Davi Castiel Menda
"…com esta metodologia em prática, você sabe com antecipação, que independentemente dos números que forem sorteados, por mais estrambóticos que sejam, acertará as seis dezenas da mega sena."
O primeiro homem a chegar a conclusão que a seqüência correta seria "um, dois três…" e não "um, dois, muitos…", foi o primeiro matemático da história; o primeiro bruxo, o primeiro a dar o passo inicial à ciência que investiga relações entre entidades definidas, abstrata e logicamente.
Todos os que estão envolvidos, quer seja estudando, ensinando ou admirando esta prodigiosa ciência das grandezas, tem um preito de gratidão a Descartes, Pascal, Newton, Leibnitz, Euler, Lagrange, Comte, Laplace, Albert Einstein. Particularmente, adotei o Professor Júlio César de Mello e Souza como meu ícone, pela forma divertida com que procurava atrair seus alunos e leitores; foi editor da revista Al Karismi na década de 40. Meu ícone número dois foi Malba Tahan, autor de numerosos livros, sendo o mais conhecido O Homem que Calculava. Não por acaso, o Professor Mello e Souza e Malba Tahan eram a mesma pessoa.
A esta lista, a partir de agora, sou obrigados a acrescentar um contemporâneo nosso, Barry Waterhouse, inglês, matemático, que obteve seus 15 minutos de fama não por fórmulas que ficarão registradas nos anais da matemática, mas simplesmente por ter faturado R$ 21 milhões de reais numa das tantas loterias inglesas de números, juntamente com sete colegas de faculdade.
A revista Isto É publicou em novembro de 2006 uma reportagem com o título A matemática da sorte, demonstrando tintim por tintim todo o raciocínio da milagrosa fórmula milionária engendrada pelo britânico. Aliás, fórmula que nos anos 80 já era utilizada por vários apostadores que se reuniam diariamente na extinta lotérica Casa de Apostas, localizada em Porto Alegre, com resultados pouco satisfatórios. Digno de nota, que tanto o novo milionário, Waterhouse, e a ex-lotérica de Porto Alegre tenham em comum o mesmo vocábulo: Casa = House. Algum indício especial?
Pelo menos o matemático inglês foi sincero ao afirmar que: "Foi sorte. " E eu concordo com ele em gênero e número. Foi pura sorte! Acompanhem a sistemática utilizada (a mesma, mesmíssima que era usada em Porto Alegre), segundo a reportagem da Isto É: "Primeiro Barry escolheu uma loteria (semelhante à Mega-sena brasileira) que apresenta 49 números em sua cartela. A partir daí, os 49 números da loteria foram escritos em pedaços de papel e colocados numa caixa. Os oito participantes do bolão apanharam então seis números cada um, o que deixou um número sobrando na caixa. Esse que restou é usado para começar uma nova linha de seis números pelo próximo apostador, juntamente com os demais números que voltam para a caixa, e assim sucessivamente."
É claro que Barry Waterhouse nunca lerá este artigo e, se hipoteticamente o fizesse, se finaria de tanto rir (também pudera - com R$ 21 milhões no bolso), mas para aqueles que pretendem seguir o método, posso afirmar que se contratássemos um macaquinho ensinado, treinado para preencher volantes ao invés de catedráticos sortear papeizinhos, teríamos exata, exatamente a mesma chance dos oito felizardos ganhadores. Foi sorte! Foi sorte mesmo, Professor Barry!
Sob determinado ângulo, até que é um jogo interessante e eu, pessoalmente, durante algum tempo, me entusiasmei com a idéia; e é explicável. Se você utilizar o método adaptado à nossa mega-sena, estará apostando 10 volantes com seis dezenas, cobrindo todo o universo de 60 dezenas possíveis, e a um custo nada assustador.
O que é mais difícil numa aposta? É claro que acertar as seis bolinhas que saltarão randomicamente dos globos! E com esta metodologia em prática, você sabe com antecipação, que independentemente dos números que forem sorteados, por mais estrambóticos que sejam, que acertará as seis dezenas da mega sena. O problema todo é "torcer" desesperadamente para que as seis se concentrem no mesmo cartãozinho. É deveras problemático!
A tendência é que, em 49% das vezes, você acertará duas dezenas num volante, e as quatro dezenas restantes em outros quatro cartões. Resultado um pouco melhor, três dezenas num volante, mas que ainda não paga prêmio, em 2,5% das vezes. A partir daí, as coisas se tornam mais e mais difíceis e a cada 230 tentativas - 2.300 volantes apostados no total - a tendência é faturar uma quadra.
A revista Isto É finalmente nos informa que "Barry cansou, após oito anos de tentativas frustradas, de simplesmente tentar a sorte arriscando números correspondentes a datas de aniversário de amigos e decidiu, aí sim, deixar de ser modesto e pôr em prática o seu raciocínio de professor catedrático de matemática da Bradford University and College." Ah, agora sim está explicado…