4/12/06
Lei de Conservação da Inteligência
Davi Castiel Menda
“Imagine se afirmássemos que o hominídeo da espécie Homo neanderthalensis, mais conhecido como Homem de Neanderthal, teria o QI de um Einstein ou um Da Vinci comparado à inteligência do homem comum dos nossos dias"!
Segundo a Lei de Conservação da Inteligência, o somatório da inteligência humana é constante. Raciocinando matematicamente, a Lei afirma que a soma da inteligência dos oito bilhões de habitantes da terra é igual a variável I. Quando em breve, a população da Terra atingir 10, 12 ou 20 bilhões de pessoas, pelo enunciado da citada Lei, o total permanecerá inalterável, o mesmo I.
Partindo da suposição que esta premissa seja verdadeira, e considerando o crescimento da população em progressão exponencial - dobrando a cada 35 anos – deduzimos que o Homem cada vez mais e mais está regredindo na sua capacidade de resolver situações novas mediante reestruturação dos dados perceptivos, que em suma é o que convencionamos chamar de inteligência. Entretanto, compensado pelo avanço tecnológico, numa escala sem precedentes desde que o homem é Homem, este declínio praticamente não é notado, propiciando então um duvidoso equilíbrio que mascara a deficiência da apreensão, percepção e intelectualidade em benefício da tecnologia.
Afirmam os compêndios que o Homem só utiliza 10% da sua inteligência, mas em tempos idos, quando a tecnologia era praticamente nula, provavelmente este índice deveria ser próximo dos 100%. É de se conjeturar que o Homem sofra um bloqueio repressivo – por fenômenos naturais seletivos – no processo de utilização de toda sua potencialidade e intelecto em decorrência da explosão demográfica incontrolável. Seria este pobre índice de 10% responsável pelo Homem ser mais emotivo do que racional?
Um deslocamento pelo túnel do tempo ao passado, nos conduz às conquistas humanas em épocas desprovidas de quaisquer recursos tecnológicos, indicativos que os povos que viveram séculos antes de nós, seguramente eram mais criativos e inteligentes.
Eram inúmeras as dificuldades vividas e enfrentadas pelos antigos: ausência de bibliografia e fontes de consulta, falta de divulgação e discussão dos seus trabalhos, incompreensão dos contemporâneos e, sobretudo, nos continentes europeu e americano, o temor de que as novas teorias não se entrechocassem com as diretrizes da Igreja, que dominou boa parcela do mundo e o pensamento do Homem por mil anos.
Na matemática, a ciência das ciências, perdemos por larga margem. Quem dos leitores, com todo o seu conhecimento e cultura, mesmo o autor o liberando para utilizar o seu computador pessoal e bibliografia em geral, teria condições de chegar ao valor de PI? (Lembro que em 1983, fazendo parte da Codimex, uma das primeiras fábricas de computadores pessoais do país, fomos convidados a dar palestra numa escola, versando sobre Informática, com público estimado em 300 alunos. Citando a presente teoria e instigados a demonstrar como chegar ao valor de PI – que aparentemente todos já nascem sabendo - e a título de incentivo, prometendo como prêmio um computador ao primeiro que resolvesse a questão, nenhum aluno - todos do segundo grau - sequer se habilitou à recompensa. Debite-se também, aos desafiados, o fato de conhecerem de antemão a resposta do problema (3,1416). Mesmo a corrida dissimulada de alguns mais espertos aos professores presentes, não resultou em nada…). Entretanto, a história nos revela que muitos séculos antes da era cristã, vários povos já dominavam e usavam o PI em seus cálculos, com uma precisão admirável, levando em conta a época.
A Astronomia é outro exemplo fabuloso. Sem telescópios, sem tábuas logarítmicas, sem réguas de cálculo, sem computadores, os antigos sem dúvida deram um espetáculo à parte (excetuando-se um ou dois astrônomos que isoladamente pregavam a teoria geocêntrica), prevendo eclipses, calculando órbitas dos planetas e cometas, identificando constelações, estabelecendo o valor das epactas.
No Xadrez, hobby em que os bons resultados são diretamente proporcionais à inteligência de quem o pratica, nunca obteremos jogadores superiores – no conjunto – aos que viveram na segunda metade do século 19, como no futuro não teremos tão bons jogadores como os de hoje, e assim sucessivamente, mesmo sendo cada vez maior o número de simpatizantes. Cresce a população, aumenta em proporção o número de jogadores, mas paradoxalmente diminuem os grandes mestres e suas jogadas geniais! Nomes como Lowenthal, Steinitz, Tchigorin, Tarrasch, Lasker, Maroczy, Rubinstein, e mais recente Capablanca, viveram numa época privilegiada, quando quantitativamente o número de habitantes da Terra era impressionantemente menor do que o atual.
Onde estão presentemente os cérebros capazes de realizar a proeza de enfrentar até 50 adversários simultaneamente, às cegas, como Philidor, Morphy, Pillsbury, Tartacover e Breyer? Comparando partidas clássicas disputadas nos fins do século 19 - quando para diversos analistas o Xadrez atingiu o seu apogeu – com as melhores do século 20, nos posicionamos ao lado dos analistas! E, a preocupação primordial no presente, não é gerar bons enxadristas e, sim, cada vez mais, melhorar o desempenho de computadores especificamente produzidos na tentativa de derrotar grandes mestres. É a forma sub-reptícia de manter o equilíbrio entre os componentes menos-inteligência / mais-tecnologia.
Estes são só alguns poucos exemplos; poderíamos nos dedicar a escrever páginas e páginas de situações que demonstram serem os povos antigos infinitamente superiores a nós na área da inteligência, a não ser que tencionemos dar crédito à teoria, exaustivamente propagada pelos escritores Erich von Däniken (Eram os Deuses Astronautas?) e Peter Kolosimo (Não é Terrestre) que tentaram demonstrar que a “sabedoria” dos povos antigos era proveniente de ensinamentos ministrados por habitantes oriundos de outros planetas, o que é discutível.
A Lei de Conservação da Inteligência, do princípio ao fim, é um tema polêmico. É fácil aceitarmos, respeitosamente, a sabedoria de nossos pais e avós, mais pela experiência e vivência, afirmação espirituosamente fundamentada pelo conhecido ditado espanhol “El diablo sabe más por viejo do que por diablo”. Não é o caso; estamos falando de inteligência, e inconscientemente, com o nosso orgulho ferido, nos posicionamos na defensiva, em situação de xeque. O enunciado da Lei não envolve somente ascendentes próximos – é muito mais amplo e extenso - e fica difícil que reconheçamos, em qualquer época ou situação, que o Homem que viveu há 200, 1.000 ou 10.000 anos fosse mais inteligente: a negativa pura e simples resolveria o imbróglio e a consciência e Inteligência do Homem estariam preservadas!
Imagine agora, concluindo, se afirmássemos que o hominídeo da espécie Homo neanderthalensis, mais conhecido como Homem de Neanderthal, teria o QI de um Einstein ou um Da Vinci comparado à inteligência do homem comum dos nossos dias! Você aceitaria?
criado por projetosnumericos
14:00 — Arquivado em: 

Comentário por José Stelle — 5 05UTC dezembro 05UTC 2006 @ 8:26
Concordo quanto ao Homo Neanderthalensis ser mais inteligente que nos, me parece inegavel. Ele sobreviveu por dezenas de milhares de anos, ao passo que nos podemos estar caminhando para a extincao. A razao dissop eh que poucos se dao o trabalho de pensar, nao soh sobre as coisas materiais, como tambem sobre os fundamentos da vida, que sao trancendentes. A ignorancia, as crencas, e as ideologias violentas progridem e imperam no seio de um suposto mundo cientifico e racional; a sensatez e o conhecimento sao minimos ou ficam rejeitados.
Um abraço
José Italo Stelle
Comentário por Sérgio Pinto de Vasconcellos — 5 05UTC dezembro 05UTC 2006 @ 13:43
Sr. Davi
Na sua qualidade de grande matemático, seria possÃvel me dizer quando será o limite a que poderá chegar a consequência da sua teoria
explicitada acima? Seria Zero ou próximo a zero de QI?
Circa 1954 um professor meu dizia que o homem evolui para
ficar tipo uma cebola, sem cabelos etc, etc
Eu, já imagino que está indo em direção ao sistema tribal
vivido principalmente por Ãndios (e certos orientais)
(veja: piercings, roupas estranhas, nudismo etc)
Abraços
Sérgio Pinto.
Comentário por Ilton — 6 06UTC dezembro 06UTC 2006 @ 9:40
No post de 29/11, do meu blog, sobre dinossauros, escrevi o seguinte: “A minha infância era povoada por dinossauros imensos e vi um filme impressionante: raios de uma tempestade acordaram dois dinossauros – um do bem e outro do mal – e um troglodita que jaziam há milênios na ilha em que estavam pesquisadores e fizeram estragos próprios de dinossauros. No final, para o bem de todos, um matou o outro numa luta dinossáurica. O homem das cavernas morreu misteriosamente envenenado quando se descobriu que seu QI era superior ao dos cientistas pesquisadores”. Quer dizer que, aprioristicamente, concordei com sua proposição. Um abraço.
Comentário por Davi Castiel Menda — 6 06UTC dezembro 06UTC 2006 @ 10:23
Prezado Sérgio:
Na verdade, acredito que não seja uma simples conta de dividir - Inteligência por quantidade de habitantes. Mas é evidente, que se a Lei funciona, e o número de habitantes tende a infinito, vai sobrando “pouca inteligência” para os que vão nascendo, uns mais bem aquinhoados que outros. Vamos aguardar outros comentários e partir para a Parte II.
Comentário por Davi Castiel Menda — 6 06UTC dezembro 06UTC 2006 @ 10:27
Prezado Desembargador Dellandréa:
Seu comentário é sempre bem-vindo. Vou entrar no seu blog e procurar ler o artigo dos dinossauros. Parece-me que nossos cérebros andam trabalhando em sintonia. Primeiro foi o artigo sobre as urnas eletrônicas e agora, pelo que li no seu comentário, os princÃpios do seu artigo não diferem muito do meu. Lavoisier!