3/11/06
A Origem do Cifrão
Davi Castiel Menda
Tá certo, tá certo! Eu concordo que para que um cheque seja aceito e válido, e em contratos e documentos oficiais, temos que escrever o valor por extenso, culminando com a palavra "reais" - é a moeda vigente. Mas afora esta obrigação legal, a situação muda um pouco de figura, pois no nosso país, oficiosamente, circulam outras moedas paralelas. Por exemplo: o "conto-de-réis", abolido desde 1942, mas que por incrível que pareça, vem resistindo bravamente e é usado até por pessoas jovens; o cruzeiro, que ainda não foi esquecido (e acho que volta), instituído em janeiro de 1942 e que durou até 12.02.67, quando foi substituído pelo cruzeiro novo. Ainda, dependendo da região, outros termos menos conhecidos são usados para definir o nosso meio circulante: boró, capim, caraminguá, gaita, grana, jabaculê, mango, pataca e tutu. Originário do Rio Grande do Sul, o "pila" continua correndo solto, tendo até sido exportado para outros estados brasileiros - é fato corriqueiro assistir um "guri" entrar num armazém e pedir "um pila de bala". Será que o Aurélio incluirá nas suas próximas edições o tão badalado e não muito nobre "mensalão"?
Do real - o atual - quase todos lembram da sua criação, já que a sua história é recente e seu símbolo mais do que conhecido: R$. É composto pelo R, letra inicial de real acrescido do sinal $, que automaticamente nos lembra - com uma ponta de inveja - o dólar, e que remonta historicamente aos tempos de Tiro, quando era empregado como marca em determinada moeda. As duas linhas representavam as colunas de Hércules e o traço recurvo, entrelaçando as duas colunas, a união da colônia à mãe pátria.
Mas vamos viajar um pouco no tempo e retornar a 1941, com o objetivo de conhecer um pouco da origem do famoso CR$, símbolo durante 25 anos da nossa moeda mais conhecida e tradicional: o cruzeiro.
O Ministro da Fazenda, quando da troca de réis por cruzeiros, levou ao então Presidente Getúlio Vargas, o decreto que instituía a nova unidade monetária, simbolizada pela abreviatura CRS - plural de cruzeiro. O Presidente, já com a caneta na mão, indagou curioso:
- Que significam estas três letras maiúsculas: C, R e S ?
O Ministro, que ignorava solenemente o significado - por não ter participado da criação do decreto - não se deu por achado. Para não ficar mal com o chefe, e lembrando que o mundo atravessava uma de suas piores crises - em plena 2a. Guerra Mundial - resolveu atribuir às três letras uma conotação histórica-política:
- Essa abreviatura, Senhor Presidente, é uma homenagem que o Brasil presta aos grandes chefes militares: C de Churchill; R de Roosevelt e S de Stalin, respectivamente da Inglaterra, Estados Unidos e Rússia.
Mesmo sendo os três países aliados brasileiros na guerra, o Presidente Getúlio não conteve seu ímpeto anticomunista, e impulsivamente riscou, com dois traços verticais o S de Stalin, decidindo energicamente:
- Com os outros dois em concordo! Com o Stalin, nunca!
Dessa forma, o símbolo $, que durante muitos anos, junto com o CR, simbolizou o cruzeiro, e que hoje acompanha o R de Real, teve origem histórica um tanto diferente do $ originário de Tiro.
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