25/11/06
Por uma graça alcançada
Davi Castiel Menda
Acho que um escritor pode ter suas simpatias e – por mais incrível que pareça – antipatias, como qualquer outro, por aquilo que escreve. Por extensão, e mais justificadamente ainda, os leitores têm as mesmas prerrogativas. Meu bom e dileto amigo Julio César Dreyer Pacheco tem uma preferência instigante pela historinha abaixo e, mesmo escrita há mais de 15 anos, até hoje, a cada vez que nos encontramos, faz questão de lembrá-la, positivamente. Deve ser boa…
Lá pela década de 60, era fato corriqueiro os jornais de Porto Alegre publicarem a fotografia de determinado sacerdote, sempre acompanhada de agradecimentos por uma graça alcançada. Aparentemente o Padre Reus – este o nome do milagreiro – era bom mesmo, visto que milhares e milhares de fotos suas foram estampadas ao longo dos anos, para alegria e gáudio dos proprietários de jornais.
Verdadeiras romarias, muitas vezes a pé, se deslocavam desde Porto Alegre e circunvizinhanças ao seu túmulo, localizado na cidade de São Leopoldo, o que não deixava de ser uma aventura, visto que a distância que separa as duas cidades é de aproximadamente 35 quilômetros.
Por um destes acasos do destino, morei durante um curto espaço de tempo - dois meses para ser mais preciso - exatamente em frente à Igreja que abriga o túmulo do Padre Reus. Abstraindo o fato de professar religião diversa, não poderia deixar de visitá-lo, sabedor de que tantos peregrinos se deslocavam quilômetros e quilômetros para formular ao santo homem um pedido, e eu ali a dois passos…
E no primeiro domingo disponível, lá estava eu, travestido de romeiro, percorrendo a suntuosa construção. Credos à parte, a exemplo das dezenas de pessoas que lá estavam, formulei o meu pedido, em voz baixa naturalmente: “Considerando que até hoje não consegui ganhar na Loteria Esportiva, mesmo tentando há muitos anos, caso eu acerte, construirei outra Igreja igualzinha a esta”.
Pedido feito, pedido atendido! Naquela tarde mesmo, pela primeira vez na minha vida, coincidência ou não, atingi os tão sonhados 13 pontos. Infelizmente, o prêmio foi rateado entre milhares de acertadores, possivelmente devotos de outros santos e santas espalhados por este nosso imenso país. Lamentavelmente, o lucro obtido não comportava comprar sequer um tosco banco, que dirá construir uma nova Igreja!
Mas não me dei por vencido; durante a semana, lá estávamos nós novamente dialogando, desta vez já com mais intimidade: “Padre Reus, o problema é o seguinte: fiz uma promessa, mas não poderei cumpri-la já que o prêmio foi baixíssimo. E colocando na ponta do lápis, cheguei a conclusão de que, mesmo acertando sozinho, seria inviável construir uma nova Igreja semelhante a esta. Portanto, desta vez vamos combinar os detalhes comedidamente: preciso ser o único acertador, e então mando erigir uma capelinha caprichada – lugar a escolher”.
E mais uma vez, pela segunda semana consecutiva, acertei os 13 pontos. Não foi também desta vez quer consegui atingir o status de milionário. O prêmio aumentara sensivelmente, mas não o suficiente para melhorar de vida, e muito menos construir a igrejinha prometida. Pelo menos, uma família pobre das redondezas foi agraciada com o que hoje chamamos de cesta básica.
Poucos dias depois, por motivos profissionais, mudei de cidade e não tive outra oportunidade de voltar ao túmulo e à Igreja. Porém, do jeito que as coisas andam, muito em breve precisarei ir a São Leopoldo e, desta vez, com uma proposta melhorada: “Padre Reus, meio a meio!”
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Comentário por Lydio Costa Reis Filho — 26 26UTC novembro 26UTC 2006 @ 2:12
Davi,
Juro prá você que eu tinha feito um propósito de dar um tempo nos meus comentários. Pô, pensei comigo mesmo, já devo tá enchenco o saco do Davi. Mas, tornei a não resistir, esse seu caso de hoje me fez rir a ponto de desintoxicar o fÃgado (tinha tomado umas geladas mais cedo e estava meio ressaqueado). Chamei até a famÃlia prá ler, a mulher riu muito também.
Jóia, meu amigo, jóia mesmo. Espero que o santo seja bem pródigo e você seja fartamente atendido nesse novo pedido.
Olha, vou mandar prá você o tal texto a que me referi anteriormente e, depois disso, vou te dar um descanso.
Um abraço
Lydio
Comentário por Davi Castiel Menda — 27 27UTC novembro 27UTC 2006 @ 10:53
Lydio:
Abaixo um comentário feito pelo Solon,num dos últimos artigos escritos.Conto com teu comentário, SEMPRE!!!
Davi O grande mérito dos blogueiros é lançar assuntos que gerem muitos comentários. Em todos os blogs que eu frequento ( e são muitos ) os comentários ,na maioria das vezes, são a melhor parte. Mas só assuntos e textos inteligentes geram comentários tais. Solon
Comentado em 18.11.06 Ã s 11:09:13 por solon magrisso