6/10/06
Paradoxo matemático-eleitoral
Davi Castiel Menda
A intenção de voto e pesquisas, prática importada dos Estados Unidos, já se tornou um hábito aqui no estado e país. É meramente uma realidade estatística momentânea. Tentaremos abaixo analisar o 2o. turno em Porto Alegre sob a ótica matemática.
Suponhamos que numa eleição o candidato X tem a intenção de x votos e o candidato Y a intenção de y votos com x > y. A probabilidade de que X lidere a votação durante toda a contagem é dada pela fórmula
(x - y) / (x + y). Este é um problema estudado em análise combinatória sob o rótulo "Problemas de Votação".
Considerando que o nosso 2o. turno promete ser bastante parelho entre situação e oposição, poderíamos tentar calcular a chance dos dois candidatos adaptando a fórmula acima à nossa realidade.
Na hipótese de que o candidato X tenha 54% da intenção de votos e o candidato Y, em conseqüência, 46% nas pesquisas, e substituindo-se estes percentuais na nossa fórmula, teríamos (54 - 46) / (54 + 46). Realizadas as operações, obteríamos o seguinte resultado: o candidato que tem a preferência do eleitorado com o percentual de 54%, teria somente 8% de chances de liderar por todo o tempo a votação.
E chegamos ao paradoxo: o candidato X, aquele que lidera as pesquisas, teria somente 8% de chances - um percentual bastante inexpressivo - de liderar por todo o tempo, e o candidato Y, o provável derrotado, 92% de, em algum momento, ultrapassar o seu oponente, nada impedindo de manter esta primeira posição até o final.
E agora? Valem mais os 8% ou os 92%?
Publicado na coluna Começo de Conversa (Fernando Albrecht) - do Jornal do Comércio em 11/12.outubro.2004
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