30/11/06
Se non è vero…
Davi Castiel Menda
Esta história, me contada como verdadeira, ocorreu na cidade de Cachoeira do Sul, interior do Rio Grande, onde morei por dois anos. Um viajante, vendedor de tecidos, miudezas e atavios femininos, dirigiu-se a um dos tantos hotéis da cidade, preencheu a ficha de hóspedes e, levando em conta que toda a rede hoteleira estava com sua lotação esgotada, devido à festa que anualmente lá se realizava, foi alojado junto a outro hóspede, que residia permanentemente no hotel. Duas pessoas distintas, idosas, honestas, camas separadas é claro.
O viajante, herói da nossa história, deixou dois de seus trajes (considerando-se que a história ocorreu por volta dos anos 50, juro que fiquei tentado a usar “duas de suas fatiotas”…) pendurados no único armário do quarto, e rumou para o interior do município, procedimento freqüentemente adotado pelos viajantes. Por três ou quatro dias enfrentou todo o tipo de estrada, mas o sacrifício foi compensado pelo bom índice de vendas junto aos bolicheiros locais.
De volta à sede do município, qual não foi sua surpresa, ao tomar conhecimento que seu companheiro de quarto falecera e, mais surpreso ainda, ao constatar que uma das suas fatio… roupas – a melhor, o terno azul-marinho – fora usada para vestir o defunto na sua derradeira viagem!
Refeito da invulgar situação, superou o fato rápida e cavalheirescamente, sem queixas. Jantou, saboreou seu cafezinho, e dirigiu-se à sala onde se reuniam os viajantes para conversar, trocar idéias, contar causos.
Nem bem sentara, surgiu conhecido vendedor de bilhetes que, sem muita conversa, dirigiu-se – todo sorridente - ao nosso viajante, cumprimentando-o: “Doutor, meus parabéns; avisei, quando lhe ofereci o bilhete, assim que o senhor chegou à cidade, que eu estava lhe vendendo a sorte grande. Estou lhe procurando desde ontem para dar a boa notícia!”
O viajante teve que se refazer de mais um susto, o terceiro do dia. Lembrava de ter comprado um bilhete, mais para ajudar o vendedor, pois sinceramente, não acreditava que a sorte lhe sorrisse algum dia. Nem imaginava o número do bilhete e, se o rapaz não lhe procurasse, provavelmente o jogaria fora sem ao menos se dar ao trabalho de conferi-lo.
Todos os outros viajantes, hóspedes, o proprietário do hotel, a camareira, e até o porteiro, se deslocaram em comitiva ao quarto do felizardo para conferir o bilhete. O viajante, com passos decididos e mais rápidos do que o normal, chave do quarto na mão, abria o séquito; logo a seguir, o bilheteiro, lista oficial da loteria a tiracolo, evidentemente excitado e nervoso com a perspectiva de uma boa gratificação e, fechando o cortejo, aquele povaréu ansioso para testemunhar algo de diferente, que espantasse a mesmice de todas as noites.
Procuraram o bilhete na mala, nas gavetas, no armário, e… de repente, a lembrança terrível: o bilhete fora guardado justamente num dos bolsos do paletó, da roupa azul-marinho, aquela mesma usada para vestir o hóspede falecido!!!
Se non è vero, è bene trovato!
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9:48 — Arquivado em: 

Comentário por SÉRGIO PINTO DE VASCONCELLOS — 11 11UTC dezembro 11UTC 2006 @ 16:59
SENHOR DAVI.
ACREDITO QUE ESTA ESTÓRIA É “VERA”.
EXISTEM ESTÓRIAS DE CACHORROS QUE ENGOLIRAM BILHETES PREMIADOS, UM QUE JOGOU FORA NO LIXO, INADVERTIDAMENTE
UM BILHETE PREMIADO E …… UMA PESSOA FOI AO “LIXÂO”
PROCURAR E ACHOU O TAL BILHETE E…… O ANTIGO DONO
DISSE “O MEU BILHETE” AO QUE O SEGUNDO RESPONDEU “O NOSSO
BILHETE….” E, PARA NÃO HAVER BRIGA ….. DIVIDIRAM O
PRÊMIO AO MEIO (ACHEI MUITO JUSTO).
SEI DE UMA PESSOA QUE JÁ NÃO GANHOU GRANDES PRÊMIOS UMAS 8 VEZES - FALTOU AQUELE QUASE OU UMA PENCA DE OUTRAS BOBAGENS … QUE NA HORA AGÁ DE AGIR CONFORME A INTUIÇÃO OU OPORTUNIDADE…..FALHOU.