veracidade desta acusação. Para Massimo Fini, as calúnias foram inventadas por Tácito, Suetônio e historiadores cristãos.
- continua -
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Comentário por Sergio Pinto de Vasconcellos — 31 31UTC janeiro 31UTC 2007 @ 21:54
Davi,
Davi,
Não é comum um homem discorrer sobre tantos assuntos diferentes e com a firmeza de conhecimentos, como você faz.
Em vista de você citar tantos gregos e romanos gostaria
que nos esclarecesse o seguinte: Sabemos que a nossa lÃngua portuguesa (no Brasil) tem palavras Ãndias, africanas, árabes e é uma lingua que em Portugal se diz latina. Pergunto …. se é latina porque tantas palavras de origem grega? …. como você mesmo explicita no inÃcio deste post!
A propósito, lembre-se que. foi na Grécia, que certas “fofocas”, contra um povo, começaram.