29/3/06
Humor (?) no Bonfim - 50 anos
Davi Castiel Menda
Baseado em fatos reais
Correspondência enviada ao Correio do Povo de Porto Alegre - Coluna do Leitor e publicada em abril de 1956
Um apelo à Colônia Israelita:
A laboriosa colônia israelita, na sua maioria, habita a Avenida Osvaldo Aranha e as suas ruas transversais. Estende-se mesmo até a Protásio Alves e circunvizinhanças. É uma zona comercial próspera que promete desenvolver-se cada vez mais. Entretanto, há sensível falta de transportes. São muito utilizados pelos moradores daquela zona os bondes Gasômetro e Petrópolis que trafegam repletos de passageiros. É uma lástima. Podia-se resolver essa apremiante situação se a colônia israelita organizasse uma Empresa de ônibus de transporte para aquela zona. Temos o belíssimo exemplo da firma Renner que, facilitando os seus operários, às suas famílias e os moradores de Navegantes, São João, Caminho Novo e arredores, organizou as suas linhas de ônibus, que tão relevantes serviços presta à população. Aí deixamos o nosso apelo. Atenciosamente. (ass.) OR.
Resposta publicada em 14 de maio de 1956 no mesmo jornal
Senhor Redator:
O Sr. OR dirigiu uma carta a este matutino, fazendo um apelo à colônia israelita. Essa carta, pelo humorismo que encerra, deveria ser publicada no Bric-a-brac (*) e não na Coluna do Leitor. Sugere o Sr. OR, naturalmente fatigado de tanto viajar de pé nos bondes e ônibus, que a colônia israelita organize uma empresa de transportes e deixe de ocupar o lugar dos outros nos coletivos existentes na capital. Evidentemente, o Sr. OR tem vocação para Diretor de Trânsito, pois em meia dúzia de linhas, resolveu todo o problema de transportes da Capital. Lamentavelmente, não adianta ele se, dados os bons resultados que prevê para seu plano, pretende aplicá-lo também para outros núcleos, assim, futuramente, poderemos ter empresas de ônibus para italianos, alemães, poloneses, japoneses, etc. Seria interessante mesmo que cada um desses ônibus tivesse à frente uma bandeirinha dos respectivos países, para maior facilidade na sua identificação. Naturalmente, o motorista e o trocador deveriam falar o idioma respectivo, correspondente à nacionalidade a que o ônibus viria servir. Depois de completo o serviço todo, isto é, fundadas todas essas empresas, o que restaria para nós, os brasileiros? Simplesmente os desmantelados ônibus da Carris! De onde se conclui que o plano do Sr. OR, se por um lado tem suas vantagens, por outro lado tem um sentido anti-patriótico.
Cordialmente (ass) Aron Menda (**)
(*) Bric-a-Brac - seção de humorismo e variedades do jornal Correio do Povo.
(**) Aron Menda - pai do blogueiro.
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