Al-Karismi

Produção de textos com conteúdo matemático e fácil leitura. Nada muito complicado, que só possa ser entendido por professores de álgebra ou trigonometria. Coisas simples, triviais, que ajudem o cidadão comum a solucionar problemas e desafios diários.

29/10/06

Domínio público

Há dois dias atrás recebi um e-mail de uma das minhas últimas e remanescentes amigas da juventude, a Joice, preocupada com (segundo palavras dela) um iminente desastre cultural. Fiz a minha parte, conforme pedido, e mandei para a minha lista de e-mails.
Pois o David Nelson Menda, meu primo e xará, enviou sua resposta. O pedido da Joice e o contraponto, a resposta do Nelson, formam a crônica do dia. Vale a pena ler.

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www.dominiopublico.gov.br
Vamos abraçar essa causa. Vamos fazer a nossa parte!!!

Amigos,

Pede-se a colaboração de todos para lutarem pelo impedimento de um desastre cultural: imaginem um lugar onde se pode ler, gratuitamente, as obras de Machado de Assis, ou A Divina Comédia, ou ter acesso às historinhas infantis de todos os tempos. Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci. Onde vc pudesse escutar músicas em MP3 de alta qualidade. Pois esse lugar existe!!!! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site:

www.dominiopublico.gov.br

Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em via de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta desgraça, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem
essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura. Divulgue para o máximo de pessoas.

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Resposta do Nelson:

Davizinho. A conselho do teu pai, freqüentei, durante muitos anos, a Biblioteca Nacional do Rio, que utilizava, para localização de livros do seu acervo, um sistema de fichário tradicional, em tudo semelhante à da "nossa" biblioteca do Rio Grande do Sul, na Rua do Riachuelo. Sempre encontrei o que procurava.

Há alguns anos resolveram "informatizar" o acervo desse verdadeiro templo da cultura brasileira e substituir o antigo sistema de busca, que funcionava a contento, por algo mais moderno. Contrataram uma empresa, provavelmente sem licitação, que deve ter sub-contratado um bando de ignorantes para digitar os dados de seu monumental acervo. Moral da história: nunca mais consegui localizar livro algum e até parei de freqüentá-la. Cheguei ao cúmulo de digitar, em seus terminais informatizados, os nomes de Castro Alves e Machado de Assis, para testar o sistema, e a resposta foi de que não havia nenhuma obra desses autores no acervo da instituição. Quando estava pesquisando a vida do Jacob do Bandolim precisei de uma informação que poderia estar contida no livro "Falta Alguém em Nurenberg", do jornalista David Nasser.

Tentei, mais uma vez, pesquisar nos tais terminais informatizados e a resposta foi a de sempre, ou seja, de que não havia nenhuma obra com esse título no acervo da biblioteca. Não me conformei e procurei falar com uma de suas bibliotecárias, pessoa extremamente gentil que, sensivelmente constrangida, informou que ninguém estava conseguindo localizar obra alguma depois da tal "informatização" do acervo. Levou-me, discretamente, para um setor meio escondido atrás de umas colunas onde, para sorte minha, dela e do restante da população brasileira, tinham sido removidos os antigos arquivos, com suas simpáticas gavetas de madeira escura abarrotadas de fichas de cartolina, já amareladas pelo tempo e uso . Em menos de 1 minuto localizei a gaveta, a ficha e o código alfa-numérico que possibilitaria localizar a obra, que existia, sim, no acervo da biblioteca. Aí, todo feliz, retornei à prestativa funcionária e solicitei o livro. Ela abanou a cabeça e disse que seria impossível localizá-lo, porque, depois da malfadada "informatização", ninguém conseguia encontrar mais nada nas prateleiras da biblioteca. E olhe que esse serviço tinha sido realizado alguns antes dessa busca. Ou seja, o belíssimo prédio da Av. Rio Branco era - não sei se ainda é, pois nunca mais voltei ao lugar, para não me chatear, - um monumental elefante branco.

Estou relatando esse fato para vc., pela primeira vez, porque nunca li, em lugar algum, absolutamente nada a respeito dessa verdadeira tragédia cultural perpetrada contra a maior e mais antiga de nossas bibliotecas. E por que faço isso? Porque acabei de atender ao seu apelo e cliquei no site www.dominiopublico.gov.br, para tentar fazer uma pesquisa semelhante. Dentre as diferentes categorias para texto, procurei por poesia e não encontrei. Com isso, fiquei sem saber se o nosso Castro Alves, um dos meus poetas favoritos, consta do tal "domínio público". Já meio ressabiado, cliquei no ícone dedicado à música e procurei a Bachiana Brasileira nº 4, de Villa Lobos. A resposta foi semelhante à fornecida, há alguns anos, pelo terminal da Biblioteca Nacional, ou seja, de que "não há registro dessa obra nos arquivos".

Portanto, Davi, meu querido primo, vamos deixar que esse site inoperante seja fechado de vez, pois deve ser mais uma das muitas inutilidades que custam um bom dinheiro aos cofres públicos para não prestar serviço algum, a não ser remunerar seus diretores e funcionários. Ah, antes que me esqueça, ainda existem algumas coisas que funcionam neste país. Ainda em relação ao episódio da Biblioteca Nacional, é preciso relatar que a referida bibliotecária, querendo auxiliar, forneceu-me os dados de uma instituição que montou um verdadeiro catálogo dos catálogos com informações colhidas em praticamente todas as bibliotecas cadastradas do país.

 É a Fundação Getúlio Vargas, do Rio, que disponibiliza, a custo zero, essas preciosas informações aos seus visitantes virtuais. Não foi muito fácil localizar, no site da Fundação, o ícone para acessar o cadastro nacional de bibliotecas e livros. Precisei telefonar para um funcionário da FGV para saber como proceder. Digitei o que procurava e acabei encontrando os nomes das três únicas bibliotecas do país onde poderia encontrar o livro do David Nasser. Duas ficavam em outros estados (São Paulo e Minas Gerais), mas a terceira, felizmente, era de uma instituição de ensino privada aqui do Rio cuja biblioteca ficava não muito distante da minha casa.

Eu, que já havia dado com os burros n´água na Biblioteca Nacional e realizado uma peregrinação infrutífera por dezenas de sebos da cidade, acabei encontrando o livro (mas não a informação) graças à perseverança e ao trabalho anônimo de uma instituição que, por ironia do destino, ostenta o mesmo nome do personagem que, para o jornalista David Nasser, deveria ter sido julgado pelo Tribunal de Nurenberg. Não é curioso? Um abração.

Nelson

criado por projetosnumericos    11:55 — Arquivado em: Crônica

19/10/06

Torne-se um erudito em 2 minutos!

 

A vida moderna não deixa tempo para a leitura de bons livros.
Assim, o blog Al Karismi lhe oferece os resumos de clássicos da literatura que muito lhe ajudarão a engrandecê-lo culturalmente.

1) Leon Tolstoi: Guerra e Paz. Paris, Ed. Chartreuse. 1200 páginas.

Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.

2) Marcel Proust: À La recherche du temps perdu. (Em Busca do Tempo Perdido). Paris, Gallimard.1922. 1600 páginas.

Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto. Fim.

3) Luís de Camões: Os Lusíadas. Editora Lusitania.

Resumo: Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de
mulheres gostosas. Fim.

4) Gustave Flaubert: Madame Bovary. 778 páginas.

Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre.  Fim.

5) William Shakespeare: Romeo and Juliet. Londres, Oxford Press.

Resumo: Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero. Fim

6) William Shakespeare: Hamlet. Londres, Oxford Press.

Resumo: Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Fim.

7) Sófocles: "Édipo-Rei" - tragédia grega. Várias edições.
Resumo: Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta. Fim.

8) William Shakespeare: Othelo.

Resumo: Um rei otário, tremendo zé-ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal "amigo" não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé-mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Fim.

PRONTO..Você economizou a leitura de pelo menos 7.000 páginas e R$ 500,00 em livros!!! Não precisa me agradecer. 

criado por projetosnumericos    11:03 — Arquivado em: Humor

18/10/06

Estatísticas Lotéricas e Prognósticos Matemáticos

 

Agora, dados estatísticos sobre a

* Mega Sena

* Quina

* Loto Fácil

* Lotomania

* Loteria Esportiva

* Loteria Federal

* Dupla Sena

* Campeonato Brasileiro, Campeonatos Regionais e Campeonato Espanhol de Futebol

 VISITE O BLOG

http://matematico.blog.terra.com.br/

 

criado por projetosnumericos    9:51 — Arquivado em: Jogos & Loterias

16/10/06

Cem por cento – computadores e paradoxos

Davi Castiel Menda

"Ninguém faz o mal voluntariamente, mas por ignorância, pois a sabedoria e a virtude são inseparáveis". Paradoxo socrático.

Os leitores que me perdoem. Não é a eles que me dirijo, mas é um dado estatístico comprovado: 80% dos brasileiros - 136 milhões de almas - não sabem as quatro operações fundamentais. E pior, são conhecedores do fato. No entanto, eis a insensatez: toda esta multidão – os 80%, e mais os 20% (onde você provavelmente deva estar incluído) que sabem somar, subtrair, multiplicar e dividir - é perita, com pós-graduação, Phd e menção honrosa, em probabilidades, chances aritméticas, estatísticas, previsão do tempo, flutuação cambial, pesquisas eleitorais e afins.

A todo instante somos bombardeados com percentuais probabilísticos, muitos deles afirmando a possibilidade da ocorrência de certo evento ser igual a cem por cento, programas de computador que não erram, máquinas infalíveis, compras seguras pela Internet, direcionando-nos a uma rigidez que impede que qualquer outra possibilidade fique de forma - irretorquível - descartada. E todos nós sabemos, por experiência de vida, que isto é uma falácia.

O transporte mais seguro que existe, a aviação comercial, não está isento de acontecimentos calamitosos – as estatísticas confirmam que 99,9999% das viagens são bem sucedidas. Por mais noves que acrescentemos à direita – aproximando-nos infinitesimalmente dos 100%, jamais ressuscitaremos as milhares de pessoas que já pereceram em acidentes aéreos.

É quase impossível aviões chocarem-se no ar. A revista Veja informou que a chance do acidente envolvendo o avião da Gol com o Legacy seria de uma em duzentos milhões (para que esse valor seja considerado exato, o seu autor deveria ter a informação privilegiada de que até hoje ocorreram 3,2 bilhões de vôos comerciais, sabendo-se que foram registradas 16 ocorrências semelhantes). E mesmo que fosse uma em um trilhão, não justificaria a tragédia perante os amigos e parentes das vítimas: 99,9999995% continuam não sendo 100%!

Você, que acompanha o Campeonato Nacional, poderia tentar impugnar este corolário com a seguinte afirmação: e se um clube está oito pontos à frente do segundo colocado, e faltam somente duas partidas – não se pode declarar, com 100% de certeza – que o líder já é de fato campeão, pois apenas seis pontos estão em jogo? E eu lhe respondo com outra pergunta (característica semítica): você lembra do ocorrido no ano passado, quando uma penada interferiu no final do campeonato?

Empiricamente divagando, até a afirmação de que a única coisa certa que existe é a morte pode ser questionada à luz da matemática e das probabilidades. Segundo William Feller, a proporção de homens que atingem mil anos de vida é da ordem de grandeza de um para um número com 10 na potência 27 bilhões de zeros. Essa afirmação não faz sentido algum no ponto de vista biológico ou sociológico, mas considerada exclusivamente pelo ponto de vista estatístico, ela certamente não contradiz experiência alguma. Obviamente, probabilidades tão diminutas são compatíveis com a nossa noção de impossibilidade. E, se encararmos o assunto sob o ponto de vista religioso, muitas doutrinas pregam a ressurreição corporal, e a morte, da forma que conhecemos, seria efêmera dentro do conceito de tempo divino.

Sempre que leio ou ouço que computadores e os programas que lhes servem são isentos de erros ou falhas – 100% inexpugnáveis – acesso o Explorer da minha memória, busco a pasta Literatura, percorro as centenas (ou serão milhares?) de contos que li na minha vida e lá encontro o que me interessa: A chave-inglesa, escrito em 1951 por Gordon Dickson.

A história passa-se no planeta Vênus, e as únicas duas pessoas que lá se encontram, numa estação meteorológica, dependem de uma máquina para todo o trabalho. Relembro - como se estivesse lendo neste instante - palavra por palavra do operador desta máquina, sobre a sua infalibilidade: “Agora, preste atenção: a certeza que eu tenho não é de apenas noventa e nove vírgula nove, nove, nove, nove por cento. É de cem por cento”.

Seu colega, recém chegado ao planeta, mesmo sabedor que ambos dependem da máquina, inclusive para sobreviver, resolve testá-la, criando um paradoxo - uma dupla implicação entre uma proposição e sua negação - para que esta resolvesse: “você tem que rejeitar todas as afirmações que agora estou fazendo, porque todas as afirmações que eu faço estão erradas”, tornando assim inoperantes todos seus circuitos, na tentativa de atender àquela contradição insolúvel. Uma única pergunta derrubou os teóricos 100% para um zero absoluto, com resultados previsivelmente desastrosos.

O autor, no seu texto, cita o Paradoxo de Epimênides, quando provavelmente – quem sou eu para contradizer Gordon Dickson? – gostaria de ter dito o Paradoxo de Eubúlides de Mileto, o favorito dos matemáticos, que vem a ser algo parecido com a seguinte afirmação: “Todo homem é mentiroso”.

Como é que você vai saber se a afirmação é verdadeira ou falsa, uma vez que eu também sou homem e, no caso de ser verdadeira, só posso estar mentindo. Então, se nem todo homem é mentiroso, a afirmação é falsa, ou seja, é uma afirmação mentirosa. Se for falsa, é verdadeira e, se for verdadeira, é falsa, e assim por diante.

Considerando os exemplos dados, reais ou ficcionais, como pode alguém afirmar que uma máquina, qualquer que seja, é infalível? Máquinas e computadores foram criados e programados por seres humanos, reconhecidamente finitos na sua capacidade. Como a criatura poderá ser rotulada de melhor que o criador? Não se trata de uma questão de competência ou até de honestidade, e sim - parafraseando o paradoxo socrático - por ignorância mesmo.

criado por projetosnumericos    9:31 — Arquivado em: Opinião, Política

13/10/06

Numerologia Política

Davi Castiel Menda

O 2o. turno será realizado em 29.10.06 - correto? E existem dois candidatos.

O primeiro é do partido 45: e quanto é 29 + 10 + 6 ? 45

O segundo é do partido 13: e quanto é 29 - 10 - 6 ? 13

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De que irei me ocupar no céu, durante toda a Eternidade, se não me derem uma infinidade de problemas de Matemática para resolver?
(Augustin Louis Cauchy) 

criado por projetosnumericos    13:35 — Arquivado em: Humor, Política

País medroso

Autor desconhecido
 
E deu segundo turno. Alegria por isso? Não. Sinceramente, não. 
Hoje ficou provado que 50% do meu país aprova a corrupção, aprova tudo que  foi escandalosamente feito no Palácio do Planalto, aprova um candidato que,  no mínimo, foi omisso. 

Hoje, 50% do meu país deu o aval para que quem conseguir ser eleito roube dos cofres públicos, compre parlamentares e ambulâncias super-faturadas,  compre aviões com dinheiro que daria para construir um montão de escolas, que passe 90% do seu mandato em hotéis de luxo e conhecendo os países mais  ricos do globo, enquanto, os que nele votaram passam fome e às vezes não tem  nem água para beber. 

Hoje, 50% do meu país comprado, medroso e sem rumo deu aval para o enriquecimento ilícito do filho do Presidente, deu aval para que este  continue fazendo festas a beira da piscina com o seu dinheiro. 50% desse país medroso e covarde, deu aval para que as coisas continuem como estão. 

O "eu não sabia" agora é válido como defesa, claro que sim, 50% do meu país diz que isso é válido e não poderemos mais reclamar quando alguém nos apontar uma arma e depois do disparo disser que "não sabia que estava carregada". 
Ficou provado que 50% do meu país é medroso e se vende por ninharias quando devia lutar por uma vida melhor. Ficou sim provado que 50% do meu país acha melhor que se tenha 20 latas de leite doadas do que emprego e dignidade para poder comprá-las com o próprio suor, que é mais fácil esperar do que fazer. 

Hoje, 50% do meu país achou que é melhor continuar o que não deu certo e não me venham alguns dos que o apóiam dizer que deu, pois não deu. Durante 20 anos esse Senhor pediu uma chance e quando conseguiu simplesmente não atacou o que mais prometeu atacar que era a corrupção, ao contrário, o que se viu  foi dinheiro saindo pelo ladrão (sem trocadilhos), o dinheiro dos impostos sim, esses que fazem de você refém do "Bolsa Família", que não permitem a criação de emprego, que afugentam empresas e que não deixam o Brasil crescer.

Hoje, 50% do meu país deu aval para que o dinheiro que serviria para  construir creches, escolas, estradas, ferrovias, pontes, gerar emprego e essas "pequenas coisas" que nos fariam ter um presente e futuro melhor seja usado para encher cuecas, compra de votos de Deputados, compra de dossiês,  propina nos correios, compra de aviões de luxo, festas a beira da piscina,  "arraiá" de festa junina, publicidade acima do permitido por lei, sete
toneladas de açúcar, duas toneladas e meia de arroz, duas toneladas de café, 400 latas de azeitonas, 500 quilos de bombons, 800 latas de castanha de caju, seis mil barras de chocolate, duas mil latas de cerveja, 610 garrafas de vinho, 50 garrafas de licor, uma tonelada e meia de banana, uma tonelada de caqui, 2400 abacaxis, 495 litros de suco de uva, duas mil dúzias de ovos,  etc, etc, etc… 

Hoje, 50% do meu país medroso, vendido e sem rumo tentou me dizer que tudo  que aprendi está errado e que o Lula está certo.

criado por projetosnumericos    9:35 — Arquivado em: Opinião, Política

11/10/06

Yeda Crusius x Olívio Dutra – 2o. Round

Davi Castiel Menda

Não poderia deixar de manifestar minha projeção sobre a escolha do governador aqui no estado, que será decidida em 2o. Turno. Levei em consideração que as eleições no Rio Grande tem uma peculiaridade: a ambivalência regional - o gaúcho ou é a favor, ou contra o PT, e esta situação já definitivamente arraigada e histórica tem peso preponderante numa análise que envolva somente dois candidatos, sendo um deles petista.

Num primeiro momento, a candidata Yeda arranca com praticamente 40% dos votos válidos (seus eleitores no 1o. Turno, acrescidos aos de Francisco Turra); Olívio com 28% (seus eleitores e mais os de Beto Grill). No somatório de ambos - 68% dos votos – Olívio concede um handicap de 12 pontos percentuais a Yeda – imutáveis; serão incomuns os votos cambiados deste eleitorado aparentemente fiel, e esta boa margem pró-Yeda deixa o candidato do PT em situação desconfortável.

Atente que estão em jogo os votos de apenas 32% do eleitorado. Para que Olívio reverta esta vantagem, teria que conquistar pelo menos 69% dos que votaram em Rigotto, Collares, Robaina e os demais candidatos, o que convenhamos, é uma tarefa hercúlea (69% de 32% correspondem a 22,1%, que somados aos 28% garantidos de Olívio, totalizariam os 50% mais um, necessários para vencer a eleição). Outro fautor (toda vez que alguém resolve reeditar meus textos e aparece este termo, trocam por fator – é fautor mesmo!) complicador ao candidato petista: o PMDB, que representa praticamente 85% deste eleitorado a ser conquistado, estará apoiando Yeda.

Se não ocorrerem percalços no percurso, o que é pouco provável, pois se trata de uma disputa entre dois políticos politizados – desculpem a redundância, mas na conjuntura política nacional atual… - Yeda Crusius deve atingir 61,4% dos votos e Olívio Dutra 38,6%.

Não se trata de pesquisa, e muito menos indução ao voto de quem quer que seja!
É simplesmente a opinião pessoal de alguém que gosta de eleições e matemática, exercendo sua cidadania.

Memória de cálculo:

YEDA CRUSIUS
Candidato                   % - 1o. Turno         Pró Yeda          Total 2o. Turno
Yeda Crusius                    32,90 %               100,00 %              32,90 %
Germano Rigotto              27,12 %                 73,00 %              19,80 %
Francisco Turra                 6,66 %               100,00 %              6,66 %
Alceu Collares                    3,71 %                40,00 %               1,48 %
Roberto Robaina                1,11 %                20,00 %                0,22 %
Beto Grill                           0,59 %                 0,00 %                0,00 %
Demais candidatos              0,51 %               60,00 %                0,31 % 
                        TOTAL                                                       61,37 %

OLÍVIO DUTRA
Candidato                   % - 1o. Turno         Pró Olívio         Total 2o. Turno
Olívio Dutra                      27,39 %             100,00 %               27,39 %
Germano Rigotto              27,12 %               27,00 %                 7,32 %
Francisco Turra                 6,66 %                 0,00 %                 0,00 %
Alceu Collares                   3,71 %                 60,00 %               2,23 %
Roberto Robaina                1,11 %                80,00 %                0,89 %
Beto Grill                          0,59 %              100,00 %                 0,59 %
Demais candidatos             0,51 %                40,00 %                 0,21 %
                       TOTAL                                                       38,63 %

criado por projetosnumericos    15:03 — Arquivado em: Opinião, Política

Massacre do português

Davi Castiel Menda

“Os lagos são formados por bacias esferográficas”. Aluno anônimo.

Não, não se preocupe! Não foi o nosso amigo, dono da padaria, que andou apanhando! Foi o nosso léxico mesmo, na última prova do Enem. Apesar dos pesares, o nosso ensino parece que melhorou um pouco(!), já que as pérolas, a cada ano, se mostram cada vez mais brilhantes e nacaradas…

As pérolas do Enem

“Os desmatamentos de animais precisam acabar”
“Precizamos de menos desmatamentos e mais florestas arborizadas”
“O desmatamento é um problema de muita gravidez devido aos raios ultra-violentos”
“Os paises desenvolvidos querem que nós se matem por eles e a única solução é alugar o Brasil para os outros”
“Na televisão, o governo vem com aquela prosopopéia flácida”
“Os problemas ambientais ocorrem porque todos os fiscais são subordinados; é a propina”
“O problema ainda é maior se tratando da camada Diozoni”
“Na época de Cristo não haviam hindústrias para poluir e assim mesmo haviam problemas sociais entre os povos”
“No paiz enque vivemos, os problemas cerrevelam”
“O que é de interesse de todos nem sempre interessa a ninguém”
“A natureza foi discuberta pelos homens a 500 anos atrás”
“Não preserve apenas o meio ambiente, mas sim todo ele”
“O maior problema da floresta Amazonas é o desmatamento dos peixes”
“Nos dias de hoje a educação está muito precoce”
“Hoje endia a natureza não é mais aquela”
“Vamos mostrar que somos semelhantes iguais”
“…precisamos agir de maneira inesperável”
“Na Amazonas está cendo a maior derrubagem e extração de madeira do Brasil”
“Por isso eu luto para atingir os meus obstáculos”
“…o fenômeno Euninho”
“A concentização é um fato esperançoso para o território mundial”
“O serumano no mesmo tempo que constrói também destói, pois nois temos que nos unir para realizar parcerias”.

E finalmente, para encerrar com fecho de ouro o nosso colar perlífero, nada melhor do que a opinião de um aluno, que pela ambigüidade do seu pensamento, nos situamos no limbo da dúvida existencial: se o mesmo tem amor exclusivo e excessivo de si, implicado na subordinação do interesse de outrem ao seu próprio, ou muito antes pelo contrário:

“Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós”

criado por projetosnumericos    14:58 — Arquivado em: Humor

6/10/06

Pesquisas, previsões e probabilidades

Davi Castiel Menda

“Predição é muito difícil, especialmente se for sobre o futuro”.
Niels Bohr, físico dinamarquês.

Os grandes perdedores das eleições de três de outubro último não foram os partidos políticos – em especial o PT – e sim os principais institutos de pesquisa do país. Mais uma vez, mesmo trabalhando com margens de erro de 4% a 6% (2% a 3% para cima e para baixo), erraram fragorosamente em nível nacional, rendendo-se às evidências da ocorrência de segundo turno somente na hora derradeira, quando naquela instância era inadiável a divulgação de dados o mais próximo possível da verdade. Ibope e Datafolha, na última pesquisa antes das eleições, reconheceram, de forma constrangedora, a possibilidade de segundo turno, porém, o Sensus – Pesquisa e Consultoria, insistiu em atribuir ao candidato Lula, 51% das intenções de voto, numa tentativa espúria de, nos estertores, influenciar o eleitorado - aqueles ainda listados no bloco dos indecisos – a votar naquele candidato. Num exercício de imaginação, admitindo-se a hipótese do Sensus ser estabelecida no Japão ao invés das Minas Gerais, tenho a mais absoluta certeza que seus responsáveis já teriam praticado haraquiri.

Erraram feio na Bahia e aqui no estado – RS – nem se fala, invertendo a posição dos candidatos que, segundo os institutos, ocupavam respectivamente a primeira e terceira posições nas pesquisas. O franco favorito, Rigotto, turfisticamente falando, não pagou nem placê. Registre-se como exceção o Instituto Methodus, que nos últimos dias conseguiu detectar o crescimento de Yeda Crusius.

Jorge Rolla, que tive o prazer de desfrutar da sua amizade por décadas, enquanto vivo, jamais errou um prognóstico eleitoral. Jamais! Não era matemático, não era economista, muito menos estatístico. Nunca sentou à frente de um micro. Usava da intuição e da sua equipe de campo, aliás, disponível a todos que a quiserem contratar em futuras eleições, sem despender um centavo sequer!

Sua equipe de pesquisadores – e ele não escondia o fato – era constituída de três categorias ligadas à prestação de serviços, que atingia toda a gama de eleitores: taxistas, engraxates e barbeiros. Avaliem, eles têm à mão o termômetro da popularidade e da rejeição de todos os candidatos. Eles dispõem de todo o tempo do mundo para conversar com uma infinidade de pessoas diariamente, ao contrário dos imutáveis 2.002 pesquisados. Eles pesam, avaliam, liquidificam todas as informações, sem auxílio de computador e sem planilhas Excel, somente usando do bom senso. Tabulam com perfeição esta coleta de dados imaginária, que provocaria arrepios e incredulidade aos senhores-ibope da vida. Todavia, acertam…

Este era o segredo de Jorge Rolla, que lá de cima onde se acha, deve estar se divertindo à beça com as desculpas dos estatísticos de plantão sobre as previsões e erros cometidos no primeiro turno.

É muito comum, nos experimentos relacionados à teoria matemática das probabilidades, usar-se freqüentemente como exemplo o mais simples dos exercícios, qual seja, o lançamento de moedas, contando quantas caras e coroas contabilizaremos ao final da série, que pode ser de 100, 200 ou 2.002 lançamentos, tentando demonstrar a realidade da lei dos grandes números, que ao final obteremos uma totalização muito parecida nas duas colunas. É de uma simplicidade tão gritante que qualquer um pode realizar a experiência.

Atravessando o limite (muito tênue) das probabilidades para pesquisas, imaginemos uma eleição entre dois candidatos, “cara” e “coroa”, e que esta eleição será decidida através do experimento acima relatado, num único lançamento da moeda, cara ou coroa. Projete uma pesquisa qualquer e atribua um percentual a cada candidato. Pronta a pesquisa?

Independente dos valores arbitrariamente escolhidos, tudo leva a crer que você errou! Ao ser uma moeda lançada para cima, ela não cairá necessariamente cara ou coroa; ela poderá rolar para um bueiro próximo (e não saberemos quem foi o eleito) ou até incrivelmente cair em pé. As duas últimas hipóteses figuradamente são os imprevistos enfrentados pelos institutos de pesquisa, as probabilidades não avaliadas, não detectadas (leia-se desculpas).

Hoje em dia, com os recursos tecnológicos que conquistamos, além daqueles que são adicionados diariamente, em progressão geométrica, é de uma temeridade empírica imaginar que qualquer ocorrência seja impossível. Até a tão conhecida afirmação de que “a única coisa certa é a morte”, pode matematicamente ser questionada.

A probabilidade de que um homem atinja mil anos de vida apresenta-se com uma chance para o número 10 na potência 27 bilhões de zeros – um número portentoso! Segundo William Feller “essa afirmação não faz sentido algum do ponto de vista biológico ou sociológico, mas considerada exclusivamente do ponto de vista estatístico, ele certamente não contradiz experiência alguma”.

Se estivéssemos seriamente dispostos a desprezar a possibilidade de viver mil anos, teríamos que aceitar a existência de uma idade máxima e a suposição de que seria possível viver x anos e impossível viver x anos mais dois segundos é tão inaceitável quanto a idéia de vida ilimitada.

Resumindo, para mim, o que falta nas possas pesquisas, é um acasalamento mais íntimo com o cálculo das probabilidades. Não é só sair por aí perguntando “em quem você vai votar?” e pronto. O local da pesquisa e o momento não estão sendo bem avaliados. Teoricamente, divagando, se fosse feita uma pesquisa para presidente da república num dos tantos presídios de São Paulo, apresentados como opção Alckmin, Lula e Marcola, você teria dúvida de quem seria, indubitavelmente, o preferido do “público”?

criado por projetosnumericos    15:30 — Arquivado em: Opinião, Política

Paradoxo matemático-eleitoral

Davi Castiel Menda

A intenção de voto e pesquisas, prática importada dos Estados Unidos, já se tornou um hábito aqui no estado e país. É meramente uma realidade estatística momentânea. Tentaremos abaixo analisar o 2o. turno em Porto Alegre sob a ótica matemática.

Suponhamos que numa eleição o candidato X tem a intenção de x votos e o candidato Y a intenção de y votos com x > y. A probabilidade de que X lidere a votação durante toda a contagem é dada pela fórmula
(x - y) / (x + y). Este é um problema estudado em análise combinatória sob o rótulo "Problemas de Votação".

Considerando que o nosso 2o. turno promete ser bastante parelho entre situação e oposição, poderíamos tentar calcular a chance dos dois candidatos adaptando a fórmula acima à nossa realidade.

Na hipótese de que o candidato X tenha 54% da intenção de votos e o candidato Y, em conseqüência, 46% nas pesquisas, e substituindo-se estes percentuais na nossa fórmula, teríamos (54 - 46) / (54 + 46). Realizadas as operações, obteríamos o seguinte resultado: o candidato que tem a preferência do eleitorado com o percentual de 54%, teria somente 8% de chances de liderar por todo o tempo a votação.

E chegamos ao paradoxo: o candidato X, aquele que lidera as pesquisas, teria somente 8% de chances - um percentual bastante inexpressivo - de liderar por todo o tempo, e o candidato Y, o provável derrotado, 92% de, em algum momento, ultrapassar o seu oponente, nada impedindo de manter esta primeira posição até o final.

E agora? Valem mais os 8% ou os 92%?

Publicado na coluna Começo de Conversa (Fernando Albrecht) - do Jornal do Comércio em 11/12.outubro.2004

criado por projetosnumericos    14:34 — Arquivado em: Política
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